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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O COMANDANTE





SEM CLASSIFICAÇÃO
O Bloco de Esquerda quer saber se o ministro da Defesa teve conhecimento da cerimónia fúnebre privada do comandante Alpoim Calvão que decorreu esta quinta-feira de manhã a bordo de uma embarcação da Marinha e com a presença de figuras deste ramo.
A pergunta dirigida ao ministro José Pedro Aguiar-Branco é assinada pela deputada Mariana Aiveca, na qual se refere que Alpoim Calvão é uma figura "controversa da História recente do país", tendo liderado o Movimento Democrático de Libertação de Portugal - "grupo bombista responsável por ataques terroristas contra pessoas e sedes partidárias", descreve a parlamentar.
"Não se percebe a que propósito, ou com recurso a que figura institucional, a Marinha portuguesa procedeu a esta cerimónia de homenagem", em que as cinzas do antigo comandante foram lançadas ao mar, assinala Mariana Aiveca. Caso o ministro da Defesa tenha tomado conhecimento deste ato fúnebre, o Bloco de Esquerda quer saber se anuiu em relação à sua realização.
"Sabendo-se que a Constituição determina que os elementos das Forças Armadas não podem aproveitar-se da sua arma, do seu posto ou da sua função para qualquer intervenção política, como é que o ministro da Defesa encara esta tomada de posição da Marinha Portuguesa sobre uma figura cujos contornos políticos são tão controversos e divisores na sociedade portuguesa?", pergunta ainda Mariana Aiveca.
A cerimónia realizada esta quinta-feira a bordo do navio Corte-Real contou com a presença de familiares, de militares e do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA). Nestas ocasiões, as cinzes costumam ser lançadas ao mar na zona do farol do Bugio. Com esta cerimónia, a Marinha cumpriu “o último desejo expresso do comandante Alpoim Calvão de poder voltar ao mar e honrar, desta forma, a memória de um herói militar que muito dignificou as Forças Armadas e o país”, anunciou em comunicado aquele ramo das Forças Armadas.
O comandante Guilherme Alpoim Calvão, o operacional que comandou a operação Mar Verde, a invasão da Guiné-Conacri no final de 1970 para resgatar prisioneiros de guerra portugueses, morreu no final de Setembro e nas cerimónias fúnebres na altura foi homenageado pelos fuzileiros.
Fonte da Marinha disse ao PÚBLICO que o CEMA tem competência e autonomia para decidir sobre este tipo de cerimónias fúnebres a bordo de meios da Marinha, que pode ser pedido pelos cidadãos e não apenas por militares. E especificou que o navio utilizado estava de prontidão para tarefas de busca e salvamento, não tendo sido preparada especialmente para a cerimónia.
Às críticas à utilização de meios públicos, a Marinha respondeu esta manhã com um comunicado em que “reafirma todo o seu empenho” na distinção ao antigo comandante e lhe tece rasgados elogios, classificando-o como um “líder nato, um patriota”, um “homem com H grande” que no campo de batalha “era respeitado pelos seus homens e muito mais pelo inimigo”

O ETERNO DN
Duas semanas após a morte do comandante Alpoim Calvão, a Marinha embarca hoje familiares, amigos e jornalistas na fragata Corte Real para assistirem à cerimónia de lançamento das cinzas ao mar.

Essa cerimónia do foro privado extravasa as honras fúnebres militares a que Alpoim Calvão teve direito aquando da sua morte, a 30 de setembro, o que provocou estranheza e indignação de várias fontes civis e militares com o que consideram ser mais um exemplo de uso indevido de dinheiros públicos.
A Marinha, cujo chefe do Estado-Maior vai participar na cerimónia, respondeu ao DN que se trata da prestar "a homenagem devida" a Alpoim Calvão "e o cumprimento da sua última vontade!"
"O comandante Alpoim Calvão não é um qualquer cidadão", adiantou o porta-voz da Marinha.

RESPOSTA DA MARINHA

A Marinha é uma organização quase milenar com um sentido de dever e honra, que faz com que preste a mais justa e elementar homenagem a um herói nacional e da Marinha, no seu adeus final. Colocar em questão e utilizar este ato solene para atacar a Marinha é para nós inclassificável. O comandante Alpoim Calvão era um homem com H grande, um português destemido, que em campo de batalha era respeitado pelos seus homens e muito mais pelo inimigo. Após o fim da Guerra o Comandante Alpoim Calvão voltou à Guiné onde foi bem recebido por aqueles contra quem havia combatido e que o consideravam um verdadeiro amigo. Foi dos poucos portugueses que investiu na Guiné e nunca abandonou o seu povo. Era um Homem que não se agachava sob o fogo inimigo, um líder nato, um patriota, um marinheiro que muito nos honrou.
O Comandante Alpoim Calvão é um herói nacional a quem a Marinha reafirma todo o seu empenho em o distinguir com esta última homenagem.

REACÇÃO DO ALMIRANTE NUNO MATIAS

Exmo Senhor Provedor
Li o texto em assunto no DN de hoje e sinto o dever de cidadania de lhe manifestar a mais veemente repulsa pela sua publicação. É que as pátrias, as instituições e os cidadãos enobrecem-se com atos dignos, mas sujam-se com atitudes vis. O Senhor Comandante Calvão dignificou e enobreceu Portugal e a sua história. Aquele escrito hoje publicado serve apenas para tentar aviltar, sem razão, sem sentido e estupidamente um herói nacional.
Servi sob as ordens do Senhor Comandante Calvão e combati a seu lado na Guiné. Aprendi a admirar e a respeitar o seu sentido do dever, mesmo nas situações mais arriscadas, a sua capacidade de sacrifício sem limites e a coragem heroica só própria dos grandes homens. Admirei-o ainda mais quando tomei conhecimento da Operação Mar Verde, onde conseguiu, alem da libertação de 26 presos portugueses, que sofriam as mais indignas condições numa prisão de Conacri, o afundamento de sete lanchas rápidas lança torpedos e de uma lancha de desembarque. Exercer com o feito uma forte coação sobre a Guiné Conacri.
Se o Jornalista Freire for capaz de raciocinar, pense o que teria acontecido, se apenas uma daquelas lanchas de fabrico soviético tivesse afundado um dos nossos transportes de tropas com milhares de cidadãos portugueses a bordo.
Aprendi desde jovem a considerar o "Diário de Notícias" como um jornal de referência. Contudo, escritos como o referido e outros que o seu autor já tem produzido contra a Marinha, obrigam-me a inverter a minha opinião. Constituem um verdadeiro nojo.
Com os meus cumprimentos
Nuno Vieira Matias
Cidadão português e Almirante Reformado

RESPOSTA DO PROVEDOR DO LEITOR
Por mim, gostaria perceber também como é que a Direção do DN aceita a prática de publicar comentários de fontes anónimos, interdita pelo n.º 6 do Código Deontológico, mesmo que tais comentários surjam apresentados como perguntas, com uma sintaxe curiosa, dando a ideia de que só parte da pergunta é ipsis verbis, sendo certo que o jornalista autor da notícia já foi negativamente referido na coluna do provedor do leitor – e voltará a sê-lo, pela recalcitração – pelo recurso às fontes anónimas comentadoras.
Mais gostaria de perceber o critério da Direção do jornal em atribuir 4-colunas-4, de alto a baixo, a um episódio de delapidação de dinheiros públicos – onde até o BES vem à baila – que representa, segundo a verificação do jornalista, um gasto de “290 euros mais IVA” se o lançamento de cinzas fosse feito de veleiro funerário.
Além disso não seria mau que se explicasse a razão por que a acusação preenche todo o lead da notícia e a resposta de fonte identificada só comece a aparecer na segunda coluna. Noutros tempos, o jornalismo utilizava a abertura da notícia para dar a conhecer as duas posições em confronto.
Fique claro que não tenho nem nunca tive qualquer espécie de simpatia, nem sequer contacto com o comandante Alpoim Calvão. Mas simpatizo e luto por um jornalismo de causas que valem a pena e não se consuma em coisas mínimas.
Abraço
Oscar Mascarenhas

PERGUNTAS DO JORNALISTA DO DN

A propósito da cerimónia de lançamento das cinzas do cmt Alpoim Calvão ao mar, gostávamos de colocar algumas questões:

Onde vai ser o local da cerimónia?
Foi pedida autorização para lançar as cinzas ao mar, quando e a quem, ou isso não é necessário?
O NRP Corte-Real fará a viagem propositadamente para a cerimónia?
Qual vai ser o seu custo e quem vai pagar?
Que exemplo dá aqui a Marinha, em relação ao uso de dinheiros públicos?
Já houve outro caso do género?
A Marinha prestou as honras fúnebres devidas ao cmt Alpoim Calvão no seu funeral. Sendo esta uma iniciativa adicional, a Marinha organizará uma cerimónia similar a outro cidadão que manifeste a mesma vontade?

Grato pela atenção
Manuel Carlos Freire

PS: Envio-lhe isto com conhecimento às editoras da seção

EXPLICAÇÃO DO COMANDANTE PAULO VICENTE DO GAB.DO CEMA

"Boa noite Manuel Carlos Freire,

Relativamente às questões que coloca informo o seguinte:
1. A Cerimónia vai decorrer a bordo do NRP Corte-Real, como sabe, efetuada junto à saída da barra de lisboa tal como a vontade expressa pelo Comte Alpoim Calvão;
2. O regime jurídico da remoção, transporte, inumação, exumação, trasladação e cremação de cadáveres, de cidadãos nacionais ou estrangeiros, bem como de alguns desses atos relativos a ossadas, cinzas, fetos mortos e peças anatómicas (Decreto-Lei n.º 411/98, de 30 de dezembro), diz que as cinzas resultantes de cremações podem ser entregues, dentro de recipiente apropriado, a quem tiver requerido a cremação, sendo livre o seu destino final. Ou seja, não existe regulamentação quanto ao destino que cada um pode dar às cinzas;
3. O NRP Corte-Real integra o dispositivo naval padrão, de prontidão a qualquer situação de SAR e quaisquer outras tarefas que lhe forem atribuídas no período de 16 a 23 de Outubro. Não vai portanto fazer esta viagem propositadamente;
4. O custo e o seu pagamento está inserido na missão que vai desempenhar e respectivo orçamento para a atividade operacional da Marinha, que julgo não me ser questionado nestas suas perguntas;
5. Qualquer um poderá recorrer à Marinha para este cerimonial (Despacho 9/99 de Sexa Alm CEMA) . Existem durante o ano vários pedidos que são satisfeitos de acordo com as nossas possibilidades;
6. O Manuel Carlos Freire emite a opinião de que a Marinha prestou as devidas honras ao Comte Galvão no seu funeral. É a sua opinião;
7. Permita-me que clarifique a da marinha, se na verdade qualquer cidadão poderá manifestar esta vontade, o Comte Alpoim Calvão não é um qualquer cidadão. Foi um oficial que entre inúmeras condecorações, recebeu o distintivo da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e era Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, com Palma, que como sabe diz respeito a Méritos excecionalmente distintos no exercício das funções dos cargos supremos dos órgãos de soberania ou no comando de tropas em campanha, a feitos excecionais de heroísmo militar ou cívico e a Atos e ou serviços excecionais de abnegação e sacrifício pela Pátria e pela Humanidade;
8. Pergunta o Manuel Carlos Freire: Que exemplo dá aqui a Marinha, em relação ao uso de dinheiros públicos?
9. A Marinha responde: A homenagem devida e o cumprimento da sua última vontade!

Com os melhores cumprimentos,

Paulo Rodrigues Vicente
Comandante"

3 comentários:

PSC disse...

A sra. METE NOJO, SRA DEPUT...!

speedy disse...

Gostei da atitude do CEMA. Espero que em breve haja um Curso da Escola Naval cujo Patrno seja o Comandante Alpoim Calvao

totalylouco disse...

Triste país o nosso que não honra os seus heróis e muito menos os nossos militares.

Infelizmente a culpa acaba por ser um pouco de todos que deixamos que isto chegue a este ponto.