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segunda-feira, 13 de maio de 2013

MAIS UMA





>
>Caro Professor José Pacheco Pereira,
>
>Um Despacho do Ministério da Defesa Nacional extingue o Instituto de
>Odivelas ­ Infante D. Afonso, fundado a 14 de janeiro de 1900 pelo
>Infante D. Afonso, irmão do rei D. Carlos.
>O Instituto de Odivelas (IO), de acordo com este Despacho, ³funde-se² no
>Colégio Militar.
>
>
>Sei que há grandes dramas sociais e enormes injustiças em Portugal para
>lá dos media e do frenesim do momento imediato e mediático e que não é
>politicamente correto defender escolas que, à partida, muitos acham de
>³elite², ou nas palavras do Sr. Ministro Aguiar-Branco, de casta.
>
>O Instituto de Odivelas funciona nas instalações que incluem, em parte, o
>monumento nacional que é, desde 1910, o Mosteiro de S. Dinis e S.
>Bernardo de Odivelas, fundado em 1295 pelo rei D. Dinis e doado às
>freiras bernardas da Ordem de Cister.
>
>O Instituto de Odivelas - Infante D. Afonso há mais de 100 anos que
>cuida e conserva primorosamente tal monumento com mais de 700 anos de
>história e morada eterna do rei D. Dinis. As alunas estudam nele,
>brincam nele e respeitam-no. Sem graffitis ou intervenções da Parque
>Escolar. É uma escola pública onde se pagam mensalidades calculadas em
>função do IRS, mas não é uma PPP!
>
>Os monumentos nacionais e outros, como saberá muito bem, implicam
>despesas e mais despesas em prol da identidade histórica nacional. E são
>tantos aqueles a necessitar de intervenção urgente!
>
>Visitei na Páscoa o Convento de Santa-Clara-a-Nova, em Coimbra, morada
>eterna da Rainha Santa Isabel. Que trabalhos e dificuldades enfrenta a
>Confraria da Rainha Santa Isabel! Que diferença entre, por exemplo, o
>claustro daquele convento e o claustro Principal ou o claustro da Moura
>do Mosteiro de Odivelas.
>
>É que proteger o IO é uma espécie de ³2 em 1²: o Mosteiro de Odivelas e o
>Instituto de Odivelas - Infante D. Afonso, muito mais "rentável" do que o
>³2 em 1² que levará inexoravelmente à extinção do IO e do Colégio
>Militar. Este último tem 210 anos e é a segunda instituição de ensino
>existente há mais tempo em Portugal, (a primeira é a Universidade de
>Coimbra).
>
>Figuras públicas e políticas, da nossa vida nacional têm defendido o IO:
>João Soares, Morais Sarmento, Medina Carreira, Fernando Seara...
>
>Apelo a que que conheça as questões pertinentes que o PCP coloca ao Sr.
>Ministro da Defesa Nacional:
>
>
>
>Como se compreende que no século XXI se pretenda fechar uma instituição
>centenária que tanto deu a Portugal? Na monárquica Inglaterra tal seria
>impensável! Na França republicana não se questiona a existência da
>Maison d¹ Éducation de La Légion d¹Honneur!
>
>Agora tenho de fazer uma declaração de interesses: sou professora de
>História no IO há 22 anos. Tenho uma filha no IO e outra candidata ao 5.º
>ano que o Despacho impede de ser admitida. Evidentemente, estou em casa e
>em causa própria! Mas eu e as minhas filhas não somos "brâmanes". A minha
>filha convive com colegas de muitas proveniências e situações
>sociofamiliares. Não vive num ghetto privilegiado. Nunca assim foi no IO,
>desde 1900. A título de curiosidade veja-se a diversidade, desde filhas
>de militares órfãs e não órfãs, filhas de civis, internas e externas,
>brancas e pretas, cristãs e muçulmanas, filhas de oficiais, de polícias e
>de sargentos, filhas de licenciados e filhas de cozinheiras. E ainda, a
>filha de Otelo Saraiva de Carvalho ou a mãe de Marcelo Rebelo de SousaŠ A
