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domingo, 30 de junho de 2013

NÃO VAMOS!

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) não vai participar da concentração conjunta de polícias e militares no Largo do Camões, em Lisboa, no próximo dia 10 de julho.
A iniciativa anunciada como "histórica", sob o lema 'Defesa Nacional e Direito à Segurança dos Cidadãos', pretende ser um sinal de força no descontentamento face às políticas de austeridade do Governo. O convite estendeu-se à AOFA, mas a estrutura militar entende existir um conjunto de pressupostos que não tornam a sua presença adequada.
"Admitiu-se essa hipótese", diz ao Expresso o coronel Pereira Cracel, presidente da AOFA, mas "não é unânime entre os oficiais das Forças Armadas a perspectiva com que se olha para as forças e serviços de segurança".
"Há especificidades na condição militar e normas estatuárias e essas diferenças fazem com que nós tenhamos perspectivas diferenciadas sobre uma situação como esta", sublinha, fazendo uma distinção entre a defesa nacional e aquilo que são as missões e acções de segurança interna.

Militares "não têm a cultura do 'andar na rua'"


A AOFA está "solidária com as preocupações do conjunto dos protagonistas que vão estar no evento". Contudo, no contexto atual, as "angústias e propósitos não são suficientemente fortes, nem razoáveis, para integrar um evento como este, atendendo às nossas limitações" e "admitindo que se trata de uma manifestação pública".
"A repercussão naquilo que é o seio do nosso universo poderia ser mais prejudicial", diz Pereira Cracel. Porém, sublinha: "Não receamos hostilidade do que quer que seja".
Os militares "não têm a cultura do 'andar na rua'. Não é cómodo", mas a AOFA não "invalida" a possibilidade de poder integrar ações futuras que se imponham face a uma "postura autista da governação" e dependendo de "eventuais circunstâncias" que determinem essa necessidade.
O repto para um protesto conjunto saiu do encontro nacional entre as associações socioprofissionais mais representativos das forças de segurança e militares realizado na voz do operário, a 29 de maio passado. Duas semanas depois, numa reunião na sede nacional da Associação Sindical dos Profisssionais da Polícia (ASPP-PSP), era dada 'luz verde' para que a aliança fosse concretizada.
Além da Comissão Permanente dos Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança (CCP), de que fazem parte a ASPP/PSP, Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) e as estuturas dos guardas prisionais, polícia marítima, SEF, ASAE, estiveram presentes do lado das estruturas militares a Associação Nacional de Sargentos (ANS) e Associação de Praças (AP).

Funcionários públicos... só nos cortes


"Temos uma missão muito específica e delicada. As políticas do Governo vão pôr em causa o funcionamento da segurança e defesa", justifica Paulo Rodrigues, dirigente da ASPP-PP e CCP, que enfatiza o "impacto negativo" com a mudança das regras de aposentação, sendo "preocupante" a que se assista a uma polícia cada vez mais envelhecida, que não consegue dar resposta à sua missão, "prejudica a credibilidade e aumenta o sentimento de insegurança nas populações".
O desenvolvimento de uma ação conjunta é "inédita" e Paulo Rodrigues considera que faz todo o sentido "pela "solidariedade e problemas comuns".
Da mesma opinião partilha o presidente da ANS, que endurece o discurso ao afirmar que "se está descaraterizar o Estado social e a condição dos exercícios dos nossos profissionais" pelas "medidas cegas e a teimosia do custe o que custar sem a participação efetiva nas negociações daqueles que vão ser afetados". Lima Coelho aponta o dedo ao Governo - "não somos meros funcionários públicos se se exige no limite a nossa vida" -, e critica a "reiterada prática em confundir a opinião pública para pôr portugueses contra portugueses" na questão da equidade nos sacrifícios.
A APG/GNR também destaca a especificidade de uma profissão "sem horários de serviço". O dirigente César Nogueira é perempório: "Não temos benefícios, mas quando é para os cortes somos funcionários públicos" e não se tem em linha de conta uma particularidade a nível da saúde como "o risco de doenças transmissíveis no exercício das funções" ou "não percebemos que não exista uma cláusula para um militar ferido em serviço que é obrigado a pagar taxas moderadoras".

"Não vamos parar"


Segundo César Nogueira, o protesto pretende ser um alerta de que as estruturas existem, estão descontentes e querem ter assento nas negociações, à semelhança do que acontece com as centrais sindicais. "É um aviso. Não vamos parar", afiança Luís Reis, presidente da AP, indignado com a aplicação de reformas do Orçamento de Estado e do Orçamento Retificativo à "revelia" dos visados, com avisos à mesma hora em que as medidas estão a ser votadas.
Só a ASPP garante que sempre foi recebida quando solicitou reuniões ao Ministério da Administração Interna e que Miguel Macedo "tem resolvido o que se tem comprometido, mas é pouco", e o problema muitas vezes não é da vontade do MAI mas provém de decisões do Ministério das Finanças, ressalva Paulo Rodrigues.
Se o Governo não mudar a postura, as estruturas prometem dar continuidade à demonstração de mal-estar e até ampliar o protesto às Forças Armadas, uma hipótese que já foi levantada, de acordo com a APG/GNR e a AP.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/oficiais-das-forcas-armadas-dizem-nao-ao-protesto-de-policias-e-militares=f817084#ixzz2XjZmFDnx

SANEAMENTOS

Este comunicado, corajoso, em Setembro de 1974, provocou grandes sarilhos e quase desencadeou prisões na JC.
Conta José Ribeiro e Castro:

«O comunicado, embora saísse pelo CDS, foi feito inicialmente pela Comissão Política da JC, de que eu era Presidente. O texto condenava o saneamento arbitrário de 101 oficiais da Armada.
Freitas do Amaral, presidente do CDS, apoiou a tomada de posição, mas acho...u arriscado que o comunicado saísse pela JC e quis colocar o partido, directamente, no assunto. É por isso que o comunicado foi assumido e publicado pelo CDS.
Mal o comunicado sai na imprensa, começam a chover pressões e ameaças sobre o Largo do Caldas, vindos dos sectores militares mais radicais à esquerda. Houve, nomeadamente, telefonemas da Comissão Coordenadora do MFA, vociferando que "tem que haver prisão dos autores deste ataque à revolução".
Ao fim de algumas horas de negociações, para trás e para diante, entre as furiosas autoridades político-militares, o CDS e a JC, a direcção do partido acabou por aceitar revelar que o comunicado tinha sido inicialmente da JC e que, assim, uns dirigentes da JC iriam ser interrogados pela Marinha "para mostrarem a nossa boa fé". Eu fui dos que sugeri isso a Freitas do Amaral: “Eles estão furibundos, porque acertámos no alvo. Agora é dizer-lhes que isto foi obra de rapaziada.” E a direcção da JC estava de acordo: queríamos dar a cara. Era o nosso baptismo de fogo.
Na JC, estávamos satisfeitíssimos: o comunicado tinha acertado no alvo e os revolucionários esquerdistas reagiam como se tivéssemos tocado num ninho de vespas. Agora, havia que dar-lhes a volta.
Como tinha sido eu o autor material do comunicado, ofereci-me a Freitas do Amaral para ir eu ao interrogatório no Estado-Maior da Armada. Mas Freitas não quis. Queria-me proteger, alegando que o meu irmão era oficial de Marinha e o meu tio também era militar (Tenente-Coronel): "a Marinha ainda acha que o Zé soube dos saneamentos por eles e isso pode ser mau para si e para eles."
Acabaram por voluntariar-se para o interrogatório político-militar o Caetano da Cunha Reis e o Tó Vasques, também fundadores e dirigentes da JC, acompanhados pelo advogado Dr. José Afonso Gil, fundador do CDS. Eu mantive a opinião de que a coisa não iria funcionar: "O Caetano e o Tó Vasques não sabem como as coisas se passaram, pelo que não vão conseguir dar a volta aos revolucionários da Marinha. Agradeço a coragem e disponibilidade deles, mas não vai servir para nada. Eu é que deveria ir."
Assim foi. Feito o primeiro interrogatório, em moldes bastante intimidatórios ao que nos foi relatado, a Marinha ficou ainda mais furiosa, achando que estávamos a procurar entretê-los e ludibriá-los. Não aconteceu nada ao Caetano e ao Tó Vasques, mas era claro que tínhamos que mudar de estratégia. É assim que o meu nome foi, finalmente, revelado e indicado. E foi marcado segundo interrogatório aos jovens do CDS, já comigo – haveria ainda um terceiro.
Esse interrogatório a que já vou ocorreu poucos dias antes do que viria a ser o “28 de Setembro”. 
Foi no torreão do Terreiro do Paço onde hoje é o Ministério da Defesa Nacional e, antes do 25 de Abril, tinha sido o Ministério da Marinha. O interrogador-chefe era um Comandante Vilhena de Mendonça, se a memória me não trai. O interrogatório foi duro e intimidatório, mas correu bem para o nosso lado: "dei-lhes a volta!" 
Disse o que quis dizer e não disse o que não queria dizer, mas sem afrontamentos, provocações ou escapatórias. Segundo o Dr. José Afonso Gil, a coisa tinha corrido muito bem e "eles ficaram sem caso".
Mas o Comandante marcou ainda um novo interrogatório comigo para o dia 4 de Outubro.
Entretanto, aconteceu o “28 de Setembro”, que não adivinhava. Começara o PREC. Caiu Spínola. As coisas radicalizaram-se muito. E, nesse mesmo 4 de Outubro, tinha combinado que iria levar de carro o meu pai ao exílio, por causa do “28 de Setembro”. A minha mãe morrera em Julho. E começaram as prisões arbitrárias com o “28 de Setembro”. Corriam as notícias e as listas mais variadas de gente a prender. À cautela, íamos pôr o meu pai a recato em Badajoz. E iria eu a guiar o Fiat 600 que tinha sido de minha mãe.
Nessa manhã, 4 de Outubro, saí para o Estado-Maior da Armada sem saber muito bem se iria voltar ou não. Avisei a minha namorada e uns amigos - o meu pai não sabia -, a fim de levarem o meu pai para Espanha, se eu não estivesse de volta a casa pela hora de almoço.
Não foi preciso. Correu bem. Lá estava o Comandante Vilhena de Mendonça, duro e mal-encarado, mas calmo. O Dr. Afonso Gil tinha razão: "eles tinham ficado sem caso." Em menos de uma hora, estava cá fora outra vez.
Voltei para casa, peguei no meu pai e seguimos para Badajoz. À noite, jantámos na de España, em frente da Catedral, na esplanada, salvo erro, do “Colon”, que já não existe. Tínhamos ficado num hotel manhoso ali ao pé. 
Fiquei aí um mês, pois o meu pai não me queria deixar voltar por razões de segurança – e também não o ia deixar sozinho. Lá arranjámos as coisas com uns primos e outros amigos e acabei por ter autorização de regresso.
Voltei a Lisboa exactamente um mês depois, a 4 de Novembro de 1974. Quando estava a entrar, ali na Rotunda do Relógio, ao princípio da noite, ouvi pela rádio do Fiat 600 (o RCP - Emissora da Liberdade), o relato em directo dos ataques da extrema-esquerda contra o Comício da JC, no S. Luiz, e do assalto à sede nacional do CDS no Largo do Caldas, nessa noite.
Ainda lá fui espreitar, mas a Rua da Madalena estava cortada pela PSP. Pela rua abaixo, via-se o magnífico parque de máquinas tipográficas do CDS, todas escavadas, assim como papéis e outros destroços do assalto. E a sede estava deserta.
No dia seguinte, 5 de Novembro, voltei ao activo. Era o PREC que tinha começado.»
 — 

