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quinta-feira, 10 de abril de 2014

SANCHES OSÓRIO NOW


O militar lembra que muitos dos que ocupam hoje cargos de relevo na política e na economia vieram das ex-colónias
José Sanches Osório foi um dos seis oficiais que organizaram o golpe de Estado que ocupou o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, na Pontinha, onde esteve até 27 de Abril - e onde ficou imortalizado por uma figura de cera que diz não ter qualquer parecença consigo. Foi porta-voz da Junta de Salvação Nacional até anunciar a constituição do primeiro governo provisório, que integrou como director-geral da Informação e, depois, como ministro da Comunicação Social. Foi fundador do Partido da Democracia Cristã, que esteve ilegalizado durante o PREC e acabou extinto em 2004. Mantém que Paulo Portas é tudo menos democrata-cristão, Passos Coelho não serve e Cavaco é uma fraude.
Vai assistir às cerimónias do 25 de Abril?
Hoje já quase ninguém festeja a Revolução Francesa. Cá, o que estamos a ver em relação ao 25 de Abril é que ninguém sabe o que há-de fazer e então cada um faz uma asneira maior que a outra. José-Augusto França [historiador e sociólogo] respondeu assim a um jornalista do "Expresso" que lhe pediu que resumisse a história contemporânea de Portugal em dez palavras: "Entre Pessoa e Almada, o povo aliás votou Salazar." Não é o que se está a passar, mas é quase. Ninguém sabe o que fazer e o governo, para ter alguém, transfere as comemorações para Grândola. Eu não sei o que terei a ver tão directamente com o canto alentejano... Acho tão curto.
Há uns tempos o Presidente da República disse que era preciso alterar a forma como se celebra o 25 de Abril...
O Presidente da República desconsidera-nos todos os dias, mas os portugueses adoram ser desconsiderados e por isso votaram nele. Eu não votei nele, estou à vontade. E respondo que ele não está interessado em ouvir o que eu tenho a dizer. Deixámos de ser cidadãos, passámos a ser números. E o grave é que não nos importamos com isso.
Porque diz que não nos importamos?
Porque só nos preocupamos com a satisfação das nossas necessidades imediatas.
Para que fez o 25 de Abril?
O programa do Movimento das Forças Armadas foi uma espécie de constituição para um período muito restrito. O que se pretendia, primeiro, era resolver o problema colonial, e isso só implantando a democracia. O segundo ponto era implantar um regime democrático pluripartidário, de tal modo que houvesse liberdade de expressão. Os militares, mesmo estando nós em guerra, tinham tudo a ver com isto, porque foram eles que, em 1926, chamaram o Dr. Oliveira Salazar para resolver o problema das finanças públicas. E desde então até 74, os militares apoiaram o governo em todas as circunstâncias. Pareceu-me lógico que fossem os militares a derrubar o governo. Mas uma coisa é derrubar o governo, outra é, por exemplo, entregar o poder ao único partido organizado na altura, o Partido Comunista Português. Há aí uma diferença abissal. Talvez os militares se tenham iludido com aquela que na altura era conhecida por oposição. Acreditámos que havia forças diferentes do PC e capazes. Afinal eram diferentes, mas não eram capazes.
Alguma vez teve a sensação de ter errado?
Não houve sensação de erro. O grande erro é um erro subsistente, no qual continuamos a laborar. Para que um diplomata, um embaixador, exponha as posições do seu poder político e seja credível naquilo que diz precisa de ter atrás de si uma força militar. Sem isso, pode dizer o que lhe apetecer, ser duro nas palavras e nas expressões, que o resultado é zero. Veja a situação actual, 2014, Crimeia. A União Europeia diz à Rússia, em toda a sua força, que não se atreva, que o que está a fazer é ilegal, e a Rússia está-se nas tintas. Porque a Europa não tem força.
E os Estados Unidos?
