sexta-feira, 18 de junho de 2010

ÁS ARMAS

COMUNICADO AOS MILITARES
Movimento Pró Saúde Militar
A Extinção de Hospitais Militares
A saúde militar é caracterizada por possuir um conjunto de serviços que se ocupam do recrutamento e selecção do pessoal, dos cuidados primários, da medicina ocupacional e operacional, dos cuidados específicos e especializados de apoio ao mergulho e ao voo e, ainda, dos cuidados diferenciados hospitalares. Toda a sua intervenção está interligada por cadeias de estabilização e manutenção da vida, e de evacuação de doentes, começando nos serviços de saúde das unidades operacionais e terminando nos hospitais militares.
A saúde militar tem, para os militares, militarizados e civis que servem o País nas Forças Armadas, os seguintes objectivos:
a selecção dos mais capazes para um serviço de exigência muito acima da média; a promoção e a manutenção da saúde do pessoal em serviço; o apoio de proximidade à actividade operacional, capaz de garantir a manutenção da vida, a estabilização e a evacuação de feridos e doentes e o seu regresso tempestivo às operações; a prevenção, o tratamento e a reabilitação na doença.
Em tempo de paz, os hospitais militares deverão ter capacidade sobrante que pode e deve ser utilizada em apoio ao SNS. Actualmente, o Hospital da Força Aérea presta apoio a doentes da ADSE e o Hospital da Marinha faculta o internamento de doentes do Hospital de Santa Maria. O que se pretende fazer é o contrário do que neste momento acontece! No futuro, os hospitais militares, eventualmente apenas um hospital militar, terão menos capacidade do que as Forças Armadas e os militares no seu conjunto necessitam. Nestas circunstâncias, mesmo em tempo de paz, serão os militares que irão recorrer a um SNS já insuficiente para as necessidades da população, em vez de manterem, no âmbito militar, capacidade sobrante para apoiar o SNS em situações excepcionais.
A extinção de hospitais militares irá reduzir a capacidade total de atendimento, fazendo com que o futuro hospital único tenha que relegar, para lista de espera ou para o SNS, os doentes fora do activo, designadamente os militares na reserva e reforma, os ex-combatentes com doenças crónicas, os deficientes das Forças Armadas e os familiares. Os mais desfavorecidos serão, como sempre, os mais atingidos por estas mudanças.
A concentração de médicos, enfermeiros e técnicos de saúde num hospital único irá cortar-lhes completamente os laços que os ligam aos Ramos das Forças Armadas, fazendo destes profissionais exactamente o contrário daquilo que se pretendeu com a sua formação em ambiente militar (nas
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academias e na Escola do Serviço de Saúde Militar). Ou seja, no futuro não teremos militares médicos e enfermeiros, que vivam a instituição militar e comunguem dos seus valores e ideais, mas antes profissionais de saúde que têm com as Forças Armadas apenas uma relação de emprego, nalguns casos até precário. Estarão estes profissionais disponíveis para acompanhar as operações, em ambiente de risco, em teatros de operações longínquos ou no mar? O que significará para eles jurar bandeira? Não estará em risco também a saúde operacional e a capacidade das Forças Armadas desempenharem as suas missões?
As operações militares têm características e exigências próprias, no limite das capacidades humanas, com consequências em muitos dos que nelas participam. São bem conhecidos os efeitos do stress pós-traumático que ocorre em situações de guerra ou em elevados níveis de violência. A saúde militar está vocacionada para o acompanhamento destas doenças que exigem tratamento continuado, que nem sequer está disponível no SNS. A remodelação que se prevê pode vir a privar deste acesso os muitos ex-combatentes que deram o seu melhor pela Pátria. Estamos a ultrapassar o limite do que é poupança para entrar no que é negligência, abandono e falta de reconhecimento por quem o merece!
A saúde militar assegura hoje um apoio especializado em áreas onde, por necessidade das operações militares, existem valências médicas que são disponibilizadas ao público e que não têm paralelo no SNS. Estão neste caso a medicina aeronáutica e a hiperbárica, responsáveis pela verificação das capacidades indispensáveis ao desempenho em segurança de profissões civis de grande utilidade e impacto social, como os pilotos de aeronaves e os mergulhadores. As consequências da descontinuidade deste serviço público são aceitáveis para o País? Afinal não são a segurança e o respeito pela vida humana as características mais marcantes das sociedades desenvolvidas?
A saúde militar, como tudo o que pertence às Forças Armadas, está debaixo de fogo por uma gula que pretende equalizar tudo, retirar todos os privilégios, privatizar em nome da eficiência. Contudo, a saúde militar não é um privilégio! É, antes de mais, uma necessidade operacional e, paradoxalmente, fica mais barata que o SNS. Qual é então o objectivo? Como e por quem irá ser gerido o futuro Hospital das Forças Armadas?
Em muitos países desenvolvidos os hospitais militares trabalham em simbiose com os hospitais civis e assumem níveis de excelência em valências específicas, que são colocadas ao dispor da sociedade. Também tem sido assim em Portugal! Não parece um contra-senso que centros de excelência dos hospitais militares possam vir a ser fechados? Assim pensarão também os portugueses que recorrem ao Hospital da Força Aérea e os que devem a sua vida aos tratamentos com oxigénio na câmara hiperbárica do Hospital da Marinha! Porquê fechar o que funciona para substituir por novas estruturas de capacidade duvidosa, ainda por cima mais caras? É fixação ou algo que ultrapassa a nossa compreensão?
Após a concentração do apoio na doença aos militares no IASFA, com o aumento da quotização individual e a diminuição acentuada da qualidade dos serviços a que sempre tivemos direito, com consequências drásticas nos reformados militares com pensões mais baixas, vêm agora tirar-nos aquilo que é mais sagrado: o direito à saúde!
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Perante esta situação, o que andam os chefes militares a fazer? Como se podem os militares rever em chefes que não os defendem? E o CEMGFA, de que lado está? Em vez de defender a saúde militar está a pagar favores por ter ficado até ao dia da reforma?
Será que ser militar, ter honra, amor à Pátria, princípios e valores, está fora de moda neste País?

Movimento Pró Saúde Militar
www.saude.militar.x10hosting.com

OLÁ

Where are you?

À OUBLIER

Que desgraça e que bem montada operação de sobrevivência política e económica (para os próprios bolsos, bien sure) que foi feita.
A verdade, e tem de se reconhecer , é que a solidariedade da esquerda é histórica e funciona. A esquerda não admite incompetentes, embora os tenha em percentil elevadíssimo.
Convenhamos que este caso é paradigmático e certamente se tornará num "case study" , como a maioria dos escândalos de sucesso .

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SOCIALITE

Antigamente falava-se do Colégio Militar na Revista da Armada, no Mais Alto, no Baluarte, no Jornal do Exercito, na Revista Militar e em meia dúzia de jornais de referencia , onde as virtudes colegiais eram louvadas e onde se espelhava a excelência do grau de ensino.
Hoje cantam-se as "janeiras" ao Primeiro Ministro , passa-se em 3 anos de um grau 30 na tabela dos melhores estabelecimentos de ensino para 267 , e apresenta-se o director nas revistas sociais a sorrir para o flash e para a socialite.
É pena .


OLÁ

Where are you?

À OUBLIER

Este não faz nada. Passeia-se por aí esperando o cargo de Embaixador para premiar os "altos feitos que fez no governo" , esquecendo as mal feitorias que fez aos militares e o papel nocivo que teve.
E gosta tanto destas coisas das continências que conseguiu colocar o seu chefe de gabinete, também diplomata, num alto cargo do ministério da defesa .Já viram algum militar, mesmo quando lhes eram atribuídos cargos de alta responsabilidade, ser director no MNE?

OLÁ

Where are you?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ÁS ARMAS

Os médicos da Armada solicitaram uma contagem de tempo de serviço individual , e estão dispostos a pedir a passagem imediata Reserva ou mesmo à Reforma , se for caso disso.
O Hospital da Marinha está novo e super operacional .
Quando o ministro da defesa lá foi em visita , além de não cumprimentar as pessoas , nomeadamente Chefes de Serviço, nem sequer ouvir explicações que lhe iam dando , preocupou-se muito a perguntar como se tirava de lá as câmaras hiperbáricas e se podia ser por guindaste.
Estou certo que admirou a magnífica paisagem dos quartos individuais e o seu bom aspecto e comodidade , a nobreza das instalações e talvez pensasse quão bem ficaria ali uma clínica privada ou uma casa de repouso de fim de vida

Á FARTAZANA

O Estado vai gastar seis milhões de euros no próximo triénio (2011-2013) com a decisão de atribuir aos enfermeiros em início de carreira um salário de €1200 em vez de €1020, segundo uma estimativa hoje avançada pelo secretário de Estado da Administração Pública.
Gonçalo Castilho, em representação do Ministério das Finanças, falava numa conferência de imprensa no Ministério da Saúde, em que a ministra Ana Jorge e o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) confirmaram que, apesar de ter havido evolução nas negociações , não houve acordo quanto à definição da tabela remuneratória dos enfermeiros, rácios dos enfermeiros principais e remuneração das chefias e direções de enfermagem.
Em contrapartida, foi assinado um anexo de entendimento quanto a príncípios relativos à avaliação de desempenho, organização e duração do tempo de trabalho, organização do tempo de enfermagem e recrutamento na carreira, que enquadram a próxima etapa negocial.

Nota:quanto ganha um aspirante? ou mesmo um Guarda-Marinha?

À OUBLIER

Não esquecer que foi este cavalheiro que tirou aos militares reformados a possibilidade de adquirir os medicamentos grátis.
Este direito ADQUIRIDO foi retirado sem qualquer explicação.....mas o dito cujo esqueceu-se de exigir ao governo de que fazia parte que o tirasse também à CARRIS, CP , CAIXA, METRO etc, etc. que são 100%
públicas

VERGONHA

Que triste figura e que desprestígio para o País , as declarações que fez sobre Didier Drogba e a sua inclusão na equipa da Costa do Marfim.
A suplesse da resposta de Erickson ainda o pôs mais de rastos.
Quem nasceu para Adjunto nunca chega a Principal (excepto cá)

terça-feira, 15 de junho de 2010

UM DESABAFO


Podiam entrevistar mais alguns milhares de jovens portugueses em idade de ter vindo da tropa, que o grosso das respostas certamente não destoaria.
Só que os jovens daquele outro tempo, a que se reportam as perguntas do entrevistador, viviam no designado obscurantismo ...
Ocorre-me isto isto a propósito do 10 de Junho e das comemorações que tiveram os antigos combatentes como cenário.
Diversos camaradas fizeram o favor de me enviar o discurso de António Barreto. Brilhante, cultivado, provavelmente sincero até quando se refere aos jovens que discordavam e em consciência desertavam (conhecemos muitos) e aos que por medo ou comodidade fugiam à guerra (não conheço nenhum), ... Pena não ter sido escrito há trinta anos, quando AB era do Governo!
Eu tinha deixado de comprar O «Expresso», um jornal de referência da minha geração, em virtude de num certo tempo, e face a uma frase infeliz do Ministro Teias (...« os incêndios talvez sejam provocados por militares que trouxeram granadas do Ultramar»), ter sido Manuel Alegre a tomar as dores dos militares e a derrama-las ali do jeito trágico- poético que só ele sabe.
Desta vez, por palpite voltei a comprar o mesmo «Pasquim de Anúncios» e fui «recompensado».
Talvez eu tenha folheado mal, mas apenas encontrei uma alusão ao Discurso de Barreto... A de ser REFRACTÁRIO!
À guerra e ao Expresso, acrescento eu.
De resto encontrei a história do menino africano roubado à mãe e trazido por um oficial fuzileiro, com todas as peripécias que hoje se lhe seguiram, o patético reencontro com o irmão, a mãe, etc.e que terminaram com um Secretário de Estado, de percurso sinuoso, a entregar-lhe o BI para a TV registar.
Pena que nenhum dos oficiais generais desse Destacamento tenha querido explicar melhor o episódio, mesmo que dele não tenham hoje grande orgulho! Ter-se-á perdido uma grande oportunidade para um Almirante reformado sair a terreno em defesa dos antigos combatentes da Marinha
A mesma oportunidade desta notícia, face às evocações do 25 de Abril e a eventuais incomodidades causadas pelos militares, já tinha tido o mesmo jornal com o triste episódio de Wyamuru? (Moçambique) e com o trocadilho do Capitão «Robby» (que passava por militar sem o ter sido), ambos sujeitos a detalhadas descrições e muitas encenações, como o alferes arrependido a ir pedir desculpa aos sobreviventes ... num outro período em que convinha pôr os militares em sentido, ou pelo menos pouco ...à vontade!
O mesmo jornal que na comemoração dos seus 25 anos, (Coliseu - 1998), distinguindo as 25 personalidades que mais se tinham distinguido em Portugal nesse período, e embora socorrendo-se de estilistas, futebolistas e locutores da rádio, entre outras personalidades civis, não conseguiu descortinar qq militar a enaltecer. Nem Ramalho Eanes!
Nada disto, em minha opinião, é por acaso!
Estive presente nas cerimónias de Pedrouços, junto ao Monumento aos que morreram pela Pátria.
Com a evocação de Oliveira e Carmo, estiveram presentes camaradas do seu curso, bem como do que o teve por patrono -OC.
No Expresso, nem uma referência.
Nada do que está a preparar-se para os Hospitais Militares e para o Museu de Marinha é descurado.
Relembro um amigo civil que muitas vezes me dizia em estilo de cumprimento: A Marinha não é a Guarda Nacional Republicana!
Embora já velhote, vou procurar saber se ainda o diz da mesma maneira, ou se pela mesma ordem.
Um abraço
Raul 
Nota: Recebi este mail , no princípio de uma madrugada deste Abril , de um bom Amigo , que por ter sido Combatente (e, por acaso , muito bom) me fazia um desabafo descontente , talvez sobre o rio seco que já é o País e do desviar o rosto dos militares.
E porque acho que ele tem razão , permito-me aqui publicar o seu texto ao correr da pena que , no fundo, é o de nós todos. 
Mas o não dizemos....




LÁ VAI ELE

Amanhã dia 16 de Junho o Ministro da Defesa Nacional entrega Prémio Defesa Nacional e Ambiente 2009, no Forte de São Julião da Barra
  O Ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva, estará presente na cerimónia de entrega do Prémio Defesa Nacional e Ambiente (PDNA) 2009, no dia 16 de Junho, pelas 18h00, no Forte de São Julião da Barra (Oeiras). A cerimónia contará também com a presença da Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Pássaro.

Na mesma ocasião será assinado um protocolo de Cooperação entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Direcção-Geral de Armamento e Infra-Estruturas de Defesa (DGAIED). Este Protocolo institui os termos de colaboração e articulação entre as duas entidades para o desenvolvimento do Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS). O EMAS é um instrumento de participação voluntária dirigido às organizações que pretendam avaliar e melhorar o seu desempenho ambiental e informar o público e outras partes interessadas sobre essas práticas.

O PDNA foi criado em 1993, por despacho conjunto dos Ministros da Defesa Nacional e do Ambiente e Recursos Naturais e tem como objectivo incentivar as boas práticas ambientais nas Forças Armadas Portuguesas, vincando, assim, as suas preocupações pela preservação dos recursos naturais do nosso país. Destina-se a galardoar a unidade, estabelecimento ou órgão das Forças Armadas que, de acordo, com os princípios da Defesa Nacional, melhor contributo preste, em Portugal, para a qualidade do ambiente, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, através da utilização eficiente dos recursos naturais, da promoção de boas práticas de gestão de ordenamento do território e da protecção e valorização do património natural a paisagístico e da biodiversidade.



Nota: Os militares, como de costume, ficam à porta

LÁ VAI ELE



 Hoje

  Apresentação do Programa Piloto do Módulo de Cidadania, Segurança e Defesa

10h00 Chegada do Ministro da Defesa Nacional (MDN), Augusto Santos Silva, à Escola Básica Integrada Marinha do Sal de Rio Maior
10h05  Sessão de apresentação do Projecto “A Minha Escola Adopta um Museu”
Anfiteatro
10h30  Assinatura do primeiro Protocolo de Candidatura ao Projecto “A Minha Escola Adopta um Museu”, o Programa Piloto do Módulo de Cidadania, Segurança e Defesa
Anfiteatro
11h00 Intervenção da Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior
11h10  Intervenção do MDN
11h30 Visita à Exposição dos trabalhos realizados durante o ano, pelos alunos da turma piloto, no Módulo curricular de Cidadania, Segurança e Defesa.

Átrio da Escola
12h00 Visita à Exposição das Oficinas de identidade nacional, segurança e defesa e direito internacional
Sala de aula
12h20 Ponto de Imprensa´( o mais importante)
12h30  Fim da Visita

Isto foi a sério. Não é para rir

segunda-feira, 14 de junho de 2010

TVI - A Minha Leitura



(José Niza)
 Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. E garanto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desse uma entrevista a chamar-me "estúpido", a primeira coisa que aconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa, independentemente de haver ou não eleições em curso.

Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já se tenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que Manuela Moura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas e comentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista que MMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lhe ter acabado com o programa.

Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para ser publicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi a gota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo, de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado dias antes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado à administração da TVI.

Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração.

É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulo jornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É uma entrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é a maior ("Eu sou a Manuela Moura Guedes"!) e que se sente perseguida por toda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidos por "ideias delirantes", de grandeza ou de perseguição).

MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que os accionistas da PRISA são "ignorantes"; considera-se "um alvo a abater"; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa de fazerem "fretes ao governo" e de serem "cobardes"; acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que "nunca fizeram a ponta de um corno na vida"; diz que o programa da RTP 2, Clube de Jornalistas, é uma "porcaria"; provoca a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira, etc.

E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal não deve ser "imparcial", "equidistante", "ponderado", ela responde: "Então metam lá uma boneca insuflável"!

Como é que a uma pessoa que assim "pensa" e assim se comporta, pode ser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamente responsável?

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer - e como sublinhou Mário Soares - esta questão não tem nada a ver com liberdade de imprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e de uma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.

Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade de imprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? É que a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seus limites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esse risco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: uma explicação totalmente clara e convincente por parte da administração da TVI, que ainda não foi dada.

Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidários de MMG e do seu marido.

- 1984. Eu era, então, administrador da RTP. Um dia a minha secretária disse-me que uma das apresentadoras tinha urgência em falar comigo: - "Venho pedir-lhe se me deixa ir para a informação, quero ser jornalista"! Perguntei-lhe se tinha algum curso de jornalismo. Não tinha. Perguntei-lhe se, ao menos, tinha alguma experiência jornalística, num jornal, numa rádio... Não tinha. "O que eu quero é ser jornalista"! Percebi que estava perante uma pessoa tão determinada quanto ignorante. E disse-lhe: "Vá falar com o director de informação; se ele a aceitar, eu passo-lhe a guia de marcha e deixo-a ir". A magricelas conseguiu. Dias depois, na primeira entrevista que fez - no caso, ao presidente do Sporting, João Rocha - a peixeirada foi tão grande que ficou de castigo e sem microfone uma data de tempo.

P.S.

A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.

E se eu soubesse o que sei hoje...