OS AGRACIADOS 2013


Os condecorados por Cavaco 



"O juiz conselheiro Noronha Nascimento, que cessa funções na quarta-feira depois de ter decidido, por vontade própria, antecipar a sua jubilação para seis meses antes de atingir o limite de idade, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
Entre os condecorados pelo Presidente da República na sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas esteve também o vice-almirante João da Cruz de Carvalho Abreu, o tenente-general Luís Manuel dos Santos Newton Parreira e o tenente-general José Manuel Pinheiro Serôdio Fernandes, que foram agraciados com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis.
O poeta Nuno Júdice foi distinguido como Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, enquanto capitão-de-mar-e-guerra José Manuel Malhão Pereira foi agraciado como comendador da mesma Ordem.

João Proença condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique


O ex-secretário-geral da UGT João Proença foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, enquanto o médico e cantor lírico Álvaro Malta foi agraciado como Grande-Oficial da mesma Ordem, tal como a cantora lírica Elizabete Matos.
O presidente das Misericórdias Manuel Lemos, o encenador Ricardo Pais e o investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Rui Ramos receberam também a distinção de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Como comendadores da Ordem do Infante D. Henrique foram condecorados o presidente da câmara municipal de Elvas José Rondão Almeida, a ex-deputada e professora universitária Maria Santos, além das fadistas Maria da Fé e Teresa Tarouca.
Como Cavaleiro da Ordem do Infante D.Henrique foi agraciado o professor universitário que coordenou a elaboração das candidatura a Património Mundial da UNESCO de Elvas e Marvão Domingos Bucho.
O antigo presidente da câmara de Grândola Carlos Vincente Morais Beato foi distinguido como comendador da Ordem da Liberdade, enquanto o locutor de rádio João Paulo Diniz, que deu a primeira senha do 25 de Abril, foi agraciado como Oficial da mesma Ordem.

Grã-Cruz da Ordem do Mérito para Fernando Ruas


Com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito foi condecorado o presidente da câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas.
Como Grande-Oficial da Ordem do Mérito foram agraciados Mário António Beja dos Santos, da direção-geral do consumidor, e Vera Seixas Fino, diretora da manufatura de tapeçarias de Portalegre.
Foram condecorados como comendadores da Ordem do Mérito o presidente da câmara de Benavente António José Ganhão, o responsável da Delta Cafés António Manuel Raleira Cachola, o presidente da câmara de Melgaço, António Solheiro, o presidente executivo da SISAB Carlos Baião Morais, Fernando Gomes, médico que exerce em Macau e é responsável pelo serviço de Medicina Física e
Reabilitação do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, o empresário Geraldo Mesquita Garcia, os antigos presidentes da UGT João de Deus Gomes Pires e Joaquim João Dias da Silva e o mecenas José António Arez Romão.

Jornalista Fernanda Freitas entre os distinguidos


A jornalista Fernanda Freitas foi distinguida como Oficial da Ordem do Mérito, enquanto o Centro de Recuperação Menores D. Manuel Trindade Salgueiro foi agraciado como membro honorário da Ordem do Mérito.
O reitor da Universidade Técnica de Lisboa, António Manuel da Cruz Serra, e o professor catedrático jubilado Joaquim Pedro Pereira Amaro receberam a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Os agrónomos José Luís da Gama Telo Rasquilha e Maria Gabriela Cazajous Cruz foram condecorados como comendadores da Classe do Mérito Agrícola da Ordem do Mérito Empresarial.
O empresário da área dos transportes Humberto Manuel dos Santos Pedrosa foi agraciado como comendador da Classe do Mérito Comercial da Ordem do Mérito Empresarial.
Na Classe do Mérito Industrial da Ordem do Mérito Empresarial foram distinguidos como comendadores o gestor da Lisnave José António Leite Mendes Rodrigues e o responsável da Tecnovia José Guilherme Jorge da Costa."

"In Exp."


Nota : A CACINE cumprimenta e felicita o Comandante Malhão Pereira por tão justa e merecida recompensa



sábado, 29 de junho de 2013

EM CONTINÊNCIA


ITE. MISSA EST

Lisboa: Palmas no adeus a D. José Policarpo

Bispo auxiliar evocou «sensibilidade» do patriarca emérito na relação com o mundo e a Igreja

Patriarcado de Lisboa
" O patriarca emérito de Lisboa, D. José Policarpo, presidiu hoje no Mosteiro dos Jerónimos à última celebração enquanto bispo diocesano, despedida sublinhada com uma longa salva de palmas pelos participantes, no final da missa.
Antes, o bispo auxiliar D. Joaquim Mendes tinha evocado perante os presentes a “grande sensibilidade” do cardeal aos “problemas” do mundo contemporâneo e o seu “sábio magistério de mestre da fé”.
“Estamos gratos a Deus, que na pessoa de vossa eminência, nos concedeu ao longo destes anos um pastor de sábia ousadia pastoral e teológica, com grande sensibilidade cultural e social”, afirmou.
D. Joaquim Mendes elogiou a capacidade de “diálogo aberto e respeitador” do patriarca emérito “com o mundo e com todos”, para “comunicar o Evangelho com audácia e frescura de linguagem”
A celebração contou com a ordenação de seis novos padres e uma homilia de D. José Policarpo centrada neste momento de mudança.
“O senhor D. Manuel (Clemente), novo patriarca, e eu próprio, só desejamos uma coisa: que a Igreja de Lisboa cresça”, declarou D. José Policarpo.
D. Joaquim Mendes manifestou ao cardeal a “profunda gratidão, comunhão e amizade” da diocese e recordou um percurso de 17 anos como padre, 19 como bispo auxiliar, um ano como arcebispo coadjutor e 15 como patriarca na Igreja de Lisboa.
“Vai continuar connosco com a sua oração e a sua presença amiga, ajudando-nos a percorrer o caminho da entrega generosa e da fidelidade a Cristo e à Igreja”, declarou.
Após a intervenção, D. Joaquim Mendes procedeu à oferta de uma imagem de Nossa Senhora, momento selado com um abraço, ao som das palmas da assembleia, que se prolongaram por vários minutos.
D. José Policarpo deixou o seu lugar no presbitério e desceu até junto da assembleia, onde saudou alguns dos presentes, incluindo o ministro Luís Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Maria da Glória Garcia, entre outras autoridades civis, políticas, militares e académicas."
OC

