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sexta-feira, 25 de abril de 2014

COM A DEVIDA VÉNIA

Atualização de estado
De Serafim Silveira Pinheiro
Há 40 ANOS

Depois da demissäo dos Generais Costa Gomes e Spinola , assisti às "manbras" do 16 de Marco e fiquei a aguardar decisäo da Marinha sobre o meu futuro.

Levaram semanas a decidir durante as quais fiquei com tempo para terminar alguns trabalhos domésticos e mais possibilidades de vender apartamentos e terrenos sob a direccäo de camaradas da Marinha numa imobiliária onde por vezes também aparecia o major Otelo Saraiva de Carvalho. Também houve tempo para visitar o antigo CEMGFA que continuava desempregado e com quem passeei horas seguidas no Campo Grande falando do passado muito preocupados com o futuro.

Ano e meio de estreita relacäo profissional e a complexidade dos problemas enfrentados nos ultimos meses tranformou simpatias em Amizade que se estendeu às nossas familias. Näo foram poucas as refeicöes que partilhámos. Foi após um almoco em meados de Abril na casa do General que conheci o capitäo Costa Martins, o qual depois de café e conversa acompanhou o General ao escritório deste. Näo levaram muito tempo a reaparecer. Costa Martins antes de saír disse-me que em breve me telefonaria.

Voltei a encontrar-me com o General uns dias depois porque me pediu para o acompanhar ao Hospital da Estrela para consulta médica. Aí estava o entäo Coronel
Vasco Goncalves o qual enquanto Costa Gomes esteve com o médico se envolveu em cativante conversa comigo e me deixou a impressäo de que andava preocupado com a saude de Maria Estela Costa Gomes. Que ela deveria baixar ao hospital para exames médicos era sua opiniäo. Acabada a consulta fui dispensado de levar o General a casa. Antes de deixar os dois Amigos, Vasco Goncalves com o seu ar bonacheiräo informou-me que o capitäo Costa Martins me diria quando a prima chegaria a Lisboa.

Entretanto a Marinha chamou-me ao servico como se nada tivesse acontecido e fui reencontrar camaradas a navegar em mar chäo. Almada Contreiras, que propositadamente visitei no seu Centro de Comunicacöes, embora tivesse mostrado demasiada pressa na conversa, ofereceu-me olhar cumplice, sorriso de confianca e um "até breve escolinha" que me satisfizeram.

No dia 23 de Abril o filho do General telefonou-me a informar que a mäe estaria no dia seguinte no Pavilhäo da Família Militar e que o pai a acompanharia. Recebida esta mensagem entrei de prevencäo.

Há quarenta anos, há hora a que agora escrevo, tinha regressado a casa depois de um dia sem novidade mas esta chegou-me com nota de que o capitäo António Ramos, ex-ajudante do General Spinola tinha telefonado, accäo que veio a repetir a fim de eu me encontrar com ele na redaccäo do "Jornal do Comércio" às 2200. Assim fiz e lá encontrei o capitäo Costa Martins o qual näo perdeu tempo a abrir uma maleta onde guardava granadas e duas pistolas. Dizendo que ao telefone näo poderia fazer o que estava a fazer entregou-me uma Parabellum muito usada e soprou-me Sinais e senhas. Ordenou-me que näo me fardasse, que quando ouvisse o primeiro sinal às 2255 informasse Costa Gomes de que a prima tinha chegado a Lisboa e que até chegarem forcas às ordens do General teria que o acompanhar, discretamente. Assim fiz. E assim, alguém, no Movimento das Forcas Armadas, conseguiu preservar a pessoa de uma Reserva da Republica da qual veio a ser o Presidente que promulgou a Constituicäo de 1976. 

Por hoje, fico por aqui, para voltar ao presente e tentar saber novidades de Portugal que alguém está interessado em amordaçar...

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