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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

BRAVÔ

O projecto «New insights into mutable collagenous tissue: Correlation between the microstructure and mechanical state of a Sea-Urchin ligament», desenvolvido no Instituto Nacional de Engenharia Biomédica (INEB), sob coordenação de Mário Barbosa, valeu a Ana Ribeiro duas distinções científicas – o Prémio Pulido Valente Ciência 2012 e o Daniel Jouvance, do Institut de France Foundation, que foi entregue ontem em Paris. O estudo foi publicado na PLOS One. Com o valor de quatro mil euros, o Daniel Jouvance destaca anualmente um jovem cientista que trabalhe em biologia, química ou biotecnologia marinha ou em oceanografia aplicada ou fundamental. Segundo o comunicado oficial o prémio foi atribuído a esta investigadora pela qualidade do trabalho, pela utilização da biodiversidade e, também, pela abordagem de um modelo experimental original.

Ana Ribeiro estuda a nanoestrutura do ligamento depressor do compasso (CDL), um tecido de colagénio mutável (MTC) característico dos equinodermes, como o ouriço-do-mar, e utiliza-o como modelo para a regeneração de tecidos aplicada à medicina humana. Esta abordagem biomimética centra-se nas propriedades únicas do MTC já que a sua existência constitui um elemento chave que explica as capacidades de regeneração dos equinodermes.

Para Ana Ribeiro o foco principal é tentar “compreender quais os mecanismos subjacentes à mutabilidade dos tecidos (MTC) e quais as moléculas responsáveis pelo seu dinamismo“. Segundo explica, “os MTC são capazes de alterar as suas propriedades mecânicas (rigidez, resistência à tração, e viscosidade) num curto período de tempo”. Este fenómeno, designado por mutabilidade, é iniciado e governado pelo sistema nervoso do animal através da secreção de proteínas que alteram as forças de coesão entre as fibrilas de colagénio que compõem o tecido. “Há um conjunto de proteínas entre as fibrilas (de colagénio) que poderão ser a chave do processo”, refere Mário Barbosa.

Segundo o investigador, “existe uma grande semelhança na estrutura, composição química bem como propriedades biomecânicas do tecido destes equinodermes quando comparado com os tecidos conjuntivos dos mamíferos”. No entanto, a maior parte dos biomateriais actualmente desenvolvidos e utilizados não conseguem adaptar-se ao ambiente estruturalmente dinâmico que caracteriza os tecidos e órgãos naturais.

Tratamentos anti-envelhecimento

A equipa do INEB quer compreender a forma como fibrilas e as proteínas envolvidas no processo de coesão se organizam e são controlados para, dessa forma, desenvolver biomateriais com propriedades mecânicas dinâmicas à base de colagénio. Este último é um material já muito aplicado em intervenções médicas, nomeadamente em cirurgia estética, mas não só.

Para Mário Barbosa “existe um potencial real para a utilização desses biomateriais dinâmicos” que poderão ir desde a “regeneração de tecidos conjuntivos e tecidos de cicatrização” até a “aplicações cosméticas” que envolvem tratamentos anti-envelhecimento de forma a combater o envelhecimento cutâneo que se caracteriza pela degeneração das propriedades da pele como a flacidez e as rugas faciais.

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