Mostrar mensagens com a etiqueta colegio militar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta colegio militar. Mostrar todas as mensagens

sábado, 17 de janeiro de 2015

ÁS ARMAS


A propósito da ida do MDN ao Colégio Militar

 

A obra lamentável do MDN no Colégio Militar O MDN esteve em 15 de Janeiro no Colégio Militar a visitar a sua obra lamentável. Está a destruir o Instituto de Odivelas, estabelecimento com o melhor desempenho académico no concelho de Odivelas, conseguiu diminuir o número de alunos no conjunto CM+IO (a partir do 2º ciclo do ensino básico) e continua a conseguir esbanjar recursos na construção de um novo edifício, sem que se conheça a fundamentação da sua necessidade.

Obra seria exigir sustentabilidade financeira e resultados concretos na gestão de bons estabelecimentos e bem equipados.

Obra seria alargar a mais alunas a oferta educativa de excelência do Instituto de Odivelas.

Obra seria valorizar e investir no património existente e subaproveitado do Colégio Militar.

Obra seria assegurar a preservação do carácter único do Colégio Militar, fortemente ameaçado por processos de mudança impostos sem planeamento e preparação.

Obra seria exigir resultados em termos de desempenho académico.

Obra seria desenvolver o papel estratégico do Colégio Militar nos importantes espaços das Forças Armadas, da Cidadania e da Lusofonia.

Obra seria aproveitar o apoio de quem conhece o Colégio Militar e pretende a sua modernização, em vez apostar na ignorância e no autismo como sustento da determinação.

Acreditamos que o Colégio Militar irá sobreviver porque o Exército deverá e saberá conter os danos desta governação lamentável e temporária do MDN.

E continuam por explicar os verdadeiros objetivos do MDN!

 

A Direcção da AAACM

domingo, 14 de dezembro de 2014

INENARRAVEL

COMUNICADO SOBRE AS DECLARAÇÕES DA PROCURADORA GERAL DA REPÚBLICA AO JORNAL “PÚBLICO” DE 13 DE DEZEMBRO DE 2014

A Senhora Procuradora Geral da República (PGR) declarou ao PÚBLICO que o “surgimento” de crimes é mais provável em instituições “opacas” como as escolas militares, que a organização destas instituições constitui “um obstáculo ao controlo da comunidade” e que “infelizmente, nestes espaços é mais fácil ocorrerem factos suscetíveis de constituir crime”. Sobre esta matéria a PGR ressalvou também que não comenta casos concretos.
Neste contexto, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar vem repudiar as declarações da Senhora Procuradora Geral da República, pelas seguintes razões:
1) Embora afirmando não comentar casos concretos, as declarações da PGR constituem um anátema sobre as escolas militares, em geral, que é obviamente lesivo do seu bom nome, denigre sem fundamento a educação cívica e militar nelas ministrada e é susceptível de alarmar, injustificadamente, os encarregados de educação de centenas de jovens que as frequentam. O cargo que ocupa exigir-lhe-ia, pois, muito maior recato ao pronunciar-se sobre o funcionamento de escolas que, claramente, revela desconhecer.
2) Não existe nenhuma evidência que no Colégio Militar exista um ambiente que favoreça o “crime”, sendo esta uma afirmação contrariada pelos factos. Pelo contrário, trata-se de uma instituição cujos regulamentos e práticas geram um ambiente seguro e disciplinado, contrariamente ao que infelizmente se passa em muitas escolas do país.
3) A Senhora Procuradora Geral da República generaliza casos pontuais, que são e sempre foram tratados no âmbito dos regulamentos internos do Colégio Militar, como é desejável que aconteça. Quando generaliza, a PGR não está a tratar de crimes em concreto, mas a fazer uma apreciação que tem tanto de subjetiva como de inadequada.
4) O Colégio Militar não é opaco, sendo tão transparente quanto o são outras instituições que não comunicam em contínuo, vinte e quatro horas por dia, tudo o que nelas ocorre. O Colégio Militar não é menos transparente do que, por exemplo, a Procuradoria Geral da República.
5) A Senhora Procuradora Geral da República pretende evitar e reprimir a violência nas escolas, ação importantíssima que, no limite, também lhe compete. Porém, prejudicar a imagem do Colégio Militar, ainda que inadvertidamente, onde essa violência é e sempre foi transparentemente controlada, não contribui em nada para esse objetivo.
Lisboa, Luz, 13 de Dezembro de 2014
Direção da AAACM

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ZACATRAZ


Discurso proferido pelo Aluno Comandante do Batalhão, Francisco Cordeiro de Araújo (591/2007), nos claustros, na cerimónia de abertura solene das aulas a 17 de Outubro de 2014
Vossa excelência  General Chefe de Estado Maior do Exército,Ex. mos.  Oficiais Generais,
Ex. mo. Coronel Tirocinado, Director do Colégio Militar,
Oficiais, Docentes, Sargentos, Praças e Funcionários Civis,
Ex. mos. Convidados,
Pais e Encarregados de Educação,
Camaradas Antigos Alunos,
Camaradas Alunos

