sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

HE LOVES THIS


O Ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, visitou o Comando das Forças Terrestres e o Quartel-General de Operações Especiais, em Oeiras.
Durante a visita, o Ministro da Defesa Nacional participou numa reunião para atualização de equipas, que contou com os contributos, através de videoconferência, das diversas unidades militares repartidas pelo continente e ilhas, bem como das forças que se encontram nos teatros de operações do Afeganistão, do Líbano e do Kosovo.

Á BORDALESA


Os pescadores dizem que época de pesca à lampreia está a correr mal. No rio Minho, a água não chega para estender as redes.
                Vários pescadores de lampreia dizem que a época de pesca deste ano, que começou em Janeiro e vai até Abril, está a correr mal. A culpa, afirmam, é da falta de chuva que estará a afastar as lampreias dos rios.
                Uma das situações mais complicados ocorre no rio Minho. O Comandante Mamede Alves, da Capitania do Porto de Caminha, confirma que tem ouvido queixas dos pescadores e tudo aponta para que a falta de lampreias esteja relacionada com a falta de chuva.
                O responsável explica: «acredita-se que é a descarga de água doce, que transporta uma série de produtos, que serve de chamariz para as espécies que entram nos rios. Sem uma descarga tão forte é possível que o rio não seja tão atractivo para essas espécies».
                A situação é particularmente complicada nos concelhos de Monção e Melgaço onde se usa um método tradicional para apanhar as lampreias que são encurraladas nas chamadas pesqueiras, ou seja, pequenos muros de pedra nas margens do rio Minho.