Os Estados Unidos não querem. Em política internacional não há, infelizmente para todos nós, solidariedade. Há interesses. E cada estado defende os seus como sabe e pode. Aqui entramos em 74, na descolonização. A descolonização foi horrorosa, mas aponte-me uma que não tenha sido. Não há. É evidente que esta nos dói mais porque foi a nossa.
Teve responsabilidades nela...
Tive, com certeza que tive, estava no Conselho de Ministros e portanto tenho a minha quota-parte de responsabilidade. Mas o que me faltou para que as nossas posições diplomáticas e políticas pudessem ser escutadas, sequer, pelos movimentos independentistas, foi exactamente o poder militar. Ao fim de 13 anos de guerra nenhuma força militar é credível. Veja os americanos no Vietname, no Iraque, veja as tropas aliadas no Afeganistão. Por outro lado, os políticos não se entenderam naquilo a que hoje chamaríamos consenso quanto ao objectivo nacional. Os militares ficaram debaixo de fogo cruzado e perderam a autonomia. O que se fez em termos de descolonização foi um mal menor.
O que mudou entre a sua geração e a geração que está hoje no poder?
Há um conceito muito actual, que é o conceito de narrativa. A minha geração, eu e os camaradas da minha idade, fomos educados numa determinada narrativa, que é radicalmente diferente da narrativa de 2014. A narrativa actual é a do salário, do direito à greve, das horas extraordinárias. Na década de 70 a narrativa era a do bem comum, do serviço público.
Qual foi a narrativa que mediou este tempo?
Não houve narrativa, houve uns objectivos parcelares de sobrevivência. A seguir à Revolução descolonizámos e absorvemos em Portugal mais de 600 mil pessoas. E elas estão aí, não houve nenhuma perturbação maior, não ficaram em guetos. Eu diria até que essas pessoas eram ou são mais empreendedoras, porque têm uma narrativa diferente, e hoje comandam a sociedade portuguesa. O primeiro-ministro não veio de Trás-os-Montes [Passos Coelho tem raízes em Vila Real], veio de Angola [onde passou a infância]. O mesmo se olharmos para a Assembleia da República, as autarquias, as empresas, o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia. E isso altera substancialmente as narrativas e as visões do país.
Isso facilita ou dificulta consensos?
Não há consenso porque não sabemos para onde vamos, vamos para onde calhar. E eu, muito honestamente, e dentro da narrativa em que fui formado, que implicava o sacrifício da própria vida, digo: não sacrifico uma unha por 0,005% do défice. Aliás, não percebo nada disso, estudei Estratégia e estudei História, não estudei Contabilidade. Ou melhor, também estudei, mas o suficiente para saber que esses dados são susceptíveis de, como na culinária, ser cozinhados.
O rumo de alguns acontecimentos, depois do 25 de Abril, era previsível?
Uma revolução é incontrolável. Sempre tive uma posição antimarxista, que mantenho até hoje. Não podia aceitar um pacto que me dizia que Portugal ia a caminho do socialismo. E todos os partidos aceitaram isso e assinaram: PPD, CDS... Dir-me-á que na realidade não era assim, era só uma aldrabice, mas em política quem tem razão fora de tempo perde. Depois houve posições doutrinárias e políticas que se foram afirmando. Paradoxalmente, sendo o meu objectivo o estabelecimento de uma democracia pluralista, nas primeiras eleições democráticas em Portugal não tive direito de voto, era um energúmeno. No 11 de Março era secretário-geral do Partido da Democracia Cristã, ilegalizado, e tive de sair do país senão era preso.
Como olha para o poder militar hoje?
Actualmente o poder militar de Portugal não existe. E a NATO é uma organização internacional que funciona com o dinheiro dos Estados Unidos da América. Sem isso, lá se vai. E na cena internacional as acções militares têm sido americanos e ingleses. O resto, depois tratam de mobilizar as empresas de construção civil para a reconstrução, para o desenvolvimento do export.
Voltando ao caso português...
