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sábado, 29 de março de 2014

O NAUFRÁGIO do BOLAMA




4 de Dezembro de 1991

O senhor Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no comentário político feito no domingo 23 de Março de 2014 , na parte em que divulga obras literárias, referiu-se à novidade de haver um livro recente sobre “ O Mistério do Bolama—ACIDENTE ou SABOTAGEM” da autoria de Jorge Almeida da  “Gradiva”. ( ver fig 2).
O signatário foi ler o livro e ficou surpreendido por ser prácticamente o mesmo texto editado pelo mesmo autor em  2007 pela Primebooks em Fevereiro de 2007. ( ver fig 1)
Sobre o que é divulgado nos dois livros o signatário nada tem a comentar, mas já agora e porque pode vir a haver uma nova edição sugiro melhorar/ precisar   o descrito no Cap III ou 3,  com uma adaptação pelo autor ao que a seguir se detalha:
O desaparecimento ocorreu a 4 de dezembro de 1991. Nos 4 dias anteriores e 15 dias seguintes o vento na nossa costa foi quase sempre dos sectores LESTE e  SUESTE
Conforme  imagem publicada  pelo “ Expresso” em 11 de Janeiro de 1992,  o corpo do Guineense Isaias Bailó, natural de Bolama, apanhado pelo pesqueiro Estarola a 10 de Janeiro, foi colocado na posição 1, porque o Mestre deste pesqueiro , descreveu ao signatário o percurso seguido desde o Cabo da Roca até ter levantado a rede. Este infeliz guineense tinha no pulso um relógio analógico que marcava quase uma hora e pelo estado dos olhos e outras partes do corpo,  evidenciava que tinha estado os 37 dias à deriva no fundo e sido atacado por animais marinhos tipo caranguejos. Mais tarde, cerca de 4/5 dias depois, o Instituto de Medicina Legal, que reportava à Polícia Marítima e que por sua vez reportava ao signatário informou que o corpo tinha o estômago sem indícios de ter almoçado, o que permitiu deduzir que o naufrágio teria ocorrido repentinamente à uma da tarde.
Esta conjectura, associada ao conhecimento da deriva da corrente perto do fundo junto da Bóia de Espera ( somatório vectorial da forte corrente da cunha salina de vazante  e enchente provocada pela maré no estuário do Tejo) ,  que baliza a entrada da Barra Sul de acesso ao Porto de Lisboa, medida por correntógrafos fundeados 2 anos antes do desaparecimento do navio, pela Divisão de Oceanografia do Instituto Hidrográfico , e que é para NW e da ordem de 1cm/s, ( ao invés da corrente perto da  superfície), permitiu avançar para uma nova área de busca a Sonar Lateral sobre a batimétrica dos 120 m, com inicio perto da Boia de Espera, pois as 888 horas de deriva dum corpo inerte junto do fundo, assim obrigava o senso comum a ter em consideração.
Devido ao estado do mar e à necessidade de instalar o sistema de posicionamento Trisponder nos Faróis do Bugio, Cabo da Roca e Cabo Espichel, esta nova missão de busca só foi possível ter inicio a 3 de Fevereiro de 1992 pelo NRP Auriga.
Conforme está descrito no livro , Cap III, o aparecimento do eco muito forte obtido pelo sonar lateral é  reconfirmado pelo navio com vários rumos cruzados e determinada  a sua posição rigorosa com 3 linhas de posição e com  erro menor que 2 metros, ( a 116 m de profundidade) pelo NRP Auriga, que  recebe instruções do IH,  para regressar à Doca da Marinha para embarcar o Sistema de Visualização com Operação Remota ( acrónimo  ROV em inglês) cujo cabo de manobra “ umbilical” só tinha 200 metros.
Esta realidade levou a preparar no IH um sistema de amarração com 3 espias de 350 metros a fundear com POITAS feitas com Bidons cheias de Betão que só ficaram prontas cerca das 4 da manhã do dia 5 de Fevereiro, de modo a fundear a Auriga na vertical do Eco obtido a Sonar lateral., numa zona da nossa costa com muito forte corrente de maé. O NRP Auriga saiu da Doca da Marinha pelas 9h e entre as 1030 e as 1400 andou-se em manobras para fundear as poitas e colocar o navio na vertical do referido eco.
ÁS  05 Fev 14 41 12 de  1992 identificou-se o eco com a imagem da capa dos referidos livros –BOLAMA.

