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domingo, 6 de outubro de 2013

..A SEU DONO


Nos tempos que correm, a generalidade dos portugueses, ao vir à baila o Colégio Militar, tende a considerá-lo uma instituição 
de ensino para rapazes, em regime de internato, tutelada pelo Exército, e de prestígio alicerçado ao longo de mais de duzentos anos. É também consensual julgar-se que o Colégio Militar tem por finalidade dar formação de base aos futuros oficiais do Exército e dos outros ramos das forças armadas. No entanto, convém esclarecer que o propósito principal do Colégio, desde a sua fundação, foi o de apoiar os militares na educação dos seus filhos, com particular relevância para o caso de órfãos de mortos em combate. Mais tarde, o critério de admissão alargou-se a filhos de civis, ditos porcionistas, sustentados por verbas pagas pelos respectivos familiares.

Não é, todavia, correcto, dizer-se que o Colégio Militar se destinava exclusivamente a preparar futuros candidatos à carreira das armas. A excelência da educação nele ministrada tem proporcionado a sucessivas gerações de jovens e adolescentes, uma vez concluído o curso, o acesso a um vasto leque de opções profissionais. Acima de tudo, como expoentes de valentia e patriotismo, importa sublinhar que mais de 70 elementos dos três ramos das forças armadas, antigos alunos do Colégio Militar, desde a monarquia até agora, foram já agraciados com a mais alta e honrosa condecoração nacional, a Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Deve igualmente realçar-se o facto de aí terem estudado, e aprendido a ser homens e cidadãos, os cinco Marechais que foram todos Presidentes da República (Gomes da Costa, Óscar Carmona, Craveiro Lopes, António de Spínola e Costa Gomes) e ainda mais um outro, distinguido a título póstumo (Humberto Delgado).
Para além da vida militar, verifica-se que nos mais variados campos da cultura e da actividade humana se encontram figuras gradas da nossa História cujo denominador comum é o de terem sido alunos do Colégio Militar. Assim, na Área do Desporto, basta salientar que em 14 Jogos Olímpicos (desde o ano de 1924 até, alternadamente, o ano de 2004) se registou a participação global de 30 antigos alunos nas modalidades de esgrima, pentatlo moderno, tiro e hipismo. E basta apontar, a título meramente exemplificativo: na Área da Ciência, o Prof. Aniceto Ribeiro Monteiro, Doutor em Matemática pela Universidade de Paris, investigador e docente de grande prestígio em Portugal, Brasil e Argentina; na Área da Medicina, o Dr. Ernesto Galeão Roma, pioneiro da Diabetologia Social e o Prof. Fernandoda Cruz Ferreira, professorcatedrático de Patologia e Clínica Tropical, especialista notável e conselheiro da Organização Mundial de Saúde para doenças parasitárias; na Área da Engenharia, o Prof. Engº Manuel Mendes daRocha, investigador e docente de renome internacional, que tornou o Laboratório Nacional de Engenharia Civil num dos mais prestigiados centros científicos contemporâneos; na Área da Cultura, António Sérgio de Sousa Júnior, que foi oficial da Armada e se afirmou depois como o mais reputado ensaísta português, e Eduardo Lourenço de Faria, também notável ensaísta e pensador; na Área das Letras, o Dr. Júlio Dantas, médico, escritor, dramaturgo, diplomata e político; e, por fim, na Área das Artes, o Prof. Escultor Barata Feyo, galardoado com valiosos prémios, o Actor Raúl de Carvalho Soares, com assinaláveis êxitos interpretativos no Teatro e Cinema, o Tenor Tomás Alcaide, um dos maiores artistas líricos da sua época, o compositor Raúl Ferrão, autor da célebre canção “Coimbra”, e ainda Rão Kyao e Pedro Ayres de Magalhães, ambos conhecidos músicos e compositores contemporâneos.

Não admira, pois, que, Portugal fora, nas cidades, vilas e aldeias do Continente e Ilhas Atlânticas (e outrora também no 
Ultramar) se possam ver placas toponímicas em mais de mil ruas, praças, largos e avenidas, relativas ao Colégio Militar, o seu fundador e antigos alunos. Os nomes e inscrições gravados em pedra traduzem bem o apreço e a vontade do povo português em perpetuar a memória dos seus feitos, sucessos e serviços prestados à causa pátria.

