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segunda-feira, 5 de abril de 2010

ORA TOMA!


Caro Senhor
Dr. Miguel Sousa Tavares

O Dr Miguel Sousa Tavares é hoje em dia uma das personalidades mais respeitadas e influente da opinião publicada.
Duma maneira geral aprecio bastante aquilo que escreve à cerca da  situação política, ética e económica do nosso Portugal.
 Recordo com muito prazer a sua posição, relativa ao eventual reordenamento do porto de Lisboa e ao processo do terminal de contentores de Alcântara.
Retenho no entanto as posições que tem manifestado contra os Submarinos, nomeadamente um artigo já antigo  em que os SS seriam para brincar com as Fragatas Anti/Submarinas e mais recentemente o do ultimo sábado “ Submarinos ao Fundo”, no Expresso.
Como CAlm reformado e pouco habituado a polémicas eventualmente públicas ,faço parte do conjunto do Povo que , normalmente cala-se e não diz nada. Fui no entanto sensível à sua referência de um convite , para juntamente com o Prof.Adriano Moreira, participar numa visita à Marinha, onde se procurou justificar, para si, o injustificável...

Vou assim admitir , porventura erradamente , que as razões apresentadas não foram elucidativas, pelo que vou arriscar dar-lhe mais algumas noções fundamentais quando se pondera navios submarinos, sensores e armas submarinos. Se achar que já sabe do assunto, não leia mais , não perca mais o seu precioso tempo e deite este modesto escrito,fora!

Vamos então àquilo que me parece útil recordar-lhe ou apresentar-lhe como novidade.

1º- No meio aquatico  , apenas a forma de energia acustica ( o Som) de baixas frequências , se propaga a distâncias Kilométricas.

2º- O modo de propagação electro-magnético que está associado às comunicações fixas e móveis ( por “links” em terra e via satélite), sistemas de detecção passivos e activos, radares, radiação térmica que tão bem se propaga na atmosfera e no vácuo, é rápidamente absorvido quando encontra a água, e se emitido dentro dela em breves metros desaparece. Tem uma faceta boa, que é aquecer a água, comportamento que bem aproveitamos com o aquecimento da água dos oceanos e mais familiarmente  com os conhecidos micro-ondas.

3º-Deste modo, a capacidade de detectar e posteriormente localizar corpos, à superficie do mar, em terra, na atmosfera e no vácuo é possivel com sistemas electro-magnéticos, sejam eles passivos ou activos, mas dentro de água só o som funciona.

4º Assim sendo, uma plataforma/veículo que se desloque abaixo dos 50 metros da superfície do mar, só pode ser efectivamente detectado e mais tarde localizado por sensores acústicos instalados em veiculos dentro de água, por sensores mergulhados a partir de navios à superficie ou a partir de plataformas a pairar sobre a água. Os modos a utilizar podem ser activos( dar um grito e ouvir um eco se houver objecto reflector) ou passivos ( registar todos os ruidos detectados ,registá-los, fazer a sua análise espectral, comparar com dados registados em bancos de dados) , a solução muitíssimo mais utilizada pois ,nós SