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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

JÁ NÃO É NADA MAU

Semanário "O CRIME"

O Ministério da Defesa retirou o controlo às forças armadas sobre os ordenados dos militares. Em termos práticos o que significa isto?

Almirante Vieira Matias - 


Nada, desde que o Ministério da Defesa Nacional cumpra a lei. Na altura em que fui Chefe de Estado-Maior da Armada (no período compreendido entre 1997 e 2002),o poder político e as chefias militares cumpriam a lei. Se esta medida que o ministro Aguiar Branco quer aprovar significar uma redução do pessoal burocrático que trata do processamento dos salários, isso pode ser positivo, mas é preciso que isso não sirva para habilidades políticas. Estou farto de "habilidadezinhas" para cortar vencimentos. O que é um facto é que não cortam salários aos juízes do tribunal constitucional, nem aos diplomatas, só cortam nos militares.

Como classifica as medidas tomadas por este Governo no sector da Defesa?

Foram medidas tomadas para reduzir custos, mas desligadas do objectivo que é a operacionalidade das Forças Armadas. Eu acho que o que é caro nas Forças Armadas é a falta de operacionalidade, a falta de eficácia. Isso é que caro, gasta-se dinheiro e não se tem qualquer retorno. Estou a ver coisas altamentes nefastas, como juntar estruturas sem o respeito pelas especificidades dos ramos. Tratar tudo da mesma maneira, como o Ministro tem estado a fazer, acho um disparate.
Em que sentido deve ir a reforma das forças armadas?
No sentido de rentabilizar recursos para que se consiga alcançar mais eficácia, e isso não se consegue se não houver verbas para os navios navegarem. Para haver reparações dos mesmos, e permitir ao país que tem a maior plataforma marítima da Europa continue com recursos para a fiscalizar, e garantir que ela é sua. Se isso não acontecer, virão outros com certeza tomar conta da nossa Costa.

As nossas Forças Armadas devem ser mantidas como estão?

As forças militares, pelo menos do que eu conheço da Marinha, atingiram um padrão muito elevado, que agora receio esteja a ser destruído. Sobre os outros ramos não falo, mas sobre a Marinha conseguimos obter um padrão de qualidade ao nível dos melhores da Europa. Agora se é para destruir isso, vejo com grande amargura, porque demorou dezenas de anos a construir. E vejo com grande amargura que um militar tenha que estar sempre preparado para ir para qualquer missão, trabalhar as horas que for necessário, e essa condição não estar a ser considerada. Estão a aproveitar-se da incapacidade constitucional de os militares usarem da sua liberdade de expressão ou reunião, para humilhar a instituição militar.

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