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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

BRAVO


A anexação do Instituto de Odivelas Infante D. Afonso ao Colégio Militar, em Lisboa, tem suscitado a maior controvérsia nos meios académicos, militares e políticos. Esta eventual junção, apresentada como inevitável dentro do contexto de uma política economicista, desvirtuará os estabelecimentos de ensino, bem como a base dos projectos, particularmente da instituição de Odivelas, também importante instrumento de política externa porque forma alunas oriundas de países de língua oficial portuguesa, futuros quadros superiores e decisores desses países, seguramente determinantes nas relações sociais, económicas, culturais e, porventura, também políticas entre os Estados que falam a mesma língua.
Mas a perspectiva de anexação do Instituto de Odivelas no Colégio Militar levanta vozes dissonantes no seio da própria coligação que suporta o governo. O tema gerou grande mobilização contra a junção que começou com uma petição pública para ser debatida na Assembleia da República.
Ontem, José Maria Pignatelli, independente eleito pela coligação "Em Odivelas, primeiro as Pessoas" apresentou uma proposta no decurso de uma Assembleia da segunda maior freguesia do País, Odivelas, no sentido da manutenção do Instituto de Odivelas, como um estabelecimento de ensino de referência nacional e internacional, mantendo-se no Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo.
Passamos a transcrever a proposta:
Começo por citar a Professora Margarida Cunha:
«Há uma escola em Portugal que defende a qualidade, o rigor e a exigência;
Há uma escola em Portugal que há 112 anos alia tradição e inovação;
Há uma escola em Portugal, fundada em 1900, com um propósito inicial nobre e social: educar e formar meninas e jovens órfãs de militares;
Há uma escola em Portugal com alunas, filhas de militares e de civis, provenientes de meios socioeconómicos e geográficos muito diversos;
Há uma escola em Portugal onde valores como o dever, a honra, a disciplina e a responsabilidade são praticados diariamente;
Há uma escola em Portugal que há décadas possui estudos acompanhados, apoios educativos e atividades extracurriculares reconhecidas em Portugal e no estrangeiro;
Há uma escola em Portugal com sucesso escolar e com resultados nos exames nacionais e provas de final de ciclo muito acima das médias nacionais;
Há uma escola em Portugal onde se vive o lema das antigas alunas: SER AMIGA É SER IRMÃ;
Há uma escola em Portugal que tem no seu hino e na sua prática o ideal da VERDADE;
Há uma escola em Portugal que tem como divisa: DUC IN ALTUM – Cada vez mais alto!». Fim da citação.
«Há uma escola que interessa a Portugal acarinhar e incentivar, e da qual têm saído mulheres que têm prestado relevantes serviços ao País nas diversas áreas da cultura, das artes e das ciências...», afirmou o Presidente da República, por ocasião da Comemoração do 110.º Aniversário do Instituto de Odivelas, a 14 de Janeiro de 2010.
Essa escola é o Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso.
O Instituto de Odivelas é escola há 112 anos. Foi fundado precisamente em 1900 pelo Infante D. Afonso de Bragança e, é hoje um estabelecimento de ensino - ainda que dependente do Estado-Maior do Exército – que forma e educa filhas de militares, de militares da Guarda Nacional Republicana, da Polícia de Segurança Pública de todas as patentes, e da comunidade civil.
A instituição é também reconhecida como um importante instrumento de política externa porque forma alunas oriundas de países de língua oficial portuguesa, futuros quadros superiores e decisores desses países, seguramente determinantes nas relações sociais, económicas, culturais e, porventura, também políticas entre os Estados que falam a mesma língua.
Assim é: a ligação entre alunas perdura por décadas, muito por força das características do projecto de ensino do Instituto de Odivelas que vai para além do estudo e aprendizagem, mas antes se enquadra num âmbito pedagógico com horizontes sociais precisos e em áreas curriculares universais.
Este ano lectivo, frequentam o Instituto de Odivelas 281 alunas que se preparam em diversas valências.
A instituição -que funciona em regime de internato e externato - promove cursos com as competências essenciais e as orientações programáticas e metodológicas fixadas pelo Ministério da Educação. Também ministra sólida formação humanística e técnica de forma a facultar às alunas os conhecimentos e a cultura indispensáveis à frequência do ensino superior e, se for caso disso, ao ingresso nos cursos de formação dos Quadros Permanentes das Forças Armadas.
Ao Instituto de Odivelas é-lhe reconhecida capacidade na gestão de um espaço com quase 6 hectares, da maior importância na zona histórica da cidade de Odivelas.
É inquestionável que à instituição se deve a maior dinâmica daquela área urbana, com influência directa no comércio e serviços locais, bem como, mais recentemente ao apoio de alguns eventos de carácter sociocultural.
Sabe-se que a sua capacidade tem crescido e ainda se encontra distante de esgotada, porventura a carecer de interacção maior entre a instituição e a comunidade.
E às suas antigas alunas todos podemos agradecer trabalho social meritório, particularmente no que resulta do Banco Alimentar Contra a Fome.
Pelo que se expõe, porque a cidade antiga de Odivelas ficaria sujeita à desertificação e ao anonimato e porque não foi anunciada qualquer alternativa para a utilização do espaço que integra Património Cultural do Estado configurado numa obra gótica de relevo na área metropolitana de Lisboa, entende-se:
I. Que a personalidade e o estatuto do Instituto de Odivelas só fazem sentido no espaço a que se vincularam, o Mosteiro de S. Bernardo e S. Dinis, de Odivelas;
II. Que só o Instituto de Odivelas encerra actualmente competência para preservar o Mosteiro de Odivelas, num momento de crise que se agudiza e se prolonga;
III. Que será contraproducente que o Instituto de Odivelas Infante D. Afonso venha a ser integrado no Colégio Militar, em Lisboa, saindo da cidade de Odivelas, 112 anos depois de ter sido fundado;
IV. Apoiar a Petição Pública contra o não encerramento daquele estabelecimento de ensino em Odivelas.
A proposta será enviada ao Presidente da República, aos Líderes das Bancadas dos Partidos com assento na Assembleia da República, ao Primeiro-ministro, ao Ministro da Defesa Nacional, ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, ao Chefe do Estado-Maior do Exército, ao Director do Instituto de Odivelas Infante D. Afonso e à Presidente da Câmara Municipal de Odivelas.

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