No caso português, em 1974 tínhamos 120 mil homens em armas. É evidente que 40 anos depois as Forças Armadas deviam já estar completamente reestruturadas. Já não precisamos dos 30 mil homens que temos ou do sistema de armas que temos. Só que para reestruturar é preciso muito dinheiro. Também podemos decidir que não precisamos de Forças Armadas, é uma hipótese.
E precisamos?
Vou dizer uma coisa eventualmente controversa: se calhar o militar português de hoje não está muito convencido de que ao ir lutar para o Afeganistão, por hipótese, está a defender a pátria. Pode dizer-lhe o que quiser, mas ele vai porque ganha dinheiro. Se não ganhar, não vai. Outro aspecto: se calhar as empresas multinacionais de segurança, que estão cotadas na Bolsa de Nova Iorque, têm um papel nesta história. Preenchiam, por exemplo, 35% dos efectivos das Forças Armadas americanas no Iraque. Está a ver a revolução que isto representa.
Que objectivos cumpriu o 25 de Abril?
Ficámos com liberdade. Utilizámos mal a liberdade de que dispusemos - e falo no passado porque hoje já não dispomos dela. Tivemos uma ilusão em relação à União Europeia, que não nos trouxe as vantagens com as quais sonhámos. A conclusão é sempre a mesma: Portugal tinha possibilidade quando comandava a sua moeda. Como diz o Dr. Soares, mas, se o que falta é dinheiro, então faça-se. Simplesmente para isso era preciso que houvesse um espaço federal. Que não há. Não há nem vai haver, porque as nações existentes na Europa não querem e já disseram exuberantemente que não querem. Referendos negativos na Holanda, em França, na Dinamarca... E o que faz o poder político? Acaba com os referendos.
Como estratego e militar, o que acha que vai acontecer na Europa?
Há um perigo iminente de guerra. Achamos que tudo isto se vai resolver, mas não vai. Veja a Crimeia. Ou ainda mais perigoso, a Turquia, que comanda a passagem do Mediterrâneo para o mar Negro, e ninguém sabe se é mais islâmica se vai integrar a União Europeia. Não é simples. Como também não é simples a posição de Portugal, se considerarmos que podemos ser mais um concelho da província de Badajoz. A União Europeia começa aí, mas nas nossas cabeças começava para lá dos Pirenéus. Temos sempre de atravessar Espanha, que não está bem. As coisas não são estáticas, nem se compadecem com o défice.
As eleições europeias podem ajudar a clarificar alguma coisa?
Veja isto: o presidente Hollande foi a Londres. Visitou o primeiro-ministro no n.o 10 de Downing Street, ofereceram-lhe uma cerveja num pub e proporcionaram--lhe uma conferência de imprensa para explicar como era quando ia visitar as amante. A senhora Merkel foi a Inglaterra; visitou o primeiro-ministro no n.o 10 de Downing Street, falou às duas câmaras do Parlamento e foi tomar chá com a rainha. Há uma diferença, não há? O que terão os franceses achado disto? Devem estar revoltados, se conheço alguns. E nós vamos discutir o consenso sobre o défice, o que pensam os deputados sobre o aborto, sobre a eutanásia? Ninguém lhes pergunta, mas eles terão de votar essas matérias. Os países estão-se nas tintas para a Europa, porque já perceberam que da Europa não vem nada. Esta atitude passiva em relação às questões políticas é absolutamente negativa.
Como torná-la activa?
Outro dia ouvi uma comparação que indicava que Paulo Portas tinham muito mais amigos que Cameron no Facebook. Não tem coisíssima nenhuma, está tudo cada vez mais isolado, não há a noção de colectivo. E sobretudo não há dinheiro, e para fazer um partido político é preciso muito dinheiro.
E há ideias?
Isso já era bem bom, mas não há. E também não pode exigir coisa nenhuma, porque não se dá nada em troca. Em 74 havia aquela canção "Angola é nossa..." e havia sempre um tipo que dizia: "Angola é nossa, não. Angola é do nosso cabo." Agora em Luanda a cantiga deve ser "Portugal, é nosso, que o comprámos". E compram, tudo e mais alguma coisa.
Isso é mau?
Os suíços vivem disso há séculos. Nós, se não fosse isso, estaríamos ainda pior.
O que podia mudar as coisas?
Os polícias subirem mais dez degraus [da Assembleia da República].
No dia da manifestação das polícias estava a torcer por isso?
Não, não tinha sido bom. E não sobem. Se eu estivesse no governo, tinha perdido a confiança na PSP, porque é óbvio que estão de conluio. E depois quem se trama é o director, o comandante ou o ministro. Vão sendo sacrificados hierarquicamente dependendo do número de degraus que se sobe. O Miguel Sousa Tavares, com quem não simpatizo porque acho que é um pesporrente imenso, chamou à Assunção Esteves "a Vitória de Samotrácia", bonita mas sem cabeça. Eu não a acho nada bonita...
E cabeça, tem?
É um produto da tal educação, sabe os códigos todos de cor e salteados e adjectiva e inventa palavras. Mas é o que temos.
E com isso nós estamos a...
A inconseguir, é.
Hoje estaria na mão dos militares tomar uma atitude?
Nem pensar, os militares não têm meios nenhuns, todos os meios estão concentrados na Guarda Nacional Republicana. Os militares não farão rigorosamente nada, porque têm a tal narrativa de 2014. Veja que já nem a CGTP-In faz manifestações, deve ter um contrato com o governo, só faz muito ordenadinho. Por isso só há uma maneira, que é convencer os senhores deputados a votarem em consciência. O que é extremamente difícil, porquanto têm o seu posto de trabalho e isso é estar a pedir-lhes que vão para o desemprego. Porque é que a Assembleia da República não toma a iniciativa de passar de 230 para 180 deputados? Não é preciso alterar a Constituição. É como o consenso. Adoramos manifestos, fez-se um. Aí está o consenso pedido pelo senhor Presidente da República, com cidadãos de todas as categorias e de todo o espectro partidário. Ah, mas esse não convém. Então - e voltamos ao José-Augusto França - o que o povo quer não é a democracia. Ou se calhar a Revolução, tal como a democracia, está a passar de moda. Alguma vez pensou que não foi para isto que fez o 25 de Abril?
Uma vez o professor Veríssimo Serrão provocou-me e disse: "Ó Major, não foi para isto que fez a revolução." Por definição, uma revolução não tem agenda, é o que for. Mas é preciso que as pessoas participem. As pessoas foram convencidas a optar pelo mal menor. Votam no Partido Socialista porque é o único que se opõe ao PC, o PC apresenta-se como CDU, Os Verdes, os Amarelos, o PSD não é social-democrata, o CDS não é democrata-cristão, vivemos de embuste em embuste e achamos óptimo.
Vão sem mim que eu vou lá ter?
Essa letra é fantástica. Mas já era o que se passava em 74 com a chamada oposição, tirando o PC. Eram chamados a participar, mas um não podia porque tinha vindimas, outro tinha uns anos em Viseu ou Macedo de Cavaleiros, outros não iam a manifestações porque não estavam interessados em ser presos nos 15 dias seguintes...
Houve essas respostas?
Houve estas respostas.
Quem foi chamado e não compareceu?
Tanta gente... Lembro-me muito mais daqueles que apareceram depois.
Depois como?
Caiu o governo em 74 e os revolucionários, que eram uns tantos, de repente passaram a ser imensos. Os pára-quedistas comprometeram-se a manter a neutralidade, os fuzileiros apoiavam mas ficavam a ver, da Marinha davam o corpo ao manifesto os que são conhecidos, da Força Aérea a mesma coisa. Ou seja, isto foi essencialmente uma coisa do Exército. Mas lembro-me de estar na Cova da Moura rodeado de gente vestida de azul que nunca tinha visto em lado algum. Logo nessa altura perdi a ilusão acerca das pessoas.
Foi rápido...
Eu estava no Exército quando a seguir ao 16 de Março houve uma tomada de posição dos oficiais generais, que ficou para a história como a Brigada do Reumático. Governadores civis, presidentes de câmara, gente importante mandou telegramas ao chefe do Estado-Maior do Exército louvando e solidarizando-se com a posição dos oficiais e apoiando Sua Excelência o Presidente do Conselho. Caiu o governo. Recebi telegramas das mesmas pessoas a solidarizarem-se com o general Spínola, patriota, e por aí fora. As pessoas são assim, vão para um lado ou para o outro dependendo de onde está o tacho.
Que histórias lhe ficaram como lição?
Quando saí do segundo governo provisório, e num Conselho de Ministros presidido pelo general Spínola, disse que o primeiro-ministro Vasco Gonçalves fazia a política do Partido Comunista e que não estava interessado em colaborar num governo nessa circunstância, portanto apresentava a minha demissão. A maior parte dos ministros zangou-se comigo. A atitude do povo português está espelhada na figura do Zé Povinho, que fala com o patrão de chapéu na mão, olhar no chão e diz sim a tudo. Mal o patrão vira costas faz um manguito.
Somos cobardes ou conformados?
Somos cobardes. Aliás, está visto na expressão "agarrem-me senão eu mato-o".
Este governo só sai quando houver eleições?
Se sair. Por mim já deviam ter saído. E não percebo quando me dizem que não há alternativa, porque se a alternativa não resultar também sai. Isto só pode mudar pelo parlamento. Precisávamos de mudar a Assembleia da República. Se cada um de nós for falar com o seu deputado, porque podemos perfeitamente fazê-lo, e porventura até ameaçá-lo... Eu fiz isso.
Fez?
Fiz. Votei no CDS e fui ao grupo parlamentar dizer ao coitado do João Almeida, que ainda por cima agora é secretário de Estado da Administração Interna, que um dia destes saía pela janela.
E ele?
Ele impecável, deve ter ficado a pensar este tipo está sancha, que paciência tenho de ter para aturar esta gente... De vez em quando vou lá almoçar e passo pelo grupo parlamentar do CDS - agora já não passo mais - e digo umas coisas.
Porque é que não passa mais?
Porque já não vou votar. E disseram-me uma coisa muito engraçada... Perguntei a uma das funcionárias: sabe quem eu sou? E a resposta encantou-me. "Sei sim senhor, é o pai do Nuno Sanches Osório." Fiquei orgulhosíssimo. E isto é uma chamada de atenção.
A dizer que já passou de época?
Exactamente, é evidente. Quando eu reduzo os comentários políticos ao Adriano Moreira, ao Mário Soares, ao Medina Carreira, ao Proença de Carvalho, ao Nogueira de Brito... O que quer dizer?
Muitos comparam o tempo actual com o de Salazar. Há semelhanças?
Salazar fez exactamente o que está a ser feito agora, uma União Nacional. O que Cavaco pretende, o que o PSD pretende é uma união nacional, esse é que é o consenso. A União Nacional durou 40 anos. Agora só pagaremos 75% da nossa dívida daqui a 30 anos, bate tudo certo. O Passos Coelho, bem governada a manobra de marketing, ganha as eleições em 2015. As pessoas gostam do tal Salazar e ele cultiva aquela hipocrisia salazarenta. E agora vai ver o PSD a propor Durão Barroso para a presidência, porque as pessoas têm ambições. Ele foi um dos principais responsáveis pela descolonização, ao desestabilizar as pessoas em Lisboa com o nem mais um soldado para África.
Como vê o papel que as pessoas de então têm actualmente?
Era ele secretário de Estado da Cooperação, fui falar-lhe por causa dos reformados do caminho-de-ferro de Benguela, que deixou de pagar pensões e, sem dinheiro, os reformados, que viviam em casas do CFB, deixaram de pagar rendas e foram despejados. Eu estava na altura a trabalhar na UGT e disse-lhe que estar ali a pedir-lhe que intercedesse pelos caminhos-de-ferro de Benguela queria dizer que em 74 eu tinha razão e ele não.

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