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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

SÓ PARA O HIFEN SABER

Aqui, e agora, por se achar oportuno, publicamos,com a devida vénia, só a parte que diz respeito a Oficiais de Marinha que frequentaram o Colégio Militar e se distinguiram .
Este laborioso e notável trabalho foi elaborado pelo Senhor C/Almirante Luís Joel Pascoal
-II-
No que respeita à Armada, o primeiro antigo aluno do Colégio a entrar para os seus quadros permanentes foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra Pedro Alexandrino da Cunha (1801-1850), marinheiro corajoso, profissional competente e patriota dedicado, que chegou a governador-geral de Angola após largos anos de comissão de embarque em serviço nesse território. Veio a falecer em Macau no exercício do cargo de governador.
Incluindo este pioneiro, e até Setembro de 2013, abraçaram a carreira naval trezentos e trinta e três voluntários habilitados com o curso do Colégio Militar. A classe de oficiais de longe mais representada é a classe de Marinha, embora se tenham distribuído por quase todas as restantes, provenientes ou não da frequência de cursos da Escola Naval. Há ainda a mencionar que, entre 1958 e 1990, se voluntariaram para prestar serviço na Armada, agora nos quadros de complemento da Reserva Naval, mais cinquenta e seis antigos alunos do Colégio Militar.
Dada a natureza deste artigo, num bosquejo rápido e sucinto, podemos apresentar, como exemplos ilustrativos, e dentre muitos, os nomes seguintes:
- No campo das Ciências e Investigação do Mar, o Capitão-de-Fragata Mariano Ghira (1828-1877), engenheiro hidrógrafo. Lente da Escola Naval e Lente da Escola Politécnica. Serviu no Brasil e África Ocidental e foi o primeiro “Menino da Luz” da Armada a ser agraciado com a Torre e Espada; e o Vice-Almirante César Augusto de Campos Rodrigues (1836-1919), engenheiro hidrógrafo, que alcançou grande prestígio internacional como director do Observatório Astronómico de Lisboa durante quase três décadas; o Vice-Almirante Hugo de Carvalho de Lacerda Castelo Branco (1860-1944), engenheiro hidrógrafo. Lente da Escola Naval. Chefiou importantes levantamentos hidrográficos e portuários em África e Macau. Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa e da Sociedade de Geografia de Lisboa; e o Capitão-de-Mar-e-Guerra Abel Fontoura da Costa (1869-1940), sábio matemático, ilustre Lente da Escola Naval, reitor do Liceu do Carmo e fundador do Liceu do Mindelo. Foi co-autor de tábuas náuticas de grande qualidade e autor de aprofundados estudos de Marinharia dos Descobrimentos;
- Por Feitos Heróicos em Campanha, o Capitão-Tenente Álvaro Herculano da Cunha (1864-1915), combatente de África de valor excepcional, que se distinguiu nas campanhas de pacificação da Guiné entre 1891 e 1896, território de que foi depois governador. Condecorado com os graus de cavaleiro e oficial da Torre e Espada e com duas medalhas de ouro de Valor Militar; o Capitão-de-Mar-e-Guerra Filipe Trajano Vieira da Rocha (1870-1944), que se notabilizou pelas suas acções de comando em operações nos rios de Moçambique, em 1895. Foi também um dos pioneiros de trabalhos geodésicos e hidrográficos em África entre 1904 e 1926. Condecorado com o grau de comendador da Torre e Espada e com a medalha de ouro de Valor Militar; e o Vice-Almirante António Ladislau Parreira (1869-1941), militar e político, combatente das campanhas de pacificação da Guiné (1894) e Moçambique (1895). Participou activamente na preparação da Revolução de 5 de Outubro de 1910 e foi condecorado com o grau de comendador e dois graus de cavaleiro da Torre e Espada;
- Na Área da Política e Administração Pública, vários foram os oficiais oriundos do Colégio Militar que exerceram cargos ministeriais ou de alta administração, quer no Continente, quer nas outras parcelas portuguesas. Por exemplo: o primeiro antigo aluno a ser ministro da Marinha (em 1920 e 1923), o Capitão-de-Mar-e-Guerra Joaquim Pedro Júdice Bicker (1866-1926), heróico combatente da Guiné, condecorado com a comenda da Torre e Espada e a medalha de ouro de Valor Militar; o Vice-Almirante Luiz António de Magalhães Corrêa (1873-1960), cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, governador de Macau e depois ministro da Marinha (1928-1930). Foi ainda Administrador da Zona Internacional de Tânger no período 1945-1948; o Capitão-de-Mar-e-Guerra Vasco António Martins Rodrigues (1917-1983), oficial ilustre com larga experiência administrativa no Ultramar como governador do distrito de Lourenço Marques e, mais tarde, governador da Guiné; o Vice-Almirante Manuel Pereira Crespo (1911-1980), notável professor de Estratégia e Organização do Instituto Superior Naval de Guerra e elemento fulcral da grande reforma da Armada nos anos 1960’s e que veio a ser o último ministro da Marinha (1968-1974); e o Contra-Almirante Vasco Fernando Leote de Almeida e Costa (1932-2010). Militar e político. Comandou a esquadrilha de lanchas da Guiné, serviu no comando naval de Moçambique e exerceu o cargo de governador de Macau. Foi ainda membro do Conselho da Revolução (1975-1982);
- Na Área do Comando Superior da Armada, três antigos alunos do Colégio Militar chegaram ao topo da hierarquia naval: o Vice-Almirante Joaquim Anselmo da Matta Oliveira (1874-1948), notável oficial de estado-maior, autor e publicista de temas de história e estratégia militar, que foi também governador de Macau e Major-General da Armada; o Vice-Almirante Fernando de Oliveira Pinto (1887-1961), combatente de África e da I Guerra Mundial, condecorado com a medalha de prata de Valor Militar e duas medalhas da Cruz de Guerra. Esteve muito ligado à Escola Naval ao longo da sua carreira, que culminou como Major-General da Armada; e o Almirante João José de Freitas Ribeiro Pacheco (1934- …), de carreira multifacetada. Comandou em combate um destacamento de fuzileiros especiais (DFE) na Guiné, foi comandante naval dos Açores, director-geral do Instituto Hidrográfico e director do Instituto da Defesa Nacional. Condecorado com a medalha da Cruz de Guerra.  Exerceu o cargo cimeiro de Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) entre 1994 e 1997.