Cascais 29 de Março de 2014
José Luís Gonçalves Cardoso
CAlm EHO ref
( Ex- Chefe da Divisão de Oceanografia Física do Instituto Hidrográfico e nomeado por ordem superior como o Coordenador de toda a informação que permitisse descobrir o DESAPARECIMENTO do BOLAMA

Nota:Excelente trabalho do Senhor Almirante Gonçalves Cardoso e os nossos penhorados agradecimentos

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

QUEREM LER?

Gorduras saturadas


por Jorge Silva Paulo, Capitão de mar e guerra (reserva)



As despesas públicas são as receitas de alguém" - é fácil de perceber e mostrar. Porém, quando se fala em cortar as "gorduras do Estado" a expectativa de tantos portugueses é de que se "corte a outros". O que coincide com a conclusão empírica de que os portugueses se empenham em defender - sobretudo em público e para os media em especial - uma imagem de altruísmo e com expressões, naquele momento, bem-sonantes ou politicamente corretas; mas que evitam, na prática, os custos das boas intenções declaradas. Acresce que ao reagirem negativamente a expressões públicas que não são bem-sonantes ("porque não dão esperança"...), ainda que verdadeiras, passam a mensagem aos políticos de que preferem as ilusões às realidades; e quem concorre a eleições percebe bem isto, como está à vista, também, nas ordens profissionais.
O recente episódio das viaturas para o Grupo Parlamentar do PS parece revelar que a sociedade portuguesa sofre de uma "septicemia", mas devida à "bactéria" chamada "dualismus interesseirus".
Notei que, entre tantos que criticaram Francisco Assis e Carlos Zorrinho, estavam numerosos servidores do Estado que usufruem ou usufruíram de viaturas do Estado atribuídas a dirigentes (viaturas pessoais) e de dotações para representação. Não foi por acaso que a palavra que Camões escolheu para concluir Os Lusíadas foi "inveja"; mas ninguém se considera invejoso nem dualista.
Não estou a desculpar os políticos. Mas, abreviando, muitos servidores do Estado têm viaturas pessoais, que demasiadas vezes usam para fins privados. As coisas não devem ter mudado muito desde que constatei que alguns dirigentes responsáveis pela gestão das frotas de viaturas de organismos do Estado tinham mais trabalho a gerir as viaturas pessoais do que as viaturas decisivas para os resultados dos respetivos organismos. O que justifica que os contribuintes paguem viaturas, por vezes com condutores, que transportam diariamente dirigentes da administração pública entre a casa e o local de trabalho? Há situações de urgência que poderão justificar; mas... todos os dias?
Por outro lado, bem me recordo como, em 2009 e 2010, já em período de crise, houve uma reforma das dotações para representação pessoal. Muitos dirigentes encaram estas dotações como um símbolo de poder e apoio à remuneração mensal, que alguns atribuem às relativamente baixas remunerações dos dirigentes no Estado (em média, tão ou mais qualificados do que no sector privado); fala-se em instrumentos de motivação (até por serem sinais exteriores de poder), que os governos admitem, para conseguirem que estes servidores do Estado não boicotem a informação para, e a execução de, decisões políticas. Estas benesses acabaram por se tornar nos "tesouros" por que muitos servidores do Estado anseiam nas suas carreiras: "Agora é a minha vez!" Eis um exemplo de como as despesas públicas são receitas de alguém, sem ser claro que sirvam o interesse público.
É difícil justificar este tipo de despesas - exceto por quem usufrui delas. É difícil justificar que os governos não as eliminem ou reduzam muito. Mas também é difícil entender por que razão: um, os media não fazem um escrutínio sério e profundo das despesas da administração pública; dois, os media não revelam as dualidades dos cidadãos face às despesas públicas; e três, os cidadãos não exigem cortes concretos em despesas públicas que servem acima de tudo os servidores do Estado.
Claro que se já o tivessem feito, significava que havia um controlo das despesas públicas pelos cidadãos, e que estes se preocupariam com os seus impostos mais do que extrair o que podem do Estado - e Portugal não teria chegado perto da bancarrota. E regressamos ao princípio: todos defendem cortes na despesa pública, mas todos se opõem a cortes em sectores concretos, porque beneficiam dela e não querem deixar de beneficiar. Há unanimidade na intenção, e bloqueio à ação. Está à vista, mas poucos querem ver.