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domingo, 28 de setembro de 2014

POIS

Berta Cabral, que hoje termina uma visita de três dias a Maputo, representou Portugal nas celebrações, na quinta-feira, dos 50 anos das Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM) e do início da luta de libertação contra a potência colonial, e reuniu-se com o ministro da Defesa moçambicano, Agostinho Mondlane, na qual foram decididos avanços ao nível técnico da cooperação militar entre os dois países.Segundo a secretária de Estado, ficaram acertadas visitas de militares moçambicanos a Portugal para conhecer os navios de patrulha oceânica ao serviço da armada portuguesa, dois dos quais novos, e que deixaram Agostinho Mondlane "bem impressionado" numa das suas visitas recentes a Portugal.
"Queremos que conheçam de perto esses meios para podermos colaborar numa lógica de projeto, não numa logica de vender, e criar condições de formação, operação, manutenção e de meios", adiantou, acrescentando que "tudo isto significa projetar uma capacidade oceânica em que Portugal tem todas as condições para ter um papel ativo".
Berta Cabral lembrou que Moçambique tem uma costa muito extensa para fiscalizar e precisa de meios que ainda não possui e já existentes em Portugal, bem como "indústrias nessa área que podem também cooperar".
A governante destacou que a colaboração no domínio militar deve ter dois sentidos e beneficiar ambas as partes, alegando que "as empresas de defesa portuguesas são importantes e devem ter uma oportunidade nos países onde existe cooperação".
Além da reunião com Mondlane, realizada na sexta-feira, a secretária de Estado visitou também o Instituto Superior de Estudos Militares de Moçambique, que este ano "nasceu do nada e é já um projeto de cooperação muito bem-sucedido" entre as forças armadas portuguesas e moçambicanas", formando ao nível académico oficiais do país africano e também aberto à sociedade civil, atraindo ainda alunos de países vizinhos.
A visita de Berta Cabral termina hoje com um programa dirigido à área social, focado nos ex-combatentes e deficientes das Forças Armadas de Moçambique, que envolvem "uma logística muito complexa relacionada com tratamentos em Portugal e com a própria qualificação como deficiente das Forças Armadas".
A Moçambique, informou a secretária de Estado, chegarão em breve os militares portugueses que vão integrar a missão de observação internacional do acordo de cessação de hostilidades entre o Governo moçambicano e a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), ao fim de mais de um ano e meio de confrontações na região centro do país e que deixaram um número indeterminado de mortos e prejuízos materiais.
"Os observadores estão a aguardar que toda estrutura esteja montada", disse Berta Cabral, adiantando que Portugal vai ter um oficial no comando da missão de observação em Nampula, norte de Moçambique, e outro que vai integrar o comando em Sofala, centro.
Os primeiros observadores já começaram a chegar a Moçambique com o objetivo de monitorizar o desarmamento das forças da Renamo e integração dos guerrilheiros da oposição nas forças regulares, numa missão internacional que, além de Portugal, inclui Estados unidos, Reino Unido, Itália, África do Sul, Cabo Verde, Botsuana, Quénia e Zimbabué.

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