Eis-me hoje aqui, como graduado, nas funções de Comandante de Batalhão, aqui nestes nossos ilustres Claustros, a discursar perante esta insigne audiência na Abertura Solene do Colégio Militar.
Este facto, que naturalmente me enche de orgulho, serve, acima de tudo, para sublinhar um especial agradecimento a todos aqueles que, de forma bastante empenhada, nos apoiaram, a mim e ao meu curso, para que hoje aqui pudéssemos estar, nesta última e, porventura, a mais importante etapa do nosso percurso colegial.
A todos esses, reconhecidamente deixamos um encarecido muito obrigado, pelo trabalho, mas também pela confiança que em nós depositaram.
Quando, há sete anos atrás, entrei nesta tão nobre casa, estava longe de me imaginar no desempenho desta função e num colégio tão diferente. Incontestavelmente, o colégio de hoje é muito diferente do de então. 
Julgo que já ninguém tem dúvidas de que vivemos num período de profunda mudança, provavelmente a maior, por que o colégio passou, na sua já longa existência, e quiçá no seu futuro.
Contudo, se me fosse dada a oportunidade de escolher o momento para ser graduado, não tenho dúvidas de que escolheria o presente momento. É um grande privilégio estar na linha da frente numa altura que será decisiva para a continuidade desta nossa tão amada casa. Certamente que seremos todos nós, e repito, TODOS nós, que, com a nossa entrega de corpo e alma, decidiremos o futuro do Colégio Militar enquanto instituição fiel aos seus pilares base.
Cabe-nos a todos honrar os que passaram por estes egrégios claustros cheios de história e tradição. É também nossa especial missão imortalizar o sonho do homem visionário, que da lei da morte se libertou pela sua sabedoria e bravura, e que, com a sua obra, garantiu que muitos meninos, ao longo dos anos, se tornassem, para além de Homens, verdadeiros Meninos da Luz.
O Colégio Militar vive atualmente um período de grande mudança. Uma mudança que nos foi imposta, no conteúdo e também no calendário, e que não acautelou a particular sensibilidade que deve orientar as alterações numa instituição como esta.
No entanto, e como o colégio tão bem nos ensina, devemos assumir que também nós fomos a tinta que determinou esta mudança.
Fomos nós, como Alunos, que ao não nos mobilizarmos para que dedicássemos à nossa formação todo o nosso esforço e inteligência, deixámos que se propagasse um aproveitamento escolar inadmissível para uma casa como esta, e de que os rankings, pontualmente, nos foram dando sinal. Fomos também nós, como Professores, que permitimos que alguns, que se julgam de lugar garantido, não se empenhassem na docência como este colégio merece e deve exigir. Fomos igualmente nós, como Oficiais, que deixámos que o serviço no colégio fosse visto como um prejuízo na carreira, e não como algo de prestigiante e gratificante. Fomos ainda nós que, como funcionários desta casa, esquecemos o espírito e a dedicação características dos antigos fâmulos, passando a regular a nossa atividade por interesses essencialmente pessoais. Fomos nós, como Encarregados de Educação, que quisemos um colégio à medida do nosso educando, não aceitando as virtudes de um projecto educativo com provas dadas. Por fim, fomos também nós, como Antigos Alunos, que fora destas quatros paredes nem sempre afirmámos o que cá dentro se aprende, não ambicionando um contributo nas mais diversas áreas da intervenção humana, esquecendo, por vezes, que esta barretina se traz no coração, e não somente na lapela.
Fomos, pois, todos nós que, de uma forma ou de outra,  entregámos o futuro do nosso Colégio à decisão de quem não o conhece.
A restruturação foi-nos, pois, imposta, mas agora TODOS devemos ser parte ativa e integrante da luta pela preservação institucional deste Colégio.
Aceitemos, pois, que hoje, como sempre o futuro não é garantido  pelo passado, mas irá depender, em grande medida, das nossas ações do presente.
Como sabemos, todo o processo de mudança já leva um ano. Por isso, é meu justo dever congratular não aqueles que o aceitaram de uma forma passiva, mas em especial todos aqueles que, em prol do futuro do Colégio, e muitas vezes pondo de lado algumas das suas convicções, não desistiram desta nossa. Assumindo como desafios o que outros veriam como problemas.

Pais, Encarregados de Educação e demais familiares, alegra-me saber que confiam no Projeto Educativo do Colégio Militar e, desde já, vos felicito pela coragem da vossa escolha que, embora poucos tomem, ainda menos se arrependem de a ter tomado. O Colégio complementará a formação dos seus alunos; no entanto, é da vossa competência e responsabilidade a educação dos vossos educandos. Acompanhem o seu percurso, apoiem e ajudem os vossos filhos, ambicionem e exijam mais deles. Sendo o colégio  uma segunda família, é importante uma relação de cooperação e empenhamento conjuntos, para que a educação dos vossos educandos não fique comprometida.
Professores, vós sois uma parte fundamental na continuidade deste Colégio, numa altura em que se questiona o aproveitamento escolar dos alunos: para além de exigência, pedimos-vos profundo envolvimento. Empenhem-se e exijam empenho; só assim a vossa função e o esforço serão inequivocamente retribuídos pelas gerações que aqui voltarão. Estamos certos que com o vosso espírito de missão e de sacrifício, conseguiremos inverter o ciclo menos positivo que, infelizmente, o colégio tem vindo experienciar relativamente aos nossos resultados escolares. Por isso, sublinho as palavras de William Arthur Ward, que tantos de nós reconhecem; “O professor medíocre descreve, o bom professor explica, o professor superior demonstra e o grande professor inspira.
Militares, a história desta casa está pejada de inúmeras expressões das virtudes militares, nomeadamente a coragem, a lealdade, a honra, a camaradagem, o espírito de servir e o amor à Pátria. Peço-vos que, com a vossa conduta e empenho, luteis para que estes continuem a ser os valores de orientação da vivência colegial. Só assim conseguireis prestar um verdadeiro serviço militar à Nação.

Demais servidores desta nossa Casa, os vossos antecessores são parte incontornável da história do Colégio; por isso vos peço que não sucumbais perante a tarefa de contribuir para um Colégio melhor.
 Novos alunos, futuros ratas, estais formados pela primeira vez em frente a todo o Batalhão Colegial, o qual em breve e solenemente ireis integrar. Por estes centenários claustros passaram gerações e gerações de alunos que enfrentaram as adversidades que vós ides ultrapassar. No início, muitas serão as lágrimas derramadas, mas estou certo de que no fim serão muitas mais, natural fruto do orgulho de finalizar um amado percurso que agora se inicia. Aqui aprenderão o significado das palavras Camaradagem, União, Esforço, Dedicação,  Altruísmo e Abnegação, palavras essas que vos guiarão não só no vosso percurso colegial, mas serão parte da formação que vos norteará ao longo das vossas vidas. Nesta casa, a força  de todos reside no empenho de cada um, e a alma de cada um alimenta o espirito de todos. Sereis “ Um Por Todos, Todos Por Um”.
Hoje ainda só Turistas, amanhã, verdadeiros Meninos da Luz prontos a honrar a Casa que vos fez crescer.
Uma palavra especial às alunas que vieram do Instituo de Odivelas. É com um enorme pesar que vemos desalentar uma instituição que sempre esteve ligada ao Colégio. Por tudo isto, e porque esta é, agora, a Casa de todos nós, peço-vos o vosso empenho na afirmação deste nosso Projeto Educativo.
Graduados, o nosso trabalho estará para sempre ligado ao futuro do Colégio. Pela positiva ou pela negativa, seremos sempre parte integrante da sua história. Enfrentaremos dificuldades que, provavelmente, nunca outros Graduados enfrentaram.
Anime-nos, no entanto, uma frase de outras forças especiais, “se fosse fácil estariam cá outros”. Tenho plena confiança de que estareis à altura das inúmeras barreiras que iremos ter de ultrapassar.
Sinto um verdadeiro privilégio por integrar esta equipa. Sois aqueles que comigo sorriram nos bons momentos, e nos tempos difíceis me ampararam e alentaram, para que junto triunfássemos.
Por último, uma palavra com particular emoção, a todo o Batalhão Colegial: sois vós a verdadeira essência desta casa, em todos nós reside a esperança de um futuro à altura dos nossos pergaminhos. É tempo de refletirmos sobre as nossas atitudes e querermos ser, mais do que nunca, verdadeiros Homens de valor. Ser aluno do colégio é primar pela excelência, independentemente do género ou do regime de frequência; compete-nos a todos dignificar a farda que envergamos. Só o nosso esforço conjunto ditará a justa perenidade desta casa.
Termino, citando um grande líder que mudou a história da humanidade. Nelson Mandela, em tempos, disse que “A grande glória não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos cada vez que caímos”. O Colégio, nos seus mais de duzentos anos, deparou-se com guerras, crises, mudanças de regime, novas constituições; foi posto em causa, mudou, mas nunca tombou. Será, sem dúvida,  pretensioso afirmar que algo ou alguém lhe porá fim.
Por isso, devemo-nos unir para divisarmos, pelo menos, mais dois séculos de Glória Colegial. Uma certeza tenho “ Se o espirito vive, a chama perdura”
Ao nosso tão amado Colégio, um forte Zacatraz,
Bem Hajam.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O QUE SE PASSOU?