>minha professora primária, antiga aluna do IO, era filha de um ferreiro
>republicano de Odivelas.
>
>Mas mesmo que não tivesse nada a ver com o IO, não poderia ignorar o
>contributo desta escola para o Portugal positivo e permanente que
>sobreviveu, enquanto instituição sólida e válida, à I República, ao
>Estado Novo e ao PREC.
>
>Eu não sou do mundo do jogo político ou de táticas e estratégias, ao
>sabor de sondagens, do calendário eleitoral, de interesses pouco públicos
>mais velados ou mais descarados, se a expressão me é permitida. Eu sou do
>mundo do país real. Conheço bem o meu país e dou-o a conhecer às minhas
>filhas e às minhas alunas. As meninas de Odivelas são um valor nacional.
>
>Quanto à reforma do IO/CM/IPE, há propostas das associações de antigos
>alunos e de antigas alunas e das associações de pais e encarregados de
>educação. O trabalho que o Coronel José Serra, atual Diretor, tem feito
>no IO tem sido excecional: a Comissão da Defesa Nacional da Assembleia da
>República constatou-o eŠ bateu-lhe palmas!
>
>Apelo a que conheça o trabalho hercúleo que associações de antigas alunas
>e de antigos alunos, de pais e de encarregados de educação vêm
>desenvolvendo, concluindo que facilmente e a curto prazo se atingirá a
>sustentabilidade económica das escolas em separado.
>
>Apelo a que conheça a opinião, agora cautelosa, de Marçal Grilo que
>presidiu a uma comissão de trabalho para a reforma do CM/IO/IPE.
>
>Há anos que as alunas do IO são medalhadas e premiadas pelo seu mérito,
>trabalho e esforço. Entram nas universidades e na vida ativa e tornam-se
>cidadãs reconhecidas pelo seu método, organização, espírito de equipa,
>pelas suas qualidades científicas, técnicas e humanas.
>
>O Projeto Educativo do IO é válido. Convido-o a visitar o site do IO.
>
>
>Um simples capitão afirmou em 1903: ³O Instituto é um estabelecimento de
>largo futuro e bem merece a proteção de todos os militares e poderes
>públicos".
>
>Cavaco Silva afirmou; ³O (...) Instituto de Odivelas é uma instituição de
>elevada credibilidade, que interessa a Portugal acarinhar e incentivar, e
>da qual têm saído mulheres que têm prestado relevantes serviços ao País
>nas diversas áreas da cultura, das artes e das ciências, fazendo votos
>para que continue a preservar e honrar a sua história, as suas tradições
>e os seus princípios.² (Discurso do Presidente da República Professor
>Doutor Aníbal Cavaco Silva, aquando do 110.º Aniversário do Instituto de
>Odivelas, a 14 de janeiro de 2010. Página Oficial da Presidência da
>República Portuguesa).
>
>O preconceito e a ignorância que norteiam alguns políticos levam-nos a
>tomar medidas para ³inglês ver², julgando que se vive no IO ²à grande é à
>francesa², ignorando o passado, apenas dele se servindo para a eterna
>³lição² dos discursos de ocasião, de pompa e de circunstância, ou para
>expressões históricas das quais pouco ou nada conhecem. Não sabem,
>também, que existe numa cabeceira gótica que sobreviveu ao terramoto de
>1755, a escultura de alabastro de Nossa Senhora da Conceição oferecida,
>em 1900, pela rainha D. Maria Pia às alunas; não sabem da riqueza que é o
>património histórico, artístico e educativo Mosteiro de
>Odivelas/Instituto de Odivelas.
>
>Por formação pessoal e profissional, seguirei os meus dias com o lema que
>adotei e no qual acredito: "A memória cativa as coisas num lugar fabuloso
>que é onde mora a esperança." (Agustina Bessa-Luís).
>
>E não pode ser de outra forma!
>DUC IN ALTUM!
>Grata pela atenção dispensada,
>Cumprimentos,
>Margarida Cunha

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