Muitos outros nomes poderiam ser enquadrados, com igual pertinência e justiça, nesta galeria de antigos alunos do Colégio Militar que se sentiram atraídos pelo fascínio do Mar ao serviço da Pátria. Razões óbvias de espaço disponível não o permitiram, sem que tal significasse qualquer predomínio do valor dos citados sobre os méritos profissionais dos aqui não incluídos. Uma anotação necessária: tratando-se de marinheiros, neste olhar que abarca um horizonte imenso de mais de dois séculos e sabido que a Armada é sobretudo a saga e o reflexo dos homens do mar que a corporizam, não será descabido referenciar, por último, o Capitão-de-Mar-e-Guerra António Alemão de Cisneiros e Faria (1879-1946). Combatente da I Guerra Mundial, notabilizou-se como comandante da canhoneira Beira em operações nas águas de Cabo Verde. Condecorado com a medalha da Cruz de Guerra e a medalha da Distinguished Service Order (DSO) britânica, concebeu e garantiu o acondicionamento e transporte a bordo do cruzador Carvalho Araújo, sob seu comando, do hidroavião Fairey 17 “Santa Cruz”, o que veio a permitir a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, a conclusão da histórica 1.ª Travessia Aérea do Atlântico Sul. Mas o grande prestígio que alcançou, e que perdura na Armada, deveu-se à sua acção como principal responsável pelos extensos trabalhos de conversão de uma presa de guerra alemã, a barca Rickmer Rickmers, no que passou a ser o ícone da Marinha Portuguesa, o navio-escola Sagres, e sobretudo ainda por ter sido o seu primeiro comandante, cargo em que durante múltiplas viagens de instrução se confirmou como um manobreiro exímio e grande inspirador para os vindouros."

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