 O 196/2006 Nuno Raposo, Comandante do Batalhão Colegial não foi o escolhido , este ano, para vencedor do Prémio do Fundador Marechal Teixeira Rebelo.
Estranho. A razão apresentada(?) foi por ter tido uma punição (!), apesar do comportamento geral acabar por sair BOM.
Ganhou o prémio outro Aluno, excelente por certo, mas não tão bom como o Nuno Raposo.Todos o dizem.
Mas houve um aluno, também finalista e Comandante de uma das Companhias, por sinal neto de um distinto Oficial general da nossa Armada, que por este facto se recusou a receber 2 medalhas de ouro a que tinha direito e escreveu uma carta explicativa ao Director do Colégio.
Grande coragem e mostra de que temos Homem para o futuro.

Mas não será fácil adivinhar que o Comandante do batalhão não ganhou o prémio em questão unicamente por razões políticas, depois dos discursos públicos que proferiu, aqui publicados. Resta saber se o castigo foi por iniciativa do Director do Colégio ou se vieram-de-cima ordens para tal.

Gostaríamos de saber isso, assim como gostaríamos de publicar a carta do Comandante da 1ª

HÁ QUEM GOSTE

Com a devida vénia


"Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade.
A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona. E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre Colégio Militar.
Devo declarar que não frequentei o Colégio, embora com pena minha, porque o meu Pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no Colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro. Não tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram.
As recentes notícias dão uma ideia do Colégio como uma escola de sevícias e de maus tratos. Problemas de maus tratos em escolas sempre existiram e devem ser combatidos com determinação pelas autoridades da escola em causa, mas não faz da escola uma instituição a fechar. Lembro-me bem de, há uns anos na minha Faculdade, terem ocorrido praxes indignas das nossas caloiras e imediatamente o Director de então tomou medidas para que tal não voltasse a acontecer. E não aconteceu. O CM não é excepção, mas o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa com uma longa tradição de serviço ao País.
Recordo, com alguma tristeza, que uma das "regalias" de um militar morto em combate em África era os filhos terem educação gratuita no CM. Por esse facto e por as pensões de sobrevivência serem, à época, absolutamente miseráveis (recordo-me de casos concretos), havia sempre vários órfãos no Colégio. Fazia parte das obrigações dos graduados (ou seja, alunos finalistas do CM) terem não só uns ratas (alunos caloiros) como seus protegidos mas também cuidarem dos dramas de algum aluno cujo pai tivesse morrido. Quem conhece ex-alunos do Colégio sabe que têm uma organização e uma coesão ímpar em qualquer outra escola. Falam do Colégio com saudade e têm um respeito pela instituição como ninguém tem da sua escola. Nela se fizeram amizades que perduram para toda a vida e alguns dos meus melhores amigos são ex-alunos do CM e devo confessar que são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade.
O Colégio Militar dá educação em sentido pleno do termo. Tem um ensino de excelente qualidade e dá quadros de valores que nenhuma outra escola garante.
Em 1975, numa acção de dinamização organizada para os alunos do Colégio por gente afecta ao PCP -Varela Gomes, Faria Paulino e outros- começaram a atacar a instituição e a apelidarem os alunos de príncipes privilegiados. Um aluno dos mais novos, ou seja com uns 11 anos, levanta-se e calmamente diz que é filho de um oficial que morreu em combate, que se não fosse o Colégio não poderia estudar e não percebia onde estava o príncipe. Os protesto generalizaram-se (teve lugar uma gigantesca boiada, usando a terminologia do CM) e a comissão de dinamização foi forçada a sair pela porta dos fâmulos -porta de serviço- e não pela porta principal. Foi o enxovalho total, apesar de os oficiais tentarem, em vão, acalmar os alunos. É gente de fibra.
Aliás sempre foi assim. Faz parte da sua história mais antiga que quando teve lugar o atentado a Sidónio Pais gerou-se, naturalmente, o pânico entre a população e as unidades militares ajudaram à turbamulta. A única unidade que manteve a calma, ajudou a população e evitou mais mortos foi exactamente uma unidade do Colégio. Portanto, a tradição vem de longe.
O ensino tem uma qualidade excepcional e que não é possível sem um internato, onde os laboratórios de línguas e as salas de estudo estão ao lado do picadeiro e da sala de esgrima. Qualquer pai, cá fora, que tente dar a mesma formação passaria o tempo a servir de motorista do filho. É, aliás, uma tradição muito antiga dos melhores colégios ingleses.
Como professor na universidade, sempre que tenho conhecimento de que um aluno meu veio do CM, posso testemunhar o aprumo, o à vontade, a auto-confiança e o profissionalismo com que está numa aula. Tudo isto, em flagrante contraste com os colegas, especialmente os mais betinhos.
Além disso, como os alunos são tratados por igual, têm um número (que vem antes do nome), andam vestidos com farda e os filhos de pais ricos não se distinguem dos filhos de pais pobres. Também por isso, o convívio democrático hierarquizado é a regra. Ainda bem.
O contraste é gritante com o que se passa nas nossas escolas. E a anarquia, quase geral em que vive o ensino secundário, tem horror ao Colégio Militar, obviamente. Aliás, a verdade é mais funda: a anarquia quase geral da nossa sociedade tem horror à instituição militar. Uma instituição organizada, como a militar, que cultiva os valores da honra, da camaradagem, da disciplina e do dever para com a pátria, não pode ser bem vista pela sociedade actual. A nossa vida colectiva -a civil- privilegia o oportunismo, habituou-se aos casos de corrupção (com ou sem fundamento), tem uma imprensa virada para o escândalo e uma televisão com novelas que são difusoras da falta valores e da ausência dos bons costumes.
O Colégio Militar poderá acabar mas as razões estão na nossa sociedade e não dentro dos muros do Colégio. O horror à decência é dos indecentes."
Luís Campos e Cunha
Professor universitário



domingo, 12 de outubro de 2014

BOA COISA

Para os associados da AAACM

Protocolo AAACM-MGEN para Seguros de Saúde

A AAACM estabeleceu com João Mata Corrector de Seguros e a MGEN* um Protocolo que permite a adesão a seguros de saúde mutualistas com condições muito particulares no mercado, contendo os seguintes factores diferenciadores:
a) Sem limites de idade na adesão ou na permanência
b) Sem questionário médico ou selecção clínica
c) Sem exclusões de doença, nomeadamente pré-existências
d) Sem exclusões de doenças graves
e) Sem resolução unilateral do contrato
f) Carências reduzidas
Tanto os planos como as condições e formulários de adesão para os Associados estão disponíveis para consulta na Sede da AAACM, devendo para o efeito contactar o Sr. Leonel Tomaz através dos números de telefone actualmente disponíveis ou então por mail para leonel@aaacm.pt. Também é possível entrar directamente em contacto com João Mata Corrector Seguros, pois o nosso Camarada António Duque (12/1958) e restante equipa prestarão todo o apoio na adesão e acompanhamento posterior (antonioduque@joaomata.pt). A título de síntese existem vários planos, desde o mais simples até ao complementar, sendo aceites os Associados de pleno efeito da AAACM e respectivos membros do agregado familiar.
A inclusão do agregado familiar deve ser feita para todos os membros (cônjuge, filhos dependentes e ascendentes dependentes). A dependência de filhos maiores de 25 anos ou de ascendentes comprova-se através das declarações de IRS.
A MGEN utiliza a Rede AdvanceCare para toda a gestão clínica das apólices. 

domingo, 5 de outubro de 2014

A IR

Cerimónia de Abertura do Ano Solene - 17 de Outubro de 2014

Decorrerá no Colégio Militar na tarde do dia 17 de outubro de 2014 com início previsto pelas 14H30, a Cerimónia da Abertura Solene do Ano Letivo.
Programa Geral provisório:
CERIMÓNIA MILITAR
08H00 Fachada Principal - Içar da Bandeira Nacional
14H30 Fachada Principal - Entrada dos convidados e assistência em geral
14H55 Parada do Corpo de Alunos - Guarda de Honra pronta
15H00 Parada do Corpo de Alunos - Chegada da Alta Entidade (AE) que preside à cerimónia
15H20 Claustros - Formatura do Batalhão Colegial pronta
16H00 Parada Nova - Desfile do Batalhão Colegial
Visita da Alta Entidade ao Museu de História NaturalHora Local Atividade

CERIMÓNIA ACADÉMICA
16H30 Ginásio- Início da sessão solene
Alocução pelo Exmo. Diretor do CM
Lição inaugural, pela Dr.ª Susana Pereira, subordinada ao tema: “O Português, uma Língua no Mundo e do Mundo”
Entrega de prémios aos alunos referentes ao ano lectivo 13/14
Entrega de diplomas aos alunos finalistas do ano lectivo 13/14
18H00 Fachada Principal - Arriar da Bandeira Nacional
19H00 Final da cerimónia (Previsão)


Nota: Mudam-se os tempos......Agora já nem se sabe quem vai presidir. É (ou será!!) uma AE (alta entidade)....De chorar a rir
Espero não ser o hifen

sábado, 4 de outubro de 2014

ÁS ARMAS

Amanha , 5 de Outubro, realiza-se a tradicional Festa da marmelada, em Odivelas.
A SIC, naquelas suas "fantásticas tardes de Domingo", vai estar a filmar em directo a patuscada.
Só que a Associação das Antigas Alunas, e as próprias Alunas, também vão estar lá e, p+or volta das 1500 horas vão lançar balões com as cores do Instituto, lançar o seu famoso grito de guerra e cantar o maravilhoso hino.
O ministro aguiar hifen branco, ficará com as orelhas vermelhas, já para não falar na D.Bertha
A não perder , directamente ou na SIC

quarta-feira, 16 de julho de 2014

PARABÉNS

"No passado dia 27 de junho de 2014 foi atribuído pela Academia do Bacalhau de Lisboa, o prémio de melhor aluna de Português no ano letivo de 2013/2014 à aluna do Instituto de Odivelas (IO) Mariana Pais, do 12.º ano. Aquela organização decidiu escolher o IO e o Colégio Militar para atribuir o prémio de melhor aluno do 12.º ano na disciplina de Português.
O prémio foi entregue no Jantar Camoniano 2014 e por ocasião comemoração dos 800 anos do documento mais antigo escrito em língua portuguesa: o Testamento do rei D. Afonso II, datado de 27 de junho de 1214.
Estiveram presentes a acompanhar a aluna Mariana Pais, a Coordenadora Pedagógica do IO, Professora Maria de Lourdes Loureiro, a Professora de Português, Maria Manuel Rosa e os Pais da Aluna.
A aluna está de parabéns por mais um prémio que junta a muitos outros que obteve ao longo do seu excelente percurso escolar no IO."
Nota: A D. Bertha, quando souber disto até se morde......

terça-feira, 15 de julho de 2014

ORA TOMA

Parece que uma Juiza está a perturbar alguns planos maléficos deste habitante , nomeadamente dando razão à "providência cautelar" imposta pela Associação das Antigas Alunas de Odivelas contra o fecho daquele Instituto secular.
É claro que ainda há recurso, mas para já parece que houve desleixo nos prazos.

É preciso , realmente, louvar esta Associação , que não tem parado, sem nada temer, em defesa do seu Colégio

Nota em tempo: Segundo informação , em comentário, muito credível , pedimos desculpa à AAAIO e felicitamos as Antigas Alunas que "pegaram" neste delicado e tão importante problema

segunda-feira, 14 de julho de 2014

COURAGE

L’ Instituto de Odivelas à la Fête Nationale du 14 juillet - prise de la Bastille
Aux célébrations de ce 14 juillet de 2014, la Secrétaire d’Etat de la Défense du Portugal sera accompagnée par deux élèves de l’Instituto de Odivelas. Il s’agit d’une initiative opportuniste et hypocrite comme on remarquera ci-après.
L’Instituto de Odivelas est une école militaire qui accueille des filles de militaires et civiles. Il a été fondé en 1900 par le roi D. Carlos I en vue de garantir l’accès à l’éducation et à l’indépendance économique aux orphelines des officiers. C’est donc une institution pareille à la Maison d´Éducation de la Légion d´Honneur, fondée en 1805 par Napoléon Bonaparte, pour accueillir et éduquer les orphelines des officiers.
L’ Instituto de Odivelas est aussi la seule école publique portugaise ayant un pensionnat.
L’Institut a été distingué par l’excellence de son enseignement avec deux des plus hautes décorations de l’État Portugais : la Médaille Honorifique de la Croix de Avis et la Médaille Honorifique de Santiago da Espada.
Étant des écoles–sœurs, toutes les deux installées dans des monastères dévoués à Saint Denis, l’Instituto de Odivelas et la Maison d´Éducation de la Légion d´Honneur poursuivent depuis longtemps à un échange scolaire qui permet aux élèves de chaque école de participer pendant 2 semaines au quotidien du pensionnat de l’école-sœur.
Cependant et par décision unilatérale du ministre de la Défense du Portugal, l’Institut sera fermé à la fin de l’année scolaire 2014/2015. Une partie significative de l’histoire de l’émancipation féminine au Portugal sera ainsi démantelée comme négligeable.
Cette décision, dont le bien-fondé reste à éclaircir, a suscité l’opposition des actuelles et anciennes élèves, de leurs familles, des professeurs et fonctionnaires, des officiers de l’Armée, des personnalités proéminentes de la société portugaise, et aussi des député-e-s et de la mairie et population de la ville d’Odivelas.
L’idée initiale était de transférer les élèves au Collège Militaire (une école masculine n’ayant aucune condition pour recevoir des jeunes filles) tout en assurant que l’histoire et le patrimoine culturel de l’Instituto de Odivelas seraient maintenus vivants. Pourtant la réalité s’avère très différente.
Les jeunes filles seront dorénavant obligées de fréquenter les classes au Collège Militaire et de rentrer à l’Institut pour passer la nuit. Elles resteront 14 heures par jour au Collège Militaire dans des conditions déplorables car aucune adaptation n’a été faite à leur intention. Le plan d’études qu’elles suivaient à l’Institut sera rétréci et modifié en fonction des choix d’un collège masculin érigé autour d’une idée de genre très stéréotypée et désuète et qui ne prend pas en considération les caractéristiques et expectatives légitimes des jeunes filles.
Elles auront donc à supporter des discriminations de toute sorte et elles n’auront pas le temps d’étudier, de se reposer ou tout simplement de s’amuser, comme les jeunes filles de son âge.
De ce fait, sans aucun raisonnement et sans aucune explication, seulement par l’obstination d’un ministre de la Défense qui n’a même pas fait le service militaire, les élèves de la Maison d´Éducation de la Légion d´Honneur seront interdites pour toujours de séjourner dans les magnifiques cloîtres de l’Instituto de Odivelas.
Les anciennes élèves,
Ana Coucello
Ana Lobo
Conceição Brito
Elsa Magro
Leonor Tavares
Isabel Joglar
Maria João Curto
Maria Luís Figueiredo

Sofia Vaz Serra 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

FOR THE FIRST TIME

Memorial que as Alunas e Ex-alunas do Instituto de Odivelas vão colocar junto do ex- Instituto , na via pública.

É uma iniciativa inédita ,marcante e forte  contra o poder político e deixando perene as responsabilidades de cada um.

Novidade e peras.....

Nota: Mas falta, quanto a nós , os nomes dos 2 principais , principalíssimos , autores de tal mal feitoria.

Será que vão pôr um "pushing-ball" com as caras do(a) ditos?

terça-feira, 24 de junho de 2014

FOI NO QUE DEU!!!!

A "reestruturação" do ministro aguiar hifen branco está a resultar em pleno ! 

Os efeitos dos seus sucessivos despachos ministeriais introduziram tais factores de desestabilização que o resultado está aqui : O Colégio Militar desceu do 49º lugar (2012) para o 209º (2013) no ranking nacional das melhores escolas secundárias e o Instituto de Odivelas do 27º (2012) para o 62º (2013) ! 

Até o brioso Comandante do batalhão Colegial, um jovem de 17 anos, teve a coragem de denunciar isto no seu discurso de despedida.

E para o ano será ainda pior.....

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O CDS NA EXTINÇÃO

"O CDS-PP reconhece o projecto educativo notável e o contributo ímpar que o Instituto de Odivelas proporcionou, durante mais de um século, a muitas jovens portuguesas. Um sinal dessa mesma posição foi vincado, na opinião do Sr. Deputado do CDS-PP, João Rebelo, no Relatório Final da Petição n.º248: “O Instituto de Odivelas constitui um estabelecimento centenário de um ensino de excelência e primaz, que é do interesse do todos os portugueses conservar e acarinhar”.
No entanto, a influência que o CDS-PP tem na governação é directamente proporcional à expressão eleitoral que os cidadãos lhe confiaram. E o peso eleitoral do CDS-PP não lhe conferiu a legitimidade para liderar o Governo, por si só. Tendo, por isso, formado uma coligação de Governo, num momento particularmente difícil da nossa história colectiva, com vista a garantir uma maioria estável capaz de enfrentar a crise herdada e fazer o caminho necessário para colocar Portugal no trajecto necessário para recuperar da situação de fragilidade económica e financeira e a reputação do país. Daí decorre um compromisso permanente e leal que implica ceder em determinadas escolhas, em nome da estabilidade governativa e da situação de emergência nacional.
Nesse contexto, o CDS-PP – no quadro das suas forças e capacidades – empenhou-se arduamente para evitar que o Governo, e em particular o Ministério da Defesa Nacional, prosseguisse com o encerramento do Instituto de Odivelas. Contudo, o CDS-PP não teve, nesta matéria, vencimento e considerou que, perante uma fractura perigosa no seio da coligação, seria preferível assumir uma posição previdente e sacrificar-se por um bem comum maior.

Informo ainda que a direcção do Grupo Parlamentar do CDS-PP, não obstante ter expresso uma orientação de voto firme aos seus deputados, não lhes impôs disciplina de voto. "

Nota: Ao que apurámos abstiveram-se as Deputadas Isabel Galriça Neto e Teresa Caeiro e os Deputados Ribeiro e Castro, João Rebelo e Telmo Correia

domingo, 15 de junho de 2014

DE NADA VALEU



A exigência de aguiar hifen branco sobrepôs-se a tudo.

Lisboa, 27 de Março de 2014

Ass.: INSTITUTO DE ODIVELAS


Exmo Senhor Primeiro-Ministro de Portugal
Doutor Pedro Passos Coelho:


Sou antiga aluna do Instituto de Odivelas, a melhor escola pública nacional que tive o privilégio de frequentar como orfã de um oficial da Marinha de Guerra Portuguesa. Não fosse a existência desta notável instituição de acção social, não teria tido possibilidades de receber a educação de excelência e a formação de carácter que contribuíram para desenvolver plenamente as minhas capacidades como pessoa e como mulher independente.

O Instituto de Odivelas ocupa anualmente os lugares cimeiros dos “rankings” nacionais e forma raparigas provenientes dos mais diversificados estratos sociais, raças e credos, que marcaram e marcam a Sociedade. Ali foram formadas mulheres como Luna Andermatt (fundadora da Companhia Nacional de Bailado), Rosa Lobato de Faria (actriz, escritora e compositora), Ana Paula Padrão (actriz), Isabel Maria Gago (primeira mulher formada em Engenharia Química), Paula Costa (primeira mulher piloto militar da Força Aérea), Maria Isabel Joglar (primeira mulher na modalidade olímpica de Tiro de Pistola), Maria João Rolo Duarte (primeira mulher jornalista a assinar reportagens desportivas), Julieta Espírito Santo (primeira médica São-Tomense), Ana Maria Lobo (primeira presidente e co-fundadora da AMONET - Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas), Teresa Leal Coelho (deputada) e mães de figuras públicas conhecidas como Marcelo Rebelo de Sousa, Nuno Rogeiro ou o pianista Artur Pizarro, entre outros. Também por lá passaram professoras de renome como Adelaide Cabete (médica), Maria José Estanco (primeira arquitecta portuguesa), Olga Violante (primeira Directora do Coro de Câmara da Gulbenkian).

Foi pois com estupefacção que tomei conhecimento em 2012 do plano do Sr. Ministro da Defesa Nacional para extinguir o Instituto de Odivelas alegadamente para poupança de custos. De imediato lancei uma petição pedindo a continuidade do Instituto de Odivelas como uma escola de excelência. Não consegui até agora os resultados pretendidos, embora das várias reuniões tidas com os Grupos Parlamentares tenha a percepção de que a maior parte dos Deputados não concorda com a decisão do Sr. Ministro da Defesa Nacional. Infelizmente a morosidade dos tribunais, dos processos administrativos e dos processos parlamentares fez com que até agora não tenha sido possível travar o processo de extinção que se afigura inexplicável e lesivo do Interesse Nacional.

Na realidade, o argumento inicial da poupança de custos já foi liminarmente afastado pois o Instituto de Odivelas forma alunas com um custo inferior ao de qualquer escola pública nacional sem regime de internato e, se em 2013 se podia tornar sustentável com o pagamento de uma mensalidade adicional, em 2014, graças ao aumento do número de alunas e redução de custos decorrente de uma gestão racionalizada, é já sustentável sem necessidade dessa mensalidade extra. Estes custos incluem as verbas imprescindíveis para a manutenção da parte histórica do Mosteiro. Este argumento torna-se ainda menos compreensível quando o Sr. Ministro da Defesa Nacional escreve aos Pais das alunas dizendo que vai continuar a investir milhões de euros nos estabelecimentos militares de ensino.

Acresce que a Associação de Pais (APEEAIO) e a Associação das Antigas Alunas (AAAIO) apresentaram propostas adicionais de racionalização e aumento de receita que foram ignoradas pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional.

Ao contrário das alegações de extinção de discriminação de género feitas pela Srª Secretária de Estado Adjunta da Defesa, Drª Berta Cabral, a situação criada pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional em torno do Instituto de Odivelas configura uma clara discriminação de género contra as alunas desta escola, ao serem elas e só elas privadas da sua escola, privadas de internato, privadas de uma oportunidade de educação de excelência e obrigadas a sofrer diariamente deslocações para e do Colégio Militar, privando-as dos períodos de estudo que serão passados nos transportes na Calçada de Carriche nas horas de ponta. Acresce que o Estado Português reconhece e financia o ensino diferenciado particular, o que significa que reconhece o direito à escolha entre coeducação e ensino diferenciado, não podendo por isso aniquilar a única escola pública feminina.

Não há portanto razões conhecidas que sejam claras, objectivas, lógicas e justificáveis para o encerramento do Instituto de Odivelas, estando excluídas as de poupança ou melhoria de condições de ensino como se demonstrou. Não há também o acordo quanto ao encerramento de nenhuma das partes envolvidas (alunas, pais e encarregados de educação, professores e outros funcionários, antigas alunas, alunos e antigos alunos das outras escolas congéneres no país e no estrangeiro, chefias militares, deputados e figuras de relevo da sociedade portuguesa). Só o Sr. Ministro da Defesa Nacional persiste em não querer ouvir as partes e recusar esclarecer os verdadeiros motivos subjacentes a esta obstinação.

Por isso têm surgido os mais variados rumores sobre as verdadeiras razões que estão subjacentes ao pretendido encerramento do Instituto de Odivelas e que vão desde interesses que envolvem a Câmara Municipal de Odivelas, o Grupo Pedago (Instituto Superior de Ciências Educativas da Ramada, Odivelas), o Grupo Lusófona (Departamento de Turismo), Universidade Católica, Grupo Laureate International Universities (Universidade Europeia, ex-ISLA) e Grupo Pestana, Associação Turismo de Lisboa, enfim, um sem número de possibilidades e especulações ligadas a interesses imobiliários, incendiados por visitas de pessoas ligadas à Universidade Católica ao Forte de Santo António do Estoril, a colónia de férias das alunas do Instituto de Odivelas.

Senhor Primeiro-Ministro, como pessoa de bem e o garante da democracia nacional, não quero acreditar que possa estar de acordo com esta decisão do Sr. Ministro da Defesa Nacional, a não ser por não estar na posse de todos os dados. Pelo exposto, venho respeitosamente solicitar a V. Exª que se debruce sobre a proposta de extinção do Instituto de Odivelas.

Faculto agora alguns dos documentos que considero mais pertinentes para que possa ajuizar e, espero, travar a extinção de uma escola de excelência com 114 anos de existência, que poderia bem servir como modelo para outras escolas públicas em Portugal.

Solicito ainda que consinta em me receber, acompanhada por um elemento representante de cada parte interessada, para falar pessoalmente sobre este assunto.


Com os meus melhores cumprimentos


Maria João Marcelo Curto


ÀS ARMAS



Relativamente ao Projeto de Resolução n.º 1006/XII/3ª, apresentado pelo PCP, que “Recomenda ao Governo que suspenda o processo de extinção do Instituto de Odivelas”, os deputados abaixo assinados apresentam a seguinte declaração de voto:


Não obstante termos votado contra o Projeto de Resolução em causa, mantendo desta forma a disciplina de voto do Grupo Parlamentar do PSD nesta matéria, concordamos no essencial com a matéria em apreço, pelos motivos que abaixo expomos.


O Instituto de Odivelas (IO), fundado em 1900, conta neste momento 114 anos de existência.


Constituindo uma referência no panorama educativo nacional, proporciona um ensino de excelência às suas alunas, entre as quais se encontram ilustres portuguesas que se destacam e destacaram nas mais diversas áreas.


Apresentando excelentes resultados nos diversos e sucessivos exames nacionais, ocupa habitualmente os primeiros lugares dos respetivos rankings. A título de exemplo, no presente ano letivo, 95% das suas alunas foram colocadas no Ensino Superior, das quais 67% na sua 1ª opção.


Proporciona – à semelhança dos outros Estabelecimentos Militares de Ensino (EME) – a frequência a alunas provenientes dos Países da CPLP estreitando, por esta via, laços com a comunidade lusófona.


Constitui, por fim, uma indissociável e orgulhosa “marca” da comunidade, cidade e Município de Odivelas.


Não obstante tais factos e/ou considerações, reconhecemos – mais ainda, no atual quadro de fortes restrições financeiras no nosso País - a necessidade de reformas, de projetos educativos, designadamente a utilização comum de recursos humanos, financeiros e ao nível das instalações, nos 3 EME.


Contudo, no nosso entendimento, a Reforma nos Estabelecimentos Militares de Ensino, na qual se enquadra o Encerramento do IO, precisa de ser repensada, acompanhada e estudada, nomeadamente com exemplos comparados, em Instituições de Ensino semelhantes existentes um pouco por todo o Mundo.


Sustentando os princípios da liberdade de escolha e da autonomia educativa, no entendimento dos signatários, o Ensino Público não deverá ser uniforme, podendo coexistir, tal como no Ensino Privado, diferentes tipologias de ensino e/ou aprendizagem.


O Ensino Público, tolerante e respeitando a liberdade de escolha, quer de educandos, quer dos seus encarregados de educação, não deverá nunca assentar a sua existência em “dogmas”, sejam eles de género ou de internato em oposição ao externato, desde que tal não colida com a continuidade de projetos que são considerados um sucesso.


Com a extinção do Instituto de Odivelas, o País perde não só um ativo mas, igualmente, um património cultural, histórico e educativo de mais de uma centena de anos.


Neste sentido, discordamos do encerramento previsto para o Instituto de Odivelas, com a integração no Colégio Militar, descaracterizando e desvirtuando-o nos seus princípios e valores essenciais.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

ÀS ARMAS

Curso de 1947-1954
Apresentação do Curso no 60º Aniversário da Saída do Colégio

Ex.mo Senhor Director
Por decisão da comissão organizadora e de acordo com o princípio de rotatividade que tem vindo a ser seguido no nosso Curso, cabe-me hoje a honra de, em nome de todos nós, cumprimentar V.Ex.ª nesta ocasião em que comemoramos o 60º aniversário da nossa saída do Colégio.
Assim, começo por agradecer ao Senhor Director a oportunidade que nos proporciona de regressar, por um dia, em nova romagem de gratidão e saudade, à querida Alma Mater que nos acolheu em criança, nos educou, soube formar e tão bem nos preparou para a vida, como cidadãos responsáveis ao serviço da comunidade de afectos, tradições e memórias que é a nação portuguesa.
O nosso 7º ano de 1953-1954 incluía o total considerável de cinquenta elementos, os quais subsequentemente enveredaram pela carreira das armas e pela vida civil na exacta proporção de metade para cada uma, num curioso e pouco vulgar equilíbrio de opções profissionais.
Perante si, Senhor Director, estão muitos desses 50 finalistas, que se tornaram professores universitários, engenheiros, médicos, economistas, comandante da marinha mercante, empresários, gestores públicos, além de almirantes e generais do Exército e da Força Aérea, bem como oficiais superiores dos três ramos das Forças Armadas, tendo ainda pertencido ao curso um advogado e um farmacêutico, entretanto falecidos. Este eclectismo é mais uma prova incontroversa da sólida educação integral que nos foi ministrada no Colégio, e que sempre recordamos com orgulho e emoção cada vez que, como agora, aqui voltamos.
E isto porque o nosso curso, Senhor Director, é “muito beato” em relação ao Colégio, como disse com fino humor aquela figura inesquecível e tão grata aos nossos corações que é o antigo e saudoso capelão colegial Pe. Braula Reis, ao verificar que promovíamos repetidamente romagens desta natureza. De facto lá está a atestá-lo, nos claustros, a placa comemorativa do 25º aniversário de saída (19.5.1979), sobreposta a outra mais abrangente onde se deixam gravadas, para a posteridade, as datas das nossas treze sucessivas comemorações, quer de entrada como “ratas” (40, 45, 50, 55 , 60 e 65 anos)  quer de saída como finalistas (30, 35, 40, 45, 50, e 55 anos), até precisamente o dia de hoje. E lá está também reservado o espaço para a devida gravação das comemorações vindouras, a mais próxima das quais a ocorrer, se Deus quiser, em 2017.
Temos, pois, uma evidente, profunda, muito significativa e continuada ligação sentimental à Casa onde crescemos e aprendemos a ser homens. A somar à saudade dos verdes tempos de criança e de juventude, das nossas lides estudantis, dos despiques atléticos e desportivos, dos anseios, partidas, reinações e devaneios da tenra idade, das euforias e entusiasmos partilhados em comum, a par dos contratempos, dificuldades e carências que tivemos de vencer individual e colectivamente, junta-se o reconhecimento de quão valiosas foram para nós a qualidade do ensino escolar recebido e as bases formativas de honra, pundonor, disciplina, lealdade, frontalidade e camaradagem que o Colégio nos inculcou logo de início e que a vivência exclusiva do internato veio a tornar crescentemente mais arreigadas dentro de nós. Vir ao Colégio é um verdadeiro regresso às origens, que nos retempera a alma e nos dá força acrescida para suportar os desenganos e as ilusões perdidas e trilhar os caminhos que ainda nos resta percorrer.
Nestas seis décadas volvidas sobre o adeus à farda cor de pinhão, o Curso regista, infelizmente, já vinte e quatro camaradas falecidos, o primeiro dos quais logo em 1958 (aspirante miliciano vítima duma explosão de granada quando dava instrução a recrutas). Em seguida, como parte integrante da geração da «Guerra do Ultramar», sofreu dois mortos em campanha. É, aliás, muito em memória de todos estes nossos mortos que hoje aqui estamos, de novo, comovidamente a recordá-los, interiorizando com sentido e mudo respeito o seu supremo sacrifício.
Durante a guerra, como oficiais dos quadros permanentes e dos quadros de complemento, estivemos envolvidos nas campanhas de Angola, Guiné e Moçambique ao serviço e em defesa da Pátria; cumprimos o nosso dever com galhardia e vontade, suportando as privações, as angústias e as incertezas do combate, vencendo desânimos e liderando os nossos homens; e demos tempo bastante para que fosse possível uma solução não militar do problema da guerra nas três frentes africanas.
Com a Revolução do 25 de Abril e o advento do Estado de Direito democrático, surgiram algumas divergências e clivagens ideológicas no seio do nosso Curso. Todavia, os laços de amizade viril estreitados ao longo de tantos anos de convívio colegial foram mais fortes do que eventuais pulsões centrífugas e por isso o clima de união fraterna cedo voltou, e continua, a reinar frutuosamente entre nós.
Senhor Director
O Curso de finalistas de 1953-1954 tem consciência clara da complexidade e delicadeza da missão que está cometida a V.Ex.ª, nestes dias tumultuosos por que passa desde há cerca de dois anos o Colégio Militar.
Além disso, os oficiais generais e os oficiais superiores de Terra, Mar e Ar que como eu integram o nosso curso conhecem perfeitamente os ditames do dever do cumprimento cabal das missões que o poder político e a hierarquia castrense atribuem aos diversos escalões de comando.
Daqui decorre que não deve nem pode de forma alguma entender-se estar V. Ex.ª a ser posto em causa, quer no espírito, quer no teor, das considerações que irei tecer de seguida em representação do nosso curso. 
No universo dos “Meninos da Luz” nós, os do 7º ano de 1953-1954, estamos na linha da frente da “Velha Guarda” colegial. A lei da vida não faz pressupor a possibilidade de haver cursos a comemorar mais do que o 80º aniversário de saída do Colégio.
Ao longo da nossa já tão dilatada vida, e com percursos profissionais tão diversos, adquirimos em conjunto uma vasta experiência das coisas e do mundo, que nos permitem desaconselhar e não aprovar tomadas de decisões precipitadas, mal fundamentadas, impostas apressadamente, ao arrepio do diálogo e sem ponderação de argumentos válidos de sentido contrário, no exercício de um poder de perfil autoritário e arrogante.
Acontece que o Colégio Militar está sofrer os efeitos nefastos de uma decisão desta estirpe, tomada por uma tutela política desacreditada e incompetente, que irá por certo descaracterizar e conduzir à ulterior perda total de identidade da obra concebida pela visão sublime do nosso Fundador, Marechal Teixeira Rebelo e iniciada há mais de dois séculos.
Nesta era de globalização infrene, em que se atenuam as diferenças entre países, povos e localidades e se vão replicando cada vez mais estilos de vida semelhantes em sociedades dispersas pelas mais diversas latitudes, vai-se já notando um sentimento de fadiga civilizacional, um desencanto e uma rejeição por parte das pessoas expostas aos efeitos de uma normalização que torna os seus aglomerados urbanos meras cópias uns dos outros. E cada vez mais se procura aquilo que é único, aquilo que faz a diferença e dá valor acrescentado a um projecto, a um produto, a um empreendimento ou a um desígnio.
Ora o Colégio Militar, o nosso Colégio, é único no panorama educacional portuguêsÉ ter mantido desde a Fundação a sua matriz estruturante, o seu modelo de internato masculino (com pontuais admissões de alunos externos). Portugal conhece e admira a Casa que deu origem a tantas figuras gradas da nossa História, em tão diversificados campos, tcomo das artes, das ciências, das tecnologias, do desporto, do direito, da economia, do ensino e, claro está, da arte e ciências militares.
A reforma ou reconfiguração que teimosamente se pretende impor ao Colégio é negativa por uma série de razões:
·       Não decorre de qualquer imposição externa a Portugal nem de um compromisso vinculativo inscrito no programa eleitoral de algum partido com assento parlamentar;
·       Foi delineada e mantida sem atender à generalizada oposição das associações de antigos alunos e de pais, quer do Colégio, quer do Instituto de Odivelas (IO);
·       É incoerente e contraditória pois afirma visar uma racionalização e redução de custos de funcionamento e ao mesmo tempo autoriza o dispêndio de mais de 2 milhões de euros para a futura construção de um edifício de internato feminino, existindo já uma alternativa perfeitamente disponível e funcional no IO;
·       Baseia-se, por fim, numa falsa questão da igualdade de género.

 A questão da igualdade de género só se põe quando se trata de adultos já feitos e imputáveis (caso dos militares femininos das Forças Armadas); e não é aplicável no caso de crianças e adolescentes em pleno processo de crescimento e de formação, com interesses, inclinações e ritmos de desenvolvimento físico e intelectual naturalmente diferenciados. 
O regime misto irá fracassar, por força da própria natureza humana: colocar rapazes e raparigas dentro do mesmo perímetro de internato (mesmo que em edifícios separados), face aos ímpetos assomosfantasias sexuais da puberdade, é uma receita para um desastre anunciado; não vai haver meios humanos suficientes, nem disponibilidades financeiras bastantes, para assegurar uma vigilância eficaz e permanente após as horas normais de serviço. As hormonas terão sempre a última palavra; e portanto a questão que se coloca não é “se”, mas sim “quando”. Ou será que a Igreja Católica, na sua imensa sabedoria de mais de dois milénios, iria por alguma razão decidir criar num perímetro único instalações para seminaristas e para noviças?
Por outro lado, mesmo que haja primeiras indicações favoráveis, a verdade é que ainda não decorreu tempo suficiente para se poder concluir que a entrada de alunas para o batalhão colegial é um caso de sucesso. É sempre preciso esperar pela validação de resultados num espectro temporal credível; e se essa validação ocorrer – o que confio e espero não suceda – será então apenas uma vitória de Pirro e um problema adicional para quem a tutela o quiserdepois reencaminhar.
Tudo na vida é reversível, excepto a morte. Num quadro de alternância democrática, um despacho ministerial proveniente de uma certa origem partidária pode muito bem ser objecto de anulação e de reversão de efeitos vindo de um qualquer outro quadrante político. O nosso Curso, com a autoridade moral e simbólica da “Velha Guarda”, espera, confia e tudo fará para que assim seja.
Já vai longa esta intervenção e cumpre-me, pois, dar-lhe termo. Permita-me, no entanto, Senhor Director, concluir com uma citação do antigoaluno nº 114/1884, Dr. Júlio Dantas, extraída na sua obra Páginas de Memórias”:
«Os rapazes do Colégio Militar podiam não aprender a ter juízo, mas todos aprendiam a não ter medo. Para a formação da nossa personalidade concorria, não só o que nos ensinavam os mestres, mas o que nós ensinávamos uns aos outros: a lição do aprumo, da dignidade, da obrigação, da solidariedade moral, da disciplina sem subserviência, da cortesia sem bajulação. Por isso o Colégio da Luz… foi sempre uma escola de “homens” que entravam na vida de cabeça levantada, servindo o desinteresse, falando o desassombro e, quando era preciso, lutando com intrepidez”.
Tenho dito

Luz, 9 de Maio de 2014



Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal
145/1948