sexta-feira, 28 de junho de 2013

ÁS ARMAS


  • O CDS/PP apresentou hoje na Assembleia Municipal de Odivelas um Voto de Congratulação pelo excelente trabalho que o Coronel José Serra, Director do Instituto de... Odivelas há cerca de 2 anos, tem vindo a desenvolver.Este Voto foi aprovado com os votos favoráveis de todas as bancadas, excepto do BE (votou contra).

    Assim fica demonstrada a unanimidade em torno do excelente trabalho que tem sido desenvolvido por este grande Homem.



    Voto de Congratulação
    Coronel José Serra

    Desde Outubro de 2011, que o Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo e o Instituto de Odivelas se abriram à comunidade de uma forma sem precedentes há algumas décadas.

    A instituição abriu as portas à realização de umas dezenas de eventos de carácter social, cultural e económico, muitos deles relevantes. Estes acontecimentos contaram com o apoio incondicional de alunas, docentes, militares e funcionários que trabalham diariamente no Instituto de Odivelas.

    Esta mudança permite à comunidade compreender o grau de instrução e preparação extracurricular que se oferece naquele estabelecimento de ensino. Certamente, permite que o nome de Odivelas chegue mais longe. Marca também a identidade do concelho, mas particularmente da cidade, pelas melhores razões.

    É de extrema importância que este estágio se mantenha e, se possível, se torne uma espécie de regra, para bem do quotidiano do núcleo histórico da cidade de Odivelas, também a bem do ensino de qualidade, num País cada vez mais limitado e onde escasseiam boas práticas. Esta filosofia de abertura de uma instituição orientada pelo exército português é indiscutivelmente uma forma de marketing institucional que pode relegar o Instituto de Odivelas para patamares superiores e dele jamais se confundir com outros estabelecimentos como as academias dos três ramos das Forças Armadas.

    Esta atuação deve-se inequivocamente ao Diretor José Paulo Bernardino Serra, Coronel de Infantaria, de 51 anos, que assumiu o cargo a 13 de Julho de 2011. E, desde então, editou uma dinâmica na vida do instituto de Odivelas nunca vista nas últimas décadas, conseguindo chamar ao Mosteiro de Odivelas eventos da maior relevância como ainda partilhar voluntariamente em ações de índole social que contaram com a contribuição de funcionários, alunas e professores.

    Certamente a comunidade odivelense em geral não quer ver morrer esta nova era do Instituto de Odivelas que se afigura da maior importância, particularmente em tempo de dificuldades como aquelas que vivemos e todos os esforços são de extrema importância. Como ainda se afigura do maior interesse a preocupação demonstrada por aquele Director na persecução dos trabalhos de manutenção do património do Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo.

    Portanto, torna-se de importância vital a continuidade do Coronel José Paulo Bernardino Serra à frente da direcção do Instituto de Odivelas

    Assim, a Assembleia Municipal de Odivelas, reunida a 20 de Junho de 2013, na sua 11ª Sessão Extraordinária, aprova um Voto de Congratulação, pelo serviço prestado à comunidade odivelense, ao Coronel José Paulo Bernardino Serra, Diretor do Instituto de Odivelas, bem como se declara pela sua continuidade à frente dos destinos daquela instituição centenária.


    Mais decide enviar este Voto de Congratulação:
    A Sua Excelência, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva;
    Aos Exmos. Senhores líderes das bancadas dos partidos com assento na Assembleia da República;
    Ao Exmo. General Pina Monteiro, Chefe do Estado-Maior do Exército;
    Ao Exmo. Tenente General Francisco Correia, Comando de Instrução e Doutrina do Exército;
    Ao Exmo. Major General Cóias Ferreira, Director de Educação do Exército.

    Aprovado pela Assembleia Municipal de Odivelas,
    Odivelas, 20 de Junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

SELL , SHE SAID

Lá se vão mais uma joias da Coroa

"A Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional afirmou, esta quarta-feira, que “honrar a nossa história [militar] é uma obrigação, que deve ser partilhada com toda a sociedade” e que esta partilha “deve ser orientada para o culto do orgulho nacional”.
Berta Cabral falava para uma audiência composta pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General Pina Monteiro, pelo responsável pela Direção de História e Cultura Militar (DHCM), Major General Santos Carvalho, e por outros oficiais do Ramo com ligações a esta área, no decurso de uma visita a órgãos de natureza cultural do Exército.
A visita começou na zona oriental de Lisboa, no Convento de Chelas, onde está instalado o Arquivo Geral do Exército, o arquivo intermédio com a missão de recolher, tratar e conservar os documentos produzidos pelas Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército até à perda da utilidade administrativa. Nessa altura, depois de avaliados pela Comissão de Classificação de Documentos, alguns passam para o Arquivo Histórico Militar.
Já no Campo de Santa Clara, na DHCM foi comprovado o apoio deste organismo à investigação, recolha e divulgação dos valores culturais militares, a par da pesquisa, preservação e estudo do património e dos documentos históricos militares. Esta ação estende-se tanto aos que constituem espólio dos arquivos, bibliotecas e museus na dependência direta da DHCM como aos que dependem de Unidades, Estabelecimentos e outros Órgãos do Exército.
No Prédio Militar 50, além da visita à Biblioteca do Exército – uma biblioteca pública especializada, vocacionada para a área histórico-militar –, a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional recebeu informação sobre os planos de constituição de Polo Cultural do Exército no eixo Campo de Santa Clara-Santa Apolónia, onde está instalado o Arquivo Histórico Militar – que preserva todos os documentos de valor histórico relativos ao Exército – e o Museu Militar em Lisboa, onde está exposto um conjunto de armaria, pintura, escultura e painéis de azulejos que ilustram acontecimentos relevantes da História de Portugal, em 34 espaços e salas.