Mas haverá ainda largos estratos de portugueses que pouco sabem acerca do que tem sido o relacionamento entre o Colégio Militar e o Mar nas suas vertentes mais amplas. Efectivamente, o Colégio nasceu em 1802 (a data de referência, por tradição, passou entretanto a ser 3 de Março de 1803), no quartel de um regimento de artilharia situado nas imediações da fortaleza de S. Julião da Barra e desde então se tem mantido na tutela do Exército. Assim sendo, é compreensível que no total de alunos que frequentaram o Colégio, até hoje, só pouco mais de 3 % optaram por servir Portugal como oficiais da Armada Real/Marinha de Guerra, bem como da Marinha Mercante.
-II-
No que respeita à Armada, o primeiro antigo aluno do Colégio a entrar para os seus quadros permanentes foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra Pedro Alexandrino da Cunha (1801-1850), marinheiro corajoso, profissional competente e patriota dedicado, que chegou a governador-geral de Angola após largos anos de comissão de embarque em serviço nesse território. Veio a falecer em Macau no exercício do cargo de governador.
Incluindo este pioneiro, e até Setembro de 2013, abraçaram a carreira naval trezentos e trinta e três voluntários habilitados com o curso do Colégio Militar. A classe de oficiais de longe mais representada é a de Marinha, embora se tenham distribuído por quase todas as restantes. Há ainda a mencionar que, entre 1958 e 1990, se voluntariaram para prestar serviço na Armada, agora nos quadros de complemento da Reserva Naval, mais cinquenta e seis antigos alunos do Colégio Militar.
Dada a natureza deste artigo, num bosquejo rápido e sucinto, podemos apresentar, como exemplos ilustrativos, e dentre muitos, os nomes seguintes:

- No campo das Ciências e Investigação do Mar, o Capitão-de-Fragata Mariano Ghira (1828-1877), engenheiro hidrógrafo. Lente da Escola Naval e Lente da Escola Politécnica. Serviu no Brasil e África Ocidental e foi o primeiro “Menino da Luz” da Armada a ser 
agraciado com a Torre e Espada; e o Vice-Almirante César Augusto de Campos Rodrigues (1836-1919), engenheiro hidrógrafo, que alcançou grande prestígio internacional como director do Observatório Astronómico de Lisboa durante quase três décadas; o Vice-Almirante Hugo de Carvalho de Lacerda Castelo Branco (1860-1944), engenheiro hidrógrafo. Lente da Escola Naval. Chefiou importantes levantamentos hidrográficos e portuários em África e Macau. Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa e da Sociedade de Geografia de Lisboa; e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Abel Fontoura da Costa (1869-1940), sábiomatemático, ilustre Lente da Escola Naval, reitor do Liceu do Carmo e fundador do Liceu do Mindelo. Foi co-autor de tábuas náuticas de grande qualidade e autor de aprofundados estudos de Marinharia dos Descobrimentos;


- Por Feitos Heróicos em Campanha, o Capitão-Tenente Álvaro Herculano da Cunha (1864-1915), combatente de África de valor excepcional, que se distinguiu nas campanhas de pacificação da Guiné entre 1891 e 1896, território de que foi depois governador. Condecorado com os graus de cavaleiro e oficial da Torre e Espada e com duas medalhas de ouro de Valor Militar; o Capitão-de-Mar-e-Guerra Filipe Trajano Vieira da Rocha (1870-1944), que se notabilizou pelas suas acções de comando em operações nos rios de Moçambique, em 1895. Foi também um dos pioneiros de trabalhos geodésicos e hidrográficos em África entre 1904 e 1926. Condecorado com o grau de comendador da Torre e Espada e com a medalha de ouro de Valor Militar; e o Vice-Almirante António Ladislau Parreira (1869-1941), militar e político, combatente das campanhas de pacificação da Guiné (1894) e Moçambique (1895). Participou activamente na preparação da Revolução de 5 de Outubro de 1910 e foi condecorado com o grau de comendador e dois graus de cavaleiro da Torre e Espada;


- Na Área da Política e Administração Pública, vários foram os oficiais oriundos do Colégio Militar que exerceram cargos ministeriais ou de alta administração, quer no Continente, quer nas outras parcelas portuguesas. Por exemplo: o primeiro antigo aluno a ser ministro da Marinha (em 1920 e 1923), o Capitão-de-Mar-e-Guerra Joaquim Pedro Júdice Bicker (1866-1926), heróico combatente da Guiné, condecorado com a comenda da Torre e Espada e a medalha de ouro de Valor Militar; o Vice-Almirante Luiz António de Magalhães Corrêa (1873-1960), cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, governador de Macau e depois ministro da Marinha (1928-1930). Foi ainda Administrador da Zona Internacional de Tânger no período 1945-1948; o Capitão-de-Mar-e-Guerra Vasco António Martins Rodrigues (1917-1983), oficial ilustre com larga experiência administrativa no Ultramar como governador do distrito de Lourenço Marques e, mais tarde, governador da Guiné; o Vice-Almirante Manuel Pereira Crespo (1911-1980), notável professor de Estratégia e Organização do Instituto Superior Naval de Guerra e elemento fulcral da grande reforma da Armada nos anos 1960’s e que veio a ser o último ministro da Marinha (1968-1974); e o Contra-Almirante Vasco Fernando Leote de Almeida e Costa (1932-2010). Militar e político. Comandou a esquadrilha de lanchas da Guiné, serviu no Comando Naval de Moçambique e exerceu o cargo de governador de Macau. Foi ainda membro do Conselho da Revolução (1975-1982);