ANGOLA UÉ


Nos próximos dias, a procuradora italiana Livia Locci, do Tribunal de Turim, na Itália, deverá decidir sobre o mérito de uma queixa apresentada pela primogénita do Presidente angolano, Isabel dos Santos, por difamação contra três jornalistas italianos.
Na sua qualidade de cidadã, Isabel dos Santos goza e deve fazer uso, o tempo todo, do direito universal à honra e ao bom nome onde quer que esteja ou se sinta injuriada. Esse direito também cabe a todos os cidadãos angolanos que, por força das circunstâncias, são governados pelo seu pai há 32 anos.
O presente texto aborda tão somente os argumentos apresentados por Isabel dos Santos, à justiça italiana, que dizem respeito aos cidadão angolanos e podem ser lesivos para o país e para a honra dos angolanos.
Os Factos
A 15 de Julho de 2007, o jornal italiano La Stampa publicou uma investigação da jornalista Giulia Vola, com o título La Dea Nera degli Intrighe (A Deusa Negra da Intriga) em que refere Isabel dos Santos como administradora de um grande império de negócios, incluindo petróleos, diamantes e banca. Para a jornalista, o património sob gestão de Isabel dos Santos, resulta de actos de corrupção e favoritismo devidos ao facto do seu pai, José Eduardo dos Santos, ser Presidente de Angola. A jornalista, a certo ponto, alega que a queixosa é testa de ferro dos negócios do próprio Presidente, um homem conhecido pela sua falta de capacidade em distinguir entre o bem público e o interesse privado. O seu artigo também faz referência ao suposto conluio entre a classe política e militar angolana e figuras internacionais de reputação duvidosa, entre as quais o mafioso siciliano Victor Palazzolo, um prófugo da justiça italiana. Segundo o jornal, os negócios de Victor Palazzolo, que também usa o nome de Robert Von Palace-Kobaltschenko, ter-se-ão cruzado também com os de Isabel e de generais-empresários, entre outros, no sector dos diamantes.
Ofendida, a 2 de Outubro de 2007, Isabel dos Santos compareceu no consulado italiano, em Luanda, para formalmente apresentar queixa contra a jornalista Giulia Vola, o director do jornal La Stampa, Giulio Anselmi, e o director da Wall Street Italia, Luca Ciarrocca, que também publicou o artigo.
A queixosa apresenta, a seu favor, vários argumentos, alguns dos quais são ora reproduzidos pela sua importância para a opinião pública nacional:
• Sobre a denúncia de ser administradora de um império: “Eu sou a filha do Presidente José Eduardo dos Santos e não administro qualquer património e muito menos um “império” financeiro do Presidente, ‘império’ que simplesmente não existe.
• Sobre a afirmação contida no texto, segundo a qual o seu pai é um ditador: “O meu pai não é um “ditador” (…), mas como é universalmente reconhecido, por um lado, Angola é uma república parlamentar e, por outro, o meu pai José Eduardo dos Santos é o Presidente legitimamente eleito em 1979 e em 1992; em particular, é durante a presidência do meu pai que Angola se transformou numa democracia multipartidária.”
• E, finalmente afirma: “Não é verdade que a subscritora se tem ocupado do petróleo e ’com a supervisão do seu pai’ e que ‘dos cofres do estado desaparecem milhões de dólares que deveriam ter sido usados para “alimentos, medicina e infraestruturas.’: na realidade, em Angola, o comércio do petróleo tem passado por procedimentos públicos, transparentes e controlados, sem qualquer envolvimento directo do Presidente da República e muito menos da subscritora.”
As Mentiras
Sobre os argumentos apresentados em sua defesa, Isabel dos Santos envolve também a honra do país, ao afirmar que o texto “tem um conteúdo altamente difamatório e lesivo à minha honra e à minha reputação, assim como para a reputação da minha família e da instituição Angola.” Por essa razão, a sua queixa é extensiva à honra dos angolanos, que também procura defender contra falsidades.
No entanto, as afirmações de Isabel dos Santos, sob juramento da verdade, merecem algumas respostas sob pena da sociedade angolana parecer abandonada à falsidade dos seus dirigentes e dos seus filhos.
1) Taxativamente a queixosa afirma ser apenas “a filha do Presidente” e de não exercer administração de qualquer património.
a) Na reunião da Assembleia-Geral da UNITEL, a 4 de Fevereiro de 2006, Isabel dos Santos foi reconduzida ao cargo de administradora da principal operadora de telefonia celular. A UNITEL é uma empresa privada de capitais mistos, com a participação do Estado, que detêm 25 porcento das quotas através da Sonangol. Até à presente data, Isabel dos Santos mantém-se como administradora da empresa. Dirigiu a reunião o presidente da Assembleia-Geral da UNITEL, General Leopoldino Fragoso do Nascimento, que na altura era o chefe de Comunicações do Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O General mantém-se como presidente da Assembleia-Geral da UNITEL, é consultor principal da Casa Militar do Presidente da República e, até recentemente, tinha como Presidente do Conselho (PCA) de Administração da UNITEL, o ex-PCA da Sonangol e actual ministro da Coordenação Económica, Manuel Vicente.
Como foi Isabel dos Santos parar ao Conselho de Administração da UNITEL e onde encontrou capital para ser accionista de uma das principais empresas privadas angolanas? A resposta a esta questão certamente poderá ajudar a filha do Chefe do Estado a limpar o seu nome com brio.
b) Desde 2005, Isabel dos Santos é administradora do Banco Bic, no qual detém 25 porcento do capital social, conforme documentos legais datados de 7 de Junho de 2006. O seu nome tem constado regularmente no portal do banco e noutros documentos da empresa, na sua qualidade de administradora.
c) A associação de Isabel dos Santos ao negócio dos diamantes, em Angola, é bem conhecida. Em parceria com a sua mãe, Tatiana Cergueevna Regan, Isabel dos Santos constitui a 2 de Abril de 1997, em Gibraltar, a empresa Tais Limited, na qual detinha 75 porcento das acções, cabendo o resto à sua mãe. Por sua vez, a 11 de Outubro de 1999, o governo angolano, chefiado pelo seu pai, promulgou um acordo com a sua empresa, a Trans Africa Investment Services (Tais), o Group Goldeberg e Leviev Wellox, para a criação de uma empresa mista de comercialização de diamantes, a Angola Selling Corporation (Ascorp), (Conselho de Ministros (2003:1438-9); a 5 de Outubro de 2004, Isabel dos Santos transferiu a totalidade das suas acções para o nome da mãe e, por essa altura, a Tais já havia mudado de denominação para Iaxonh). A aprovação do consórcio revelou conflito de interesses, nepotismo e indícios de crime de suborno “passível de destituição do cargo” (Art. 127º, 1, 2 da Constituição). Para mais informações sobre a participação de Isabel dos Santos na Ascorp e as implicações legais, consulte: Marques, Rafael, Diamantes de Sangue, Tinta-da-China: Lisboa, 2011:32-3.
d) O sector dos petróleos em Angola tem sido o mais opaco e o mais controlado pelo Presidente da República, para serviço dos seus desígnios pessoais. A aprovação final de qualquer contrato petrolífero, por concurso público ou não, cabe sempre ao Presidente da República. O Decreto n.º 48/06, do Conselho de Ministros, sobre os Procedimentos de Concursos Públicos no Sector dos Petróleos, estabelece que a aprovação final dos concursos públicos cabe ao Governo, ou seja exclusivamente ao Presidente da República, como chefe do Executivo (Art. 14º, c). Como exemplo, um ano antes de Isabel dos Santos ter apresentado queixa, o seu pai promulgou, a 27 de Outubro de 2006, a autorização conferida à Sonangol para associar-se, entre outras empresas, à Prodoil, para a realização de operações petrolíferas no Bloco 1/06 (Decreto n.º 82/06). A Prodoil é uma empresa criada a 9 de Novembro de 2001 pela Marsanto, e com participação simbólica da Prodiaman e Arlindo Fernando da Costa. A Marsanto é uma empresa criada a 17 de Dezembro de 1996, pelos sobrinhos do Presidente Edson dos Santos Sousa e Esmeralda dos Santos Sousa, filhos da sua irmã Marta dos Santos, assim como o consorte desta José Pacavira Narciso. Por sua vez, este cunhado de José Eduardo dos Santos é o PCA da Prodoil desde 2001.
Na realidade, não é possível em breve resposta demonstrar, como ao longo do seu consulado de 32 anos, quer por intervenção directa quer indirecta, José Eduardo dos Santos tem usado as suas funções para construir um império incalculável de negócios para a sua família.
Sobre o regime político em vigor em Angola, as declarações de Isabel dos Santos colidem com a verdade e reflectem o contrário da vontade do povo angolano sobre a eleição do Presidente da República.
2) De 1992 a 2010, vigorou, no país, um sistema de governo semi-presidencial, consagrado na Lei Constitucional. É simplesmente falsa a afirmação de Isabel dos Santos sobre a existência de um sistema de governo parlamentar em Angola por altura da apresentação da sua queixa.
a) José Eduardo dos Santos nunca foi eleito Presidente da República, muito menos com legitimidade democrática. A Lei 71/76 de 11 de Novembro, de Alteração à Lei Constitucional estabelecia que “em caso de morte, renúncia ou impedimento permanente do Presidente da República, o Comité Central designará de entre os seus membros quem exerça provisoriamente o cargo de Presidente da República” (Art. 33º). Vigorava o sistema de partido único em que o MPLA se auto-legitimava como o único representante do povo angolano (Art. 2º da Lei Constitucional de 1975). Por sua vez, em 1992, o candidato José Eduardo dos Santos viu-se obrigado a disputar a segunda volta das eleições presidenciais com Jonas Savimbi, por falta de votos suficientes para ser declarado Presidente na primeira ronda eleitoral. A segunda volta nunca se realizou. Sobre o assunto, o pai de Isabel dos Santos pediu um parecer ao Tribunal Supremo que, por sua vez declarou, em Acórdão (Processo 12 Constitucional) de 22 de Julho de 2005:
“Não houve finalização da eleição presidencial e por isso não houve tomada de posse. Logo, não são de contar mandatos Presidenciais, porquanto não os houve. O que há é a continuação do mandato do Presidente da República fixado pelo artigo 5.º da Lei n.º 23/92. Deste modo, nada impede também que o Presidente da República, em exercício de funções, se candidate ao próximo pleito eleitoral.”
Logo, é falsa a afirmação de que alguma vez José Eduardo dos Santos foi legitimamente eleito Presidente da República de Angola. Um indivíduo que não tem mandato legítimo e se impõe contra a vontade de todo um povo é um ditador, por mais habilidoso que seja.
No que toca à contradição e à mentira, bem se pode dizer tal pai, tal filha.

De:Maka angola, com a devida vénia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

VERGONHA


"Trabalhadores dos transportes continuam a receber benefícios

Segundo a edição de hoje do DN os trabalhadores das principais empresas de transportes do país recebem o mesmo quando estão de baixa do que quando estão de serviço, para além de terem assegurada por inteiro a assistência com medicamentos.
As greves no sector sucedem-se, o DN revela os dados obtidos através de um documento de trabalho, usado pela tutela, que lista os benefícios ainda em vigor nos acordos das empresas.
Esse mesmo relatório mostra que os trabalhadores da Carris, do Metro de Lisboa e da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto têm o direito a um complemento de reforma, para além da reforma a que têm direito por lei.
O jornal apurou ainda que a maior parte destas empresas dá aos seus funcionários viagens gratuitas. Para além dos trabalhadores no ativo, no caso da CP e da Refer, também os reformados, cônjuges, filhos e enteados são destinatários desta regalia.
As férias são também um tema em discussão no documento a que o DN teve acesso. Depois de o governo ter levantado a hipótese de os trabalhadores em geral poderem vir a perder o bónus de três dias para além dos 22 úteis a que têm direito, o relatório demonstra que os funcionários da Carris têm direito a 30 dias de férias."
DN

Nota:E podem crer que ninguém acaba com isto

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A LER


NOTA PRÉVIA:
No DN de hoje saiu um artigo (4000 caracteres) do sr. Comandante Patrício Leitão. Achando estranho , a CACINE foi tentar saber pormenores e , numa bordada de sorte , conseguiu o original(12000) que aqui, e com a devida vénia , publica em primeira mão e exclusivo.

Os últimos acidentes no mar, com perda de vidas humanas ou tão só com elevado risco de desgraça, vêm evidenciar o que, já em situações anteriores, parecia apontar numa nova direcção: mais do que a falta de meios para contornar riscos ou de tecnologia para os detectar, poderão estar em causa simples problemas de segurança, ou o acatar de elementares procedimentos de navegação, nos quais os profissionais deveriam ser o sujeito activo. Este é um assunto que, em meu entender, deverá ser encarado e discutido com independência de cálculos economicistas ou de pretensas razões de protecção social a prevaricadores.
Quando das nossas primeiras viagens de instrução, como cadetes da Escola Naval, primeiro a bordo dos draga-minas, depois a bordo da «Sagres» e um pouco mais tarde nas fragatas, como jovens oficiais, era na ponte dos navios que se passava o essencial da nossa aprendizagem.
A aplicação prática dos métodos teóricos, ensinados na Escola, constituía o essencial de cada uma das quatro horas de quarto que passávamos na ponte; mas além da Navegação, e de todas as outras matérias que lhe estão associadas, aprendíamos mais, aprendíamos ali uma outra matéria extremamente importante, que era a da interacção e das interdependências entre os diversos indivíduos que compartilhavam aquelas responsabilidades, como sendo uma relação vital à integridade do navio e à realização de cada missão.
A segurança da navegação será, porventura, o binómio mais consistente que encontrámos depois, em cada momento no mar, ao longo das nossas carreiras, tido naquele mais amplo sentido, por vezes quase exagerado, de que nenhum pormenor deve ser descurado em cada ocasião, tendo sempre em mente que, se se considerar que um determinado perigo se afigura verosímil, então devemos admitir que ele existe de facto.
Todos nos lembramos, certamente, daquilo que até nos parecia quase um despropósito, quando em navegação costeira se dava um resguardo de duas ou três milhas para contornar o Cabo Espichel ou o S. Vicente; quando a todas as horas se tinha que estabelecer a comparação da agulha magnética com a girobússula, ou proceder à leitura barométrica; como o marinheiro do leme repetia em voz alta, por dever, cada uma das ordens que recebia, ou ainda, quando um outro marinheiro «cantava a sonda», sempre que a aproximação de fundos baixos poderia pôr em causa a segurança do navio, ou também no mesmo preceito informava a distância a terra ou a outro navio, se essa vizinhança prefigurasse uma situação de emergência.
Em todas estas comunicações era e é, utilizada uma linguagem própria, típica dos marinheiros, a qual em geral não é francamente acessível a quem não anda no mar.
Essa mesma aprendizagem das ciências navais e idênticos tirocínios na ponte eram igualmente postos em prática pelos nossos colegas da Marinha Mercante, que muitas das vezes tinham recebido os ensinamentos dos mesmos mestres, que em alguns casos serviam as duas Escolas, a Naval e a Náutica.
Numa outra dimensão profissional, a da pesca costeira, e quando ainda não existia formação escolar, o ensino era feito através da transmissão de conhecimentos, a bordo, no árduo desempenho do confronto diário com o mar, assim passando de geração em geração a prática das mais elementares regras de navegação e de sobrevivência no mar. As Escolas de Pesca viriam mais tarde dar um forte contributo na formação dos pescadores, a permitir que a actividade pudesse ser alargada a outros horizontes.
A segurança no mar continuaria ainda assim, a ser uma palavra-chave, na sala de aula a transmitirem-se os conhecimentos, onde quer que houvesse formação náutica, o que naturalmente era exigido e recomendado ao habilitar praticantes da Marinha de Recreio.
Embora naqueles nossos primeiros tempos, os navios já dispusessem de radar e sonda, ainda assim mantinha-se a antiga configuração da equipa de serviço á ponte, com um oficial chefe de quarto e por vezes até com um outro oficial adjunto, mais o sargento de quarto, o cabo de quarto, o marinheiro do leme, um vigia a cada bordo, um marinheiro ao radar e à sonda, um sinaleiro e outro de serviço de ronda, o que podendo ser hoje considerado pouco racional, em termos de gestão moderna de pessoal, era também feito em nome dessa mesma segurança. Também recordo, por ser natural de uma terra de pescadores, que as embarcações da pesca do cerco, as traineiras, tinham mestre e contra-mestre, e na extensa tripulação, de noite ou sempre que a segurança o recomendava, o mestre nomeava um vigia de quarto.
É geralmente sabido que uma carta náutica deve também ser sempre usada sob um mesmo princípio de segurança e de parcimónia, tendo em vista o fim a que cada uma se destina, e tendo igualmente presente a sua escala, correlacionada com os critérios que foram usados no respectivo levantamento hidrográfico, bem como a idade da carta. Numa mesma acepção, em geral também ali vem realçado, como advertência, através da coloração azul em apropriada isobatimétrica, a profundidade aquém da qual não é aconselhada a navegação.
Tal como nesses idos anos sessenta, o radar e a sonda eram modernos meios electrónicos ao dispor do navegador, a par ainda de uma quase incipiente navegação por idênticos sistemas, e ainda assim se iam mantendo em vigor os antigos princípios de disciplina e de segurança, também hoje, volvidos cinquenta anos, e apesar do GPS, da Carta Electrónica, da melhoria nas comunicações, da existência de sensores acústicos de alarme, dos hélices laterais e de outros ganhos de operacionalidade trazidos pela evolução tecnológica, não poderá dizer-se que foram encontradas razões suficientes, nem o historial marítimo recente o aconselharia, para que se facilite ou se possa abdicar dos mesmos elementares princípios de segurança.
A história da sinistralidade marítima na nossa costa, até meados do século passado, relata com maior incidência, o estado do mar e da visibilidade, como razões genéricas para os grandes naufrágios, num tempo em que também os nossos pescadores se viam em grande dificuldade para aceder aos seus varadouros naturais, o que está bem atestado nos dramáticos ex-votos, em que a cena dominante era o homem do mar a agradecer à Sr.ª da Boa Viagem ou à Sr.ª dos Aflitos a bênção de uma súbita acalmia do tempo.
A construção de portos, como os da Nazaré, Póvoa ou Ericeira, a utilização do radar e da sonda, o incremento da previsão meteorológica e até a construção de melhores embarcações, trouxe novas condições de segurança, e por aqueles mesmos motivos a sinistralidade terá diminuído, tornando até menos intervenientes os salva-vidas das estações ISN. Paradoxalmente, e pese embora a possibilidade técnica real de uma constante monitorização de qualquer navio no mar, os acidentes tornaram-se depois mais frequentes e houve também alteração nas causas, as quais se centram agora numa excessiva aproximação das zonas de rebentação, em avarias do motor, incêndios ou alagamentos dos porões, ou então, tão só por se terem enrolado ao hélice a tralha e os restos de artes de pesca que andam à deriva no mar.
Também aquele serviço de socorro passaria a ser progressivamente desempenhado por meios navais e aéreos, com outra capacidade e outra eficiência que os modestos salva-vidas e os seus heróicos tripulantes não podiam ter, embora nem sempre o empenho e prontidão da Marinha e da Força Aérea, para a busca e salvamento, tenham vindo a ser devidamente reconhecidos.
Os mais recentes sinistros marítimos, primeiro em Portugal com uma embarcação de pesca, e depois em Itália, com um paquete de grandes dimensões, já terão sido por demais dissecados na televisão, nos jornais, nos blogues e até nas tertúlias, pelo que, embora esses incidentes estejam na génese desta intenção de dar um mero contributo de opinião ao discutido, não me deteria mais na sua análise, necessariamente superficial, ainda que não possa deixar de realçar a bizarra comparação entre um pequeno barco de pesca que se afunda no momento em que apenas o mestre estava ao leme, enquanto os outros membros da sua tripulação descansavam no porão, e um grande navio de cruzeiro, com o capitão a salvo numa balsa, a passar pela vergonha de ter de ser confrontado com o abandono do que deveria ser o seu inalienável encargo, deixando centenas de passageiros e tripulantes ao Deus dará. 
Mas há um dado concreto que não pode ser escamoteado, ainda que alguém abalizado possa afiançar que não representará qualquer risco, e mesmo que a sua abordagem possa arrastar um potencial risco de ser mal interpretada. Refiro-me a uma situação actual, em que o mar parece ter deixado de ser aliciante para grande número de europeus, portugueses incluídos, pese embora o crescente desemprego nos países tradicionalmente marítimos da União.
Dito isto, e não cuidando de encontrar aqui a razão para tal desmotivação, trata-se apenas de constatar a profusão de nacionalidades que hoje em dia se aglomera na extensa tripulação dos paquetes, nas mais variadas funções e nos mais diferentes patamares de responsabilidade, o que numa outra escala, também já vai acontecendo nas nossas embarcações de pesca.
Numa situação de sinistro e de consequente stress, em que a comunicação se torna vital ao salvamento, o qual num instante se pode extremar ao caos do «salve-se quem puder», ordens e expressões tão simples para o pessoal marítimo, como «passa a mão ao cabeço» ou «dá a volta ao chicote pelo seio», correm o risco de ser ignoradas ou até mal interpretadas.
No mar, não há traço contínuo na via, nem sinal visível de proibição de circulação ou de estacionamento, nem recomendação para evitar determinada área ou percurso; essas indicações estão nos Avisos aos Navegantes e nas Cartas de Navegação e estão sobretudo no conhecimento e no bom senso de quem foi designado para assumir funções.
Ainda que, à semelhança do controlo aéreo, já tenham sido implementados corredores de tráfego no mar, com o intuito de tornar claro o cruzamento e a aproximação aos portos, de navios de grande porte, em zonas de potencial perigo na rota (Berlengas, Roca e Sagres na nossa costa), parece ainda assim que há razões suficientes para fazer pensar que não se terá ido suficientemente longe em matéria de condicionamento dos espaços marítimos.
 Num tempo em que também a sinistralidade rodoviária tem estado na ordem do dia, e em que, para além dos consistentes códigos e até das protecções físicas nas rodovias, profundas medidas têm vindo a ser regulamentadas e postas em prática, tendo em vista a drástica redução da perda de vidas humanas e dos custos associados aos prejuízos e a uma elevada hospitalização de feridos, talvez não fosse despiciendo considerar que, aproveitando a mesma ideia de prevenção e optimização das condições de segurança, a adaptação e transição de algumas dessas precauções, do automóvel para o navio, pudesse vir a produzir alguns frutos.
E então, a ser verdade o que nos é trazido pela comunicação social em matéria de comentários sobre estes acidentes, talvez a última inspecção anual ao motor e sistema de esgoto de uma embarcação, a validade e adequação de uma habilitação náutica a um navio ou a um percurso, como também a destreza e o treino para a utilização de adequados meios de salvamento, ou por último ainda, mas sem perda de relevo, uma igual obrigação de um constante controlo no cais ou à entrada na ponte, pelo menos nos grandes navios de cruzeiro, quiçá com a utilização dos mesmos meios de detecção de álcool, a que é aleatoriamente sujeito qualquer pacato cidadão que se desloca ao volante de um automóvel, pudessem ter sido decisivos para evitar algum dos muitos acidentes que, com desusada frequência vêm hoje acontecendo no mar.
Raul Patrício Leitão, capitão-de-fragata (Ref.)
Especialização em Hidrografia (I.H.); pós-graduação em Gestão Portuária (I.S.T.)
Ex-Capitão do Porto de Cascais e ex-Presidente da Junta Autónoma dos Portos do Centro

