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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O COMANDANTE


Assunto:: Tributo ao Comandante Alpoim Calvão


Com a devida vénia]

Hoje fiquei na dúvida entre vir para o escritório ou ir directo ao Aeroporto comprar um bilhete de avião só de ida para um destino qualquer, não importa qual, mas longe daqui, e não mais voltar.
É o que me apetece de há uns tempos largos a esta parte.
Confesso que fiquei arrasado, embora não me deixe abater facilmente, quando tomava o meu pequeno-almoço, com a TV no Canal 1 para ouvir, como sempre, se alguma coisa de novo tinha acontecido, e dou com esta notícia:
- "Morreu Alpoim Galvão. Alpoim Calvão foi o fundador do MDLP e o responsável pela destruição e incêndio de várias sedes do PCP pelo País fora no Verão Quente de 75 e o coordenador da tentativa fracassada de invasão da Guiné Conacri para resgatar prisioneiros de guerra".

Todas as nações têm direito aos seus heróis nacionais, menos Portugal.
Os novel países de África têm os seus heróis da Guerra Colonial: Angola tem, Moçambique tem, a Guiné tem.
Todos eles são respeitados, até por Portugal, e quando um qualquer alto dirigente de Estado se desloca a esses países presta-lhes homenagem. Menos Portugal em relação aos seus – já nem digo heróis – ex-combatentes, vivos ou mortos.

Ou seja: a única coisa que a redacção da RTP 1, de onde saem as notícias lidas por um pivot qualquer, neste caso uma pivot, teve para dizer sobre o Alpoim Galvão foi aquilo, para mais com um erro gravíssimo de propaganda político-ideológica, que foi o de dizer:
- primeiro, que o resgate de 20 e tal prisioneiros de guerra em Conacri foi uma tentativa de invasão desse país, quando não foi e só a propaganda complexada de esquerda a que temos de assistir diariamente nas TV e a ignorância inaceitável generalizada que este "lugar, ainda por cima mal frequentado" alimenta, justifica uma bestialidade destas;
- segundo, que foi fracassada, como se a chamada Operação Mar Verde em finais de 70 não tivesse sido um êxito total e, pode dizer-se, como já alguém que lida com estes temas a sério mo disse, um 'case study' internacional de operações e estratégia militar.

O maior erro em que uma análise crítica da história pode incorrer é tentar dar uma visão das coisas e dos factos segundo critérios actuais do momento em que é feita e não segundo os critérios que na altura da verificação desses factos e situações históricas existiam e construíam os padrões de comportamento, os momentos históricos dominantes de regime, de sistema e ideológicos; em suma, fora do espaço e do tempo em que existiram.
Desse erro, que é claramente intencional, nascem as bestialidades como a que a pivot do noticiário transmitiu.

O Alpoim Galvão foi, seguramente, um dos militares mais condecorados da história militar Portuguesa e, em particular, da Guerra Colonial e por actos em combate, tal como os outros heróis de outras nações com direito a serem respeitados e aclamados. E acreditava no que fazia e regia-se pelas regras, normas, princípios e sistema político e de organização Político-Administrativa do País, que na altura o orientavam.
E é na base desses princípios e regras do Sistema que ele pode e deve ser olhado, como herói, grande combatente, como outros, de que nos devemos orgulhar e não envergonhar.

Portugal tem vergonha da parte da sua história contemporânea que passou pela Guerra Colonial.
O Sistema actual, por complexo, por submissão complexada, por estupidez, por ignorância e má-formação colectiva, por manipulação política e ideológica inaceitável, evita e ignora quem por lá passou e deu a sua juventude por ela sem grande contra-partida, como se vê, e, alguns, a sua vida, por esses valores.
Conheci alguns e até tenho um grande amigo, mais novo, AA, cujo pai foi barbaramente morto em combate e que o MFA e o Governo da altura tudo fizeram para não darem a pensão de sangue à mãe e assim esteve e a isso se sujeitou por uns largos anos, até o Ramalho Eanes ter posto os pés à parede e ter exigido justiça.

Pobre país este!
O Alpoim Calvão foi muito mais do que o que aquela ignorante disse hoje no telejornal.

A única coisa que lamento na minha vida é o tempo, pois quanto ao resto voltava a fazer tudo rigorosamente como fiz; é o tempo passado que não me traz de volta os meus pais e os meus irmãos; é o tempo que não me traz de volta os meus 20/30/40 anos.

Ah, se eu tivesse esses 20/30 ou 40 anos e estivesse nessas idades a viver este triste vendaval em que esta terra está mergulhada, o que eu não era capaz de fazer...

(Lupi Fialho, ex-aluno do Colégio Militar)


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Cemitério dos Olivais: Última homenagem ao comandante Alpoim Calvão (1937-2014), por uma Companhia a três pelotões de Fuzileiros, com ternos de clarins.
Fotos e legendas: © José Marcelino Martins (2014).

Companhia a três pelotões de Fuzileiros, com ternos de clarins

Aproximação do Estandarte Nacional, à Guarda do Corpo de Fuzileiros

Continência à Bandeira

Estandarte Nacional integrado na Guarda de Honra

A força em posição de "Funeral Armas" à aproximação do féretro (1)

A força em posição de "Funeral Armas" à aproximação do féretro (2)

Cortejo fúnebre - o carro que antecede o carro fúnebre, transporta as insígnias do falecido

Um pelotão procede às Salvas da Ordenança - 3 Descargas (1)

Um pelotão procede às Salvas da Ordenança - 3 Descargas (2)

Um pelotão procede às Salvas da Ordenança - 3 Descargas (3)

Transportadas por dois Oficiais Subalternos, as Condecorações, o Bicórneo, a Espada e a Boina de Fuzileiro

Urna transportada por Fuzileiros, à entrada para o crematório

Destroçar da Força

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