Google+ Followers

Google+ Followers

segunda-feira, 22 de março de 2010

POIS

Em Julho de 1995, durante a guerra da Bósnia, as forças sérvias bósnias surpreenderam e dominaram as forças holandesas da missão da NATO que estavam mobilizadas naquele enclave: mais de 7000 homens e rapazes muçulmanos foram mortos. Foi o maior assassínio em massa na Europa desde a Segunda Guerra e traumatizou os holandeses, para os quais o tema continua a ser sensível.

Numa audiência no Congresso sobre o fim nos EUA da política Dont’t Ask, Don’t Tell (de acordo com a qual os homossexuais poderiam ser militares se não revelassem a sua orientação sexual), o general John Sheehan, antigo comandante supremo da NATO, defendeu que houve um esforço dos europeus para “integrar” as suas forças militares, permitindo, por exemplo, que nelas servissem homossexuais. Isso, sustentou, “conduziu a uma força mal preparada para a guerra”. E continuou: “O caso a que me refiro é aquele em que os holandeses foram chamados a defender Srebrenica contra os sérvios. O batalhão estava sob pressão, tinha uma liderança pobre, e os sérvios chegaram, amarraram os soldados aos postes de telefone, marcharam até aos muçulmanos e executaram-nos”.

Depois destas primeiras declarações do general, o presidente do comité das Forças Armadas do Senado, Carl Levin, perguntou-lhe: “Mas os líderes holandeses disseram-lhe que isso aconteceu porque havia ali soldados gays?” “Sim, disseram. Incluíram isso como parte do problema”, respondeu Sheehan.

“As declarações são um ultraje, são erradas e para lá de desprezíveis”, afirmou o primeiro-ministro Balkenende. O Ministério da Defesa holandês já tinha descrito as palavras de Sheehan como “absolutamente sem sentido” e afirmou que os soldados homossexuais holandeses cooperam frequentemente com o Exército dos EUA e com a Aliança Atlântica em missões no Afeganistão. Para o chefe da diplomacia, Maxime Verhagen, relacionar Srebrenica com a existência de soldados homossexuais “é a opinião privada bizarra de alguém sem funções públicas”.

Os sindicatos militares também reagiram, assim como os grupos de militares gays.

Na Holanda, o massacre de Srebrenica levou à abertura de uma investigação que se prolongou por seis anos e terminou em 2002 com a queda do Governo.


1 comentário:

J.N.Barbosa disse...

É uma nova e original justificação para um desastre anunciado mas nunca assumido pelos poíticos. Foram as regras de empenhamento e uma missão indefenida que provocaram a situação. Os sérvios sabiam muito bem o que podiam fazer sem problemas. Depois desse dia ficou tudo muito incomodado com a guerra e todos os europeus se quiseram retirar.