Do Polo Cultural do Exército farão parte, além da própria DHCM, a Biblioteca do Exército, o Museu Militar de Lisboa, o Arquivo Histórico Militar e o Arquivo Geral do Exército, cuja transferência de instalações está em projecto."

Já deve haver um civil amigalhaço para presidir a uma comissão que depois .....nem digo mais.

NRP hifen

O sonho do ministro

AÍ VEM ELAS

Com a marcação da data das eleições para 29 de Setembro fica também definido o calendário de todo o processo eleitoral. Aqui fica:
·                            26 de Julho – Os candidatos têm que apresentar a constituição das coligações no Tribunal Constitucional com a identificação da respectiva denominação, sigla e símbolo. As coligações terão que ser anunciadas em dois jornais de maior tiragem da autarquia.
·                            27 de Julho – O Tribunal Constitucional verifica se os elementos relativos às coligações estão de acordo com a lei e publica a decisão para permitir recurso.
·                            05 de Agosto – Os candidatos têm que entregar no tribunal da comarca onde concorrem as listas.
·                            06 de Agosto – Sorteio no tribunal das listas concorrentes para atribuição de ordem no boletim de voto.
·                            12 de Agosto – Data limite para o juiz da Comarca verificar a conformidade das listas e para os candidatos e mandatários impugnar o processo ou a elegibilidade dos candidatos.
·                            14 de Agosto – As listas têm de estar completas até esta data
·                            19 de Agosto – Data limite para a substituição dos candidatos inelegíveis e afixação das listas rectificadas e completas.
·                            21 de Agosto – Apresentação de reclamações por parte das candidaturas.
·                            27 de Agosto – Novo sorteio e afixação das listas.
·                            28 de Agosto – Os candidatos podem apresentar recurso para o Tribunal Constitucional das decisões do Tribunal de Comarca.
·                            31 de Agosto – O Recenseamento eleitoral é suspenso até ao dia das eleições.
·                            07 de Setembro – Decisão final do Tribunal Constitucional e comunicação aos presidentes de Câmara para afixação das listas definitivas nos edifícios das câmaras, juntas de freguesia e tribunais.
·                            17 de Setembro – Início da Campanha Eleitoral.
·                            27 de Setembro – Fim da Campanha Eleitoral e data limite para comunicar desistências ao juiz de comarca.
·                            28 de Setembro – Dia de Reflexão.

·                            29 de Setembro – Eleições.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A IR


O CORREDOR DA MORTE

"O que se segue é um artigo de elevado interesse , que publicamos com a devida vénia ao Autor.
In "Adamastor"
Pode ser, pela sua frontalidade, bem polémico."




GUINÉ, GUILEJE, E O DESNORTE DO REINO
                                                                                                                               20/6/13
                                                                                “O homem é o homem e a sua circunstância”
                                                                                                            Ortega y Gasset
    Desde A. Henriques que há assuntos, na História de Portugal, mal arrumados. Alguns, até, de tão mal descritos, resultam em distorções e mentiras grosseiras.
    É o caso das últimas, e ainda recentes, campanhas ultramarinas em que a Nação Portuguesa esteve envolvida entre 1954 e 1975.
    E assim é, apesar do espaço temporal ser curto; haver muita gente viva que foi protagonista nos eventos; ampla documentação e excesso de meios de comunicação social.
    Entre os multifacetados aspectos que este longo conflito encerra, ganhou especial preponderância o teatro de operações da Guiné e, dentro deste, as operações que se desenrolaram no 1º semestre de 1973, em que se assistiu à maior operação da guerrilha, em toda a guerra. Esta ofensiva foi desencadeada pelo PAIGC e planeada e coordenada por instrutores soviéticos e cubanos e destinava-se a fazer “ajoelhar” militarmente, as forças portuguesas.
    Naturalmente o facto de o MFA ter nascido na Guiné; o protagonismo que o General Spínola – que acabou por ser o principal responsável pelo abaixamento do moral das NT, na Província – veio a ter em todos os eventos ligados ao 25/4 e posteriores; e ao mito que se veio a criar que a guerra na Guiné estava perdida são, seguramente, responsáveis por tal facto.
    No meio da ofensiva referida veio a ter destaque, pelas piores razões, o abandono do quartel e povoação de Guileje, no dia 22 de Maio.
    Piores razões, porque marca uma página negra da História Militar Portuguesa, dado que uma guarnição que estando longe de estar batida, quebrou o dever militar, ao abandonar a sua área de operações sem ordem para o fazer e sem razão que o justificasse. A única que o fez em 13 anos de combates.[1]
    O responsável directo por esta retirada foi preso em Bissau, ficando a aguardar julgamento em tribunal militar.[2]
    Desse julgamento, livrou-o o Golpe de Estado de 25 de Abril e o desnorte que se lhe seguiu, acabando o arguido amnistiado em tal processo. Ou seja, juridicamente a responsabilidade penal deixou de existir.
    O oficial em causa continuou a sua carreira militar e chegou a coronel.
    Depois de abandonar o serviço activo, escreveu um livro, profere conferências e entra em debates, no sentido de descrever o que se passou, explicar as razões por que tomou a decisão que tomou e insurgindo-se contra o processo de que foi alvo.
    Antes de entrar nesta última parte é mister fazer um brevíssimo enquadramento da situação ocorrida em Guileje.
    No dia 20 de Janeiro de 1973, o líder do PAIGC, Amílcar Cabral, um mestiço politicamente moderado (vagamente marxista), de cultura lusíada, foi assassinado em Conackri, por três elementos do mesmo partido.[3]
    Na sequência foram eliminados numerosos guerrilheiros e, até hoje, nunca se soube oficialmente os verdadeiros contornos da trama, tendo-se atirado para cima da PIDE/DGS a hipótese inverosímil, de estar por detrás desta morte.[4]
    A seguir foi congeminado um plano – seguramente com a ajuda de conselheiros cubanos e soviéticos – para se conseguir uma decisão militar, que viria a ser explorada politicamente (como acabou por ser, em diferido), com a declaração unilateral de independência, no Boé, a 24/9/73.
    Esta ofensiva teve algumas inovações: procurou-se utilizar o princípio da concentração de forças e atacar simultaneamente, numa espécie de tenaz, dois objectivos; as forças que atacavam seriam protegidas por uma nova arma anti – aérea, o míssil terra-ar “Strella”, o que permitiria anular a supremacia aérea nacional e, desse modo, fazer pender o potencial relativo de combate, a favor da guerrilha.
    O primeiro míssil foi disparado a 20 de Março, sem consequências. Porém a 25, um outro disparo abateu um Fiat, salvando-se o piloto por ejecção e posterior recolha no chão.
    Nas duas semanas seguintes foram abatidas mais quatro aeronaves tendo morrido quatro pilotos e cinco outros militares o que, naturalmente, abalou o moral das tripulações e passou a afectar o cumprimento de algumas missões, sobretudo por não se saber qual a arma e suas características, com que se defrontavam.[5]
    Os objectivos escolhidos para serem atacados, isolados e, eventualmente, tomados, foram as povoações de Guidage, na fronteira norte, e Guileje, na fronteira Sul.
    Estas povoações estavam defendidas com unidades tipo companhia, reforçados com outros (escassos) meios.
    Foram escolhidos pois estavam mesmo junto à fronteira, o que facilitava o ataque e o apoio logístico, além de que as equipas de misseis também não se deviam internar muito em território nacional, por imposição dos soviéticos que temiam que alguma destas armas caísse em mãos portuguesas.
    Guidaje começou a ser atacada em 8 de Maio e esteve cercada e debaixo de fogo, constante, durante um mês.
    Foram organizadas várias colunas de reabastecimento que foram duramente atacadas e, finalmente conseguiu-se reforçar a guarnição com uma companhia de paraquedistas. No entretanto montou-se uma grande operação que envolveu a totalidade dos efectivos do Batalhão de Comandos Africanos, sobre a base de Cumbamori, que apoiava as forças do PAIGC.
    Durante este período as NT sofreram 47 mortos e mais de uma centena de feridos.
    No meio desta ofensiva séria, foi atacado o aquartelamento de Guilege, no dia 18 de Maio, possivelmente como diversão, para obrigar a retirar forças que estavam a auxiliar Guidage.
     A guarnição do Comando Operacional 5 sofreu um morto e dois feridos.[6] O Comandante, Major Coutinho e Lima, decidiu ir a Bissau expor a situação. Regressou no dia seguinte e tomou a decisão de abandonar o quartel, levando consigo toda a população para Gadamael-Porto, uma povoação a poucos quilómetros.[7]
    Entretanto a FA, numa acção notável, conseguiu descobrir as características do míssil e adoptou um conjunto de procedimentos e tácticas que permitiram continuar a cumprir todas as missões, com constrangimentos vários.
    A FA perdeu, de facto, a Supremacia Aérea, mas não perdeu a Superioridade Aérea. E nunca mais nos abateram qualquer aeronave, à excepção de um Fiat, em 30 de Janeiro de 74, por incumprimento de uma regra de segurança. Estima-se que foram disparados mais de 40 mísseis.
    Que se terá passado então, para que o Comandante de Guileje tivesse apenas resistido quatro dias – com mais meios do que o seu camarada de Guidage – o TCor Correia de Campos, que se veio a revelar um valoroso Comte. - que chegou a estar no limite das munições e dos víveres?
    Aqui parecem entrar o que se designa por factores imponderáveis da guerra, tão ou mais importantes que os outros…
    Do que se sabe o General Spínola tratou mal o major e não lhe explicou nada. Podia ter-lhe dito qualquer coisa do género “a preservação da sua posição é fundamental para a defesa da fronteira sul, eu agora não lhe posso valer pois tenho todas as minhas reservas empenhadas (o que era verdade), volte para lá, aguente-se, que logo que possa envio-lhe auxílio”.
   Em vez disto tratou-o nos moldes em que os que o conhecem sabem, quando não gostava de alguém. A agravar as coisas, o oficial em causa, não era oriundo de Cavalaria nem frequentara o Colégio Militar…
    E quando se despediu dele humilhou-o dizendo-lhe “regressa a Guileje e daqui a um ou dois dias irá lá ter o Coronel Durão e você passa a adjunto dele”. Ou seja passou-lhe um atestado de incompetência.
    O Comte. do COP 5 voltou ao quartel apenas para saber pelos seus subordinados – em quem segundo o “jornal da caserna” não tinha grande comandamento – que o último ataque sofrido tinha destruído o posto de rádio e parte da artilharia.
    A retirada fez-se nessa noite, sendo feita em boa ordem de marcha e com todos os cerca de 500 elementos da população, o que prova três coisas:
    - Que o quartel não estava cercado (se estivesse a saída das tropas e população poderia ter sido um desastre!);
    - Que a população estava toda do nosso lado;
    - Que o PAIGC estava ainda longe de querer assaltar a povoação, já que só deu pela evacuação três dias depois (entrando quase todos em coma alcoólico depois de terem esgotado o stock de bebidas existente…).
    Mas prova ainda outra coisa: que a retirada já teria sido preparada do anterior, pois era praticamente impossível organizar tal operação na hora. Será que estariam à espera que Spínola autorizasse a saída? Até que ponto haveria acção subversiva feita por eventuais infiltrados simpatizantes, idos da Metrópole? Eis duas questões que seria interessante dilucidar.
    Resta ainda acrescentar que o quartel tinha uma pista; a FA garantia apoio pelo fogo de dia, com os “Fiat” e de noite com um “C-47” modificado, em bombardeamento de área; Guileje era o único quartel em toda a Guiné, que tinha abrigos em betão.
    Sofreu bombardeamentos com precisão (cerca de 36), porque o tiro era regulado por guerrilheiros infiltrados até perto do quartel, pois estes tinham liberdade de movimentos, por as forças lá aquarteladas não fazerem batidas fora do arame farpado (como, aliás, estava determinado e era do mais elementar senso táctico).
    Guileje tinha, porém, um ponto fraco: não tinha um poço artesiano, que lhe fornecesse água potável, a qual tinha que ser obtida a cerca de 2Km, o que permitia emboscadas às colunas encarregues dessa missão. As evacuações de helicóptero tinham, ainda, que ser feitas a partir de Cacine, pois a ida dos Al III a Guileje e Gadamael estava, temporariamente, suspensa por razões operacionais.
    Considera-se que as forças que defendiam Guileje não estiveram sequer perto, de não se puderem defender e nada justificava o seu abandono tão prematuro, que veio a causar algum pânico em Gadamael – Porto e poderia ter feito colapsar – por efeito de dominó – todo o dispositivo junto à fronteira - sul.[8]
    As forças do PAIGC reagruparam-se então em torno de Gadamael e atacaram-na fortemente, tendo a situação sido resolvida rapidamente por tropas paraquedistas, enviadas de reforço.
    Sem embargo de se gostar mais ou menos da atitude do Comandante – Chefe, ele era o responsável por toda a Guiné e era ele que tinha a visão global de todo o teatro de operações. E tinha a autoridade para tomar as decisões que tomou, sendo-lhe ainda lícito, sacrificar a guarnição de Guilege caso isso fosse importante para a salvaguarda do todo.[9]
    Como a consciência é o nosso último juiz, cabe sempre a cada comandante – e cada caso é um caso – face às circunstâncias, decidir o que, em última instância a sua consciência lhe diz, mas tem que, a seguir, se sujeitar às consequências dessa decisão.
   E não tem que levar a mal que, no caso vertente, se lhe tenha dado ordem de prisão e levantado um processo.
    O Dever e a Disciplina Militar assim o exigiam e só se deve lamentar que o julgamento não tenha ocorrido. E, nesse âmbito, só existe uma razão de queixa: contra quem o amnistiou.
    Ora este caso que devia ser, sem sombra de dúvidas, tratado em termos académicos, em fóruns próprios, a fim de reverter em ensinamentos para o futuro, tem sido transformado pelo seu protagonista – que ninguém tem maltratado nem acusado de nada - numa tentativa contumaz, não só de branqueamento da sua acção como a de que seja aceite o seu bom propósito e valor.
    Será que um dia destes vai requerer louvor e condecoração?
    As coisas estão, até, a entrar no campo do delírio, como se pôde constatar numa “mesa redonda”, que decorreu em Coimbra, no passado dia 23 de Maio, e para a qual se convidaram quatro coronéis do Exército, um ex-membro das “Brigadas Revolucionárias” e dois ex- guerrilheiros do PAIGC.[10]
    Um dos oradores foi, justamente, o antigo Comte. do COP5, que antes de falar se vestiu com um traje típico de indígena da Guiné – provavelmente o mesmo com que o agraciaram há uns anos atrás, quando foi a Guilege fazer “um frete” ao PAIGC - e não foi o único - que para ali “convocara” um “Simpósio Internacional”![11]
    O “nosso” coronel apenas seguiu, todavia, o exemplo da organização daquela “mesa sem bicos”, a qual no folheto de propaganda do evento, não encontrou nada melhor para pôr em fundo, do que a bandeira do PAIGC (quero recordar que o evento se passa em Coimbra – terra onde está sepultado o D. Afonso Henriques…) e uma foto de Amílcar Cabral que, em termos simples, não passa de um traidor português.[12]
    No dia anterior a esta redonda mesa, tinha estado previsto um colóquio promovido pela quase extinta Polícia Judiciária Militar, onde o caso de Guileje era tema, com direito a debate, e lá estava o nosso ex- comandante inscrito para o mesmo.
   Tem ainda participado em várias conferências, apresentações de livros, discussões, etc., onde raramente é contestado e escreveu um livro com a sua versão dos eventos, que teve o prefácio de um general de quatro estrelas e conseguiu o significativo feito, de o mesmo ser apresentado por um outro general de igual posto, num local que tem o nome de Academia Militar.
   Escola que, lembro, tem a peculiar missão de formar os futuros oficiais do Exército e da GNR.
   Parece que ninguém se deu conta do que se estava a passar…
    Há precisamente 39 anos que se passou a fazer o elogio da cobardia, em detrimento da coragem; promoveram-se desertores e traidores e depreciou-se (quando não se ridicularizou), heróis e patriotas; A corrupção passou a ser tolerada e a achar-se que era coisa de espertos; incentivou-se o vício e casquinhou-se a virtude; tem-se sido de uma compreensão dadivosa para com os “desvios”, ao mesmo tempo que se desdenha a “normalidade”; encolhe-se os ombros aos trapaceiros e fustiga-se o mérito, enfim, os exemplos são extensos e são todos maus.
    Chegou-se ao ponto de incentivar a morte e depreciar a vida, em troca do egoísmo, hedonismo e outros “ismos”, todos muito “progressistas” e modernaços…
    Não admira, pois, que estejamos mergulhados numa crise moral, política e social medonha, e á beira do desaparecimento genético (!), e que quase toda a gente confunde com uma crise económica e financeira, e apenas porque lhes estão a ir ao bolso!
    Fica-nos, contudo, e no meio disto tudo, uma dúvida existencial, que é a seguinte: Face ao descrito, o que se andará a ensinar aos cadetes e aos comandantes das actuais Forças Nacionais Destacadas?




                                                                           João J. Brandão Ferreira
                                                                              Oficial Piloto Aviador
  




[1] O Quartel de Copá, no Nordeste da Guiné, também foi abandonado, em 30/1/73, por metade da guarnição, mas a mesma foi obrigada a regressar, pela notável acção do Comte. do Batalhão, TCor. Jorge Matias.
[2] O militar ficou preso cerca de um ano, o que se estima ser um exagero - mesmo tendo em conta a situação da altura – para se instruir o processo e levá-lo a julgamento. E, possivelmente, não deveria ter sido o único a quem devia ter sido dado ordem de prisão…
[3] Amílcar Cabral foi, sem dúvida, o mais capaz líder guerrilheiro de todos os que combateram contra Portugal.
[4] O que, a ser verdade - convenhamos – seria mais do que legítima…
[5] Foram abatidos um Fiat, um T-6 e dois DO-27. Só a 8 de Abril se teve a certeza de que a nova arma era o SAM-7. Outros disparos foram efectuados, mas não se considera relevante a sua discriminação.
[6] O COP 5 dispunha de uma companhia de caçadores; um pelotão de milícias; um pelotão de artilharia, com peças de 11,4 e algumas autometralhadoras “Fox”.
[7] É importante referir que o Comte. do COP5, foi lá colocado, também, com a missão de disciplinar e levantar o Moral a uma tropa considerada fraca e desmotivada.
[8] Além disso a saída de Guileje não foi coordenada com Gadamael e esta povoação e respectivo quartel, não tinham condições mínimas para albergar tão elevado número de “fugitivos”. E não se sabe, exactamente, porque é que Guileje não foi reocupado, o que não favoreceu as nossas cores.
[9] No fim da ofensiva, nós ganhámos e o PAIGC perdeu, é bom que se diga. Mas o que se passou em Guileje causou um abalo muito grande no moral do conjunto das tropas e comandos. E pode ter contribuído fortemente para o início do MFA, na Guiné. Se assim foi, a vitória táctica portuguesa, resultou numa derrota estratégica, a prazo.
[10] Foi organizada pelo “Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra”, criado em 1998. O moderador foi o Prof. Dr. Luís R. Torgal, que tinha a missão impossível de dar a palavra, numa tarde, a sete oradores e promover o debate…
[11] O tema era a ofensiva sobre Guileje de que trata este escrito e decorreu de 1 a 7 de Março de 2008, promovido pela “Universidade Colinas do Boé” e pelo INED, uma das ONGs que por lá pululam.
[12] Amílcar Cabral tinha a nacionalidade portuguesa. Veja-se artigos do Código Penal de então e de agora…

ÁS ARMAS

Graças ao ministro ,

 nunca mais se verá disto!!!!!

domingo, 23 de junho de 2013

FANTASTICO

"É um colosso dos mares, movido a dois motores de propulsão nuclear de potência equivalente a 70 mil HP: o NS 50 Let Pobedy é o maior navio quebra-gelos do mundo, capaz de romper camadas de 3 metros de espessura, rígidas como aço.
Repare no vídeo abaixo como navega no gelado mar do Ártico russo, rumo ao Polo Norte, como se deslizasse num lago de águas calmas – e, claro, nem tanto quando as camadas se tornam mais grossas e escuta-se o estalar do gelo sendo partido. Para isso, o navio, de 25 mil toneladas e 169 metros de comprimento, tem um casco de nada menos que 5 metros de espessura, com três camadas de diferentes tipos de aço, e sua proa não é ponteaguda, mas arredondada como uma colher.
A construção do formidável navio foi atribulada, inclusive pelo desabamento da União Soviética, em 1991. Começou a ser montado em 1989, em São Petersburgo (então Leningrado), sofreu várias interrupções por motivos vários e só ficou pronto em 2007.
Comandado com o auxílio de um complexo de computadores, sua capacidade de manobra é considerada “excepcional” pelos especialistas, e ele pode navegar a uma velocidade máxima de 24 nós (algo como 45 quilômetros por hora). Leva 140 tripulantes e, entre seus confortos, que começa com ar condicionado para suportar o frio terrível do Ártico, abriga restaurante, biblioteca, sala de música, salas de massagens, uma academia de ginástica e uma piscina aquecida.
A grande função de quebra-gelos como esse colosso é abrir caminho, na imensa área do Ártico russo, riquíssimo em petróleo, para a navegação de cargueiros e navios de prospecção de óleo. O NS 50 Let Pobedy também conduz turistas, a preços salgados, como se dá neste vídeo, em que o navio, apesar dos ventos poderosos do final de sua jornada, seguiu até o exato ponto do globo onde se situa o Polo Norte."


"Texto enviado de  Alm. J.L. Cardoso"