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quinta-feira, 30 de maio de 2013

ÁS ARMAS



O coordenador da comissão de acompanhamento da reestruturação dos colégios militares afirmou hoje, no parlamento, que estes estabelecimentos "não são nem nunca serão autossuficientes", porque esse é um cenário "impossível e inviável".
"Terão que ter sempre uma parte de incentivo público. Tem que haver um compromisso de financiar uma parte deste ensino, isso parece-me óbvio", afirmou o coordenador da Comissão Técnica de Acompanhamento da Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de ensino não superior, Joaquim Azevedo, numa audição na Comissão de Defesa da Assembleia da República.
Quando a reforma das instituições militares foi anunciada pelo Ministério da Defesa, as associações de pais e antigos alunos destes colégios vieram a público apresentar propostas de financiamento alternativas que, garantiam, rentabilizariam as instituições militares ao nível das outras escolas do sistema geral.
Hoje, na comissão parlamentar, Joaquim Azevedo garantiu que a comissão de acompanhamento "não recebeu nenhuma proposta específica" e declarou-se muito cético, por exemplo, relativamente à capacidade do Instituto de Odivelas, com encerramento anunciado para 2016, de reverter necessidades de financiamento público anual na ordem dos três milhões de euros.
O coordenador da comissão de acompanhamento acrescentou que as propinas pagas pelos pais apenas cobrem entre 20 a 25% dos custos totais, e admitiu que não faria sentido, na atual conjuntura económica, propor um aumento das mensalidades.
Joaquim Azevedo reconheceu que o fim do ensino diferenciado e a passagem para o modelo de internato misto "é uma opção política", mas sublinhou que não encontrou, do lado dos pais, qualquer justificação para contrariar a mudança, até porque quando questionados sobre as razões que os levam a inscrever os filhos nas instituições militares, "raramente o ensino diferenciado é apontado como uma razão para a escolha", dando-se primazia à qualidade do ensino, por exemplo.
O responsável da comissão de acompanhamento sublinhou que não existe, entre o Instituto de Odivelas e o Colégio Militar, um projeto de ensino verdadeiramente diferenciado, e que são muitas vezes "questões emotivas e corporativas" a sobreporem-se aos argumentos "racionais" que fundamentam a oposição à alteração de modelo.
"Há claramente um desconforto muito grande com as mudanças, mas não há nenhum obstáculo em cima da mesa que diga que as coisas têm de ser assim [que têm de permanecer inalteradas]", disse Joaquim Azevedo, que adiantou ainda que há já 70 inscrições de meninas para integrar o regime de externato do Colégio Militar, a partir do próximo ano letivo.
Joaquim Azevedo afirmou que nunca foi objetivo da reestruturação "interferir na matriz educativa" dos colégios militares, porque "se trata de projetos importantíssimos para o país", mas sublinhou que "há medidas de racionalização que não se podem evitar".
Ainda que reconheça que "os projetos educativos são bons" nos colégios militares, o coordenador da comissão de acompanhamento frisou, no entanto, que não têm sido suficientemente atraentes para captar jovens e que nos últimos anos estes estabelecimentos têm vindo a perder alunos.
Daí que esteja em marcha uma campanha de divulgação, em Portugal e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), realizada através do corpo diplomático, com o objetivo de "recrutar alunos no mercado internacional", porque não se pode limitar o acesso a alunos portugueses, declarou Joaquim Azevedo.

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