sexta-feira, 25 de julho de 2014

UMA OPINIÃO

UMA REPARAÇÃO HISTÓRICA
Andam alguns dos "iluminados" da nossa praça apoquentadíssimos porque a Guiné Equatorial vai pertencer à Comunidade dos Povos de Lingua Portuguesa (CPLP), muito incomodados por ser uma ditadura. Não se incomodaram nada quando as ditaduras cleptocráticas angolana e moçambicana entraram para a Comunidade, mas, claro, a gente sabe que há ditaduras boas e há ditaduras más...
Se nós tivessemos estadistas e não "políticos" e se os comentadores não se enleassem na micropolítica e tivessem um mínimo de conhecimento histórico, talvez vissem essa entrada de outro modo.
Sem alardear grandes sabedorias e revelações - despropositadas aqui e agora - sempre direi o seguinte: parte substancial do estado que vai entrar é constituído historicamente por territórios(ilhas de Fernando Pó e Ano Bom) que foram portugueses cerca de trezentos anos... Descobertas por Fernando Pó em 1471, foram cedidas à Espanha em 1778.
Trocadas por território no Brasil, a troca foi tida como traição pelos habitantes, que se revoltaram, e de tal modo, que os espanhóis só no final do século XIX, conseguiram ocupar efectivamente as ilhas, aceitando que os revoltados "portuguesistas" se mantivessem praticamente independentes, elegendo um conselho de cinco membros que os governou ao longo dos anos...
Nestes mesmos territórios, os habitantes têm a "Fá de Anbó" - fala de Ano Bom, crioulo português - como meio de comunicação. Além de outras tradições arreigadamente portuguesas.
Sabemos bem que as ditaduras vão e vêm, os povos ficam para além das contigências e dos acidentes. Se os opinadores soubessem um mínimo de história, seriam mais comedidos nas suas opiniões.
Assim, ao contrário do Professor Rebelo de Sousa e de outros, tenho muito orgulho que os de Ano Bom e Fernando Pó reentrem na Comunidade da Língua do País que há trezentos anos os abandonou e traíu...
José Valle de Figueiredo


1 comentário:

J.N.Barbosa disse...

Só que Fernando Pó e Ano Bom representam uma fracção pequena do país.

Eu sou um dos poucos portugueses que viram (de longe) Ano Bom.