- Na Área do Comando Superior da Armada, três antigos alunos do Colégio Militar chegaram ao topo da hierarquia naval: o Vice-Almirante Joaquim Anselmo da Matta Oliveira (1874-1948), notável oficial de estado-maior, autor e publicista de temas de história e estratégia militar, que foi também governador de Macau e Major-General da Armada; o Vice-Almirante Fernando de Oliveira Pinto (1887-1961), combatente de África e da I Guerra Mundial, condecorado com a medalha de prata de Valor Militar e duas medalhas da Cruz de Guerra. Esteve muito ligado à Escola Naval ao longo da sua carreira, que culminou como Major-General da 
Armada; e o Almirante João José de Freitas Ribeiro Pacheco (1934- …), de carreira multifacetada. Comandou em combate um destacamento de fuzileiros especiais (DFE) na Guiné, foi comandante naval dos Açores, director-geral do Instituto Hidrográfico e director do Instituto da Defesa Nacional. Condecorado com a medalha da Cruz de Guerra. Exerceu o cargo cimeiro de Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) entre 1994 e 1997.

Muitos outros nomes poderiam ser enquadrados, com igual pertinência e justiça, nesta galeria de antigos alunos do Colégio Militar que se sentiram atraídos pelo fascínio do Mar ao serviço da Pátria. Razões óbvias de espaço disponível não o permitiram, sem que tal significasse qualquer predomínio do valor dos citados sobre os méritos profissionais dos aqui não incluídos. Uma anotação necessária: tratando-se de marinheiros, neste olhar que abarca um horizonte imenso de mais de dois séculos e sabido que a Armada é sobretudo a saga e o reflexo dos homens do mar que a corporizam, não será descabido referenciar, por último, o Capitão-de-Mar-e-Guerra António Alemão de Cisneiros e Faria (1879-1946). Combatente da I Guerra Mundial, notabilizou-se como comandante da canhoneira Beira em operações nas águas de Cabo Verde. Condecorado com a medalha da Cruz de Guerra e a medalha da Distinguished Service Order (DSO) britânica, concebeu e garantiu o acondicionamento e transporte a bordo do cruzador Carvalho Araújo, sob seu comando, do hidroavião Fairey 17 “Santa Cruz”, o que veio a permitir a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, a conclusão da histórica 1.ª Travessia Aérea do Atlântico Sul. Mas o grande prestígio que alcançou, e que perdura na Armada, deveu-se à sua acção como principal responsável pelos extensos trabalhos de conversão de uma presa de guerra alemã, a barca Rickmer Rickmers, no que passou a ser o ícone da Marinha Portuguesa, o navio-escola Sagres, e sobretudo ainda por ter sido o seu primeiro comandante, cargo em que durante múltiplas viagens de instrução se confirmou como um manobreiro exímio e grande inspirador para os vindouros.
-III-
O Mar foi para Portugal a grande via de ligação às suas antigas províncias ultramarinas, e não só. Abstraindo do resto do mundo, mais de 90% da carga e 80% de pessoal foram transportados, a partir da metrópole, a bordo de navios de comércio. Daí a importância vital que tinha para o País a existência da nossa Marinha Mercante, a qual chegou a totalizar uma frota de 167 navios, no início da guerra do Ultramar.
Ora, com base numa pesquisa não exaustiva, e por isso susceptível de ser naturalmente ampliada e corrigida, pode dizer-se que houve, até hoje, vinte e dois antigos alunos do Colégio Militar que vieram a prestar serviço na Marinha Mercante nacional.
O primeiro nasceu em 1899 e chamou-se José de Magalhães Sousa e Silva, do quem apenas se sabe ter sido admitido para o 2º ano do Colégio Militar em 1910. Na década seguinte, José Guerra da Silva, quefrequentou o Colégio de 1922 a 1930, e Francisco Simões de Sousa Namorado (1913-1998), saído do Colégio em 1931 – ambos constam ter servido na Marinha Mercante.

Filho de um pioneiro da Aviação Naval que faleceu em campanha na I Guerra Mundial, José Horta e Costa de Azeredo e Vasconcelos (1917-1991) foi sargento-cadete em 1937, passou pela Escola Naval mas completou de seguida o curso de pilotagem da Escola Náutica. Como 2º piloto fez uma campanha de pesca do bacalhau, e mais tarde tornou-se imediato do paquete Uíge. Em 1952 era imediato do paquete Vera Cruz, navio de que nos anos 1960’s foi comandante, tendo-se depois reformado da Companhia Nacional de Navegação (CNN).

Entrados para o Colégio na década de 1930-1940, nove antigos alunos enveredaram profissionalmente pela marinha de comércio: Jorge Ruivo de Vasconcelos e Sá (1920-1996) - comandou três navios de passageiros, Vera Cruz, Império e Infante D. Henrique, no último dos quais terminou a sua vida no mar. Realizou grande parte da sua actividade em viagens para o Brasil, tendo assim tido oportunidade de contactos com altas figuras políticas e intelectuais brasileiros. Entre outras distinções, recebeu a medalha naval de Vasco da Gama e duas medalhas comemorativas do Esforço da Marinha Mercante na Guerra 1939/45 e na Defesa do Ultramar; João do Carmo Medeiros de Almeida (1924-1995) - prestouserviço como oficial miliciano de cavalaria. Ingressou na Escola Náutica em 1943 e fez a carreira a bordo de diversos navios como oficial, imediato e comandante. Em 1974 foi admitido como professor na Escola Náutica Infante D. Henrique (ENIDH), onde serviu durante vinte anos até se reformar. Teve acção determinante no desenvolvimento da Escola que, assim integrada no sistema educativo nacional, passou a conferir aos seus diplomados, a partir de 1989, os graus de bacharel e de licenciado; Adriano da Silva Matos Correia (1923-2006) – durantea II Guerra Mundial participou nos comboios de navios dos Estados Unidos para a Europa. Na Companhia Nacional de Navegação tornou-se em 1955 no mais jovem comandante da Marinha Mercante portuguesa. Termina a sua carreira no mar ao fim de trinta anos com o comando do paquete Moçambique, onde faz a sua última viagem, por coincidência também a do próprio navio. Foi condecorado com a medalha do Esforço de Guerra 1939/45 e a medalha naval de Vasco da Gama; Luís José Cantinho Machado Figueiras Andrade (1926-2009), perito marítimo internacional; José Alvarenga de Sousa Horta Correia Martins (1927-…); Vital Grandvaux Barbosa (1929-…); Pedro Jorge Brilha da Cunha (1927-1991); Jorge Dias da Costa Gomes (1928-…) - comandante e também piloto da barra de Lisboa; e Fernando Manuel de Oliveira Carvalho (1928-2002), que durante largos anos fez parte da frota bacalhoeira portuguesa.
Na década de 1940-1950 entraram como alunos do Colégio os seguintes futuros comandantes da Marinha Mercante: Francisco Jorge Cardinali Ribeiro (1930-2000); João Nuno Cid Larcher Ovídio (1930-…); José António Cordeiro Neto de Almeida (1930-1971); Jaime Reyes Leça da Veiga (1931-2010); João José Andrade Simões (1934-2007); José Fernando de Oliveira Vilar Saraiva (1935-…); e Abílio Matos e Noronha de Pais de Ramos (1937-…) – filho e irmão de antigos alunos, saiu do Colégio em 1953, e veio a comandar vários navios da SOPONATA e SONAP. É também licenciado em História.
Por fim, nas décadas de 1950-1960 e 1960-1970, frequentaram o Colégio Militar os seguintes alunos: João Augusto Sarmento Falco Pereira (1942-…) e Pedro Baptista Esteves Virtuoso (1957-…), ambos filhos e irmãos de antigos alunos. O último exerce actualmente actividade profissional no Grupo E.T.E..

por Luis Joel Alves de Azevedo Pascoal

C/Almirante,ref.

1 comentário:

Anónimo disse...

Ricardo deixou um novo comentário na sua mensagem "..A SEU DONO":

É tudo muito interessante e de relevo!

Acho no entanto um absurdo continuar a falar apenas no passado, sem reflectir seriamente nas condições do presente e como se pretende projectar no futuro esta(s) institução(ões).

Tudo o resto serve apenas para glorificar um passado (de relevo não discuto) mas que é passado.

O mais importante neste momento é concluir qual é o modelo que se pretende para o Colégio Militar para os próximos 100 anos.

É aí que se devem concentrar as forças todas e não na histeria e no constante saudosismo!

Quando foi a última vez que um Português morreu em operações militares ???

Será que o objectivo primordial ainda se mantém ???

Porque é que existem 2 instituições que se sobrepõe Pupilos do Exército e Colégio Militar ???

Faz sentido uma escola pública discriminar pessoas com deficiência ???

Faz sentido uma escola pública diferenciar cidadãos em função das suas profissões ???

É na discussão destas questões que TODOS devem concentrar as energias!!!