A COMPRAR


Uma das versões do quadro "O Grito" vai ser leiloado a 2 de Maio na Sotheby's, em Nova Iorque. Expectativas apontam para que o quadro renda cerca de 60 milhões de euros. A versão que vai ser leiloada, das quatro existentes, do quadro do norueguês Edvard Munch, pertenceu durante 70 anos à família do empresário Petter Olsen.

Fonte:DN

BRAVO ZULU

Engº(e economista pré-Bolonha) , ontem na SIC.....Brilhante

E só não foi mais porque o general Loureiro dos Santos(quiçá lendo o pensamento) , maldosamente o interrompeu quando Ângelo Correia avançava para,digo eu, o "redimensionamento das FA".

Mas ele foi a 1ª pessoa que, em público , ouvi e vi explicar o fenómeno da equiparação dos juízes, diplomatas e militares há 30 anos, num Estado de direito, e a vergonha que é agora.

Magnífico.



link: http://sicnoticias.sapo.pt/1357516 (fornecido por DC 38)


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CARDEAL

 (Ecclesia) – A criação de um novo cardeal português, D. Manuel Monteiro de Castro, no Consistório deste sábado, no Vaticano, é vista como um sinal das boas relações entre Portugal e a Santa Sé por responsáveis eclesiais e políticos.
O cardeal José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, disse hoje à Agência ECCLESIA que “Portugal merece isto e muito mais”.
“Que a Igreja portuguesa seja mais representada na Cúria Romana [conjunto de organismos que auxiliam o Papa no governo da Igreja] é uma coisa muito, muito positiva”, sublinha, mostrando-se “muito contente”.
No mesmo sentido se manifestou o embaixador de Portugal junto da Santa Sé, Manuel Tomás Fernandes Pereira, para quem é uma “situação excecional” o facto de existirem três cardeais lusos na Igreja Católica.
“É um momento que me parece importante, para Portugal, o que, como se sabe, é uma decisão do Papa, demonstrando, a meu ver, uma particular simpatia, carinho, pelos portugueses”, observa.
Bento XVI preside ao Consistório público para a criação de 22 novos cardeais, que anunciou a 6 de janeiro, entre os quais se conta D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, penitenciário-mor da Santa Sé.
D. Manuel Monteiro de Castro vai juntar-se a D. José Policarpo como um dos 125 eleitores (cardeais com menos de 80 anos) do futuro Papa.
Este responsável está na Cúria Romana desde julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e secretário do Colégio Cardinalício, antes de, em janeiro, passar a ser o responsável máximo pela Penitenciaria Apostólica, um dos três tribunais da Cúria Romana.

D. Manuel Monteiro de Castro torna-se o 47.º cardeal português da história, primeiro no atual pontificado e terceiro do século XXI, após o Consistório de 2001 em que foram criados cardeais D. José Saraiva Martins e D. José Policarpo.

1º DEZEMBRO

O CDS vai apresentar, em Março, no Parlamento uma iniciativa legislativa para que o 1.º de Dezembro, data da restauração da Independência de Portugal, passe a ser assinalado com comemorações solenes. 
Os centristas pretendem que, apesar deste dia deixar de ser feriado, a data seja comemorada pelos órgãos institucionais do país. Ou seja, defendem que deve haver uma intervenção do Presidente da República nesse dia e que se realize uma cerimónia na Assembleia da República. E que também a nível local as câmaras promovam iniciativas de celebração. E que as escolas sigam também o exemplo.
Fonte próxima do líder do CDS justificou ao SOL que o partido considera «um paradoxo» que a data nunca seja comemorada.
Paulo Portas reuniu a sua Comissão Executiva na passada semana e pediu contributos às distritais, às concelhias e à Juventude Popular. 

QUANDO EU FOR GRANDE

O que eu quero ser é MFA

Ministro das Forças Armadas

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AORDO OTTUGRRAFICÃO


Jornal de Angola Online
Parte superior do formulário
Director: José Ribeiro
Director Adjunto: Filomeno Manaças

Editorial

Património em risco



http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/quote_start.gifOs ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.
Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.
Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.
Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!
Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/quote_finish.gif


A IR


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A IR

Quarta-feira, 15 de Fevereiro, às 18h00 – “As Forças Armadas num mundo em situação de anarquia”, pelo Prof. Doutor Adriano Moreira (entrada livre)


Palácio da Independência

domingo, 12 de fevereiro de 2012

FRAQUITO

Recebemos a bordo o Boletim do IASFA de Janeiro 2012.
Consta de um editorial do Presidente
1 noticia sobre a inauguração do restaurante D. Nuno
1 , longo, artigo , relatando a apresentação de D. Nuno Álvares Pereira.

and that´s all folks.  Será que não há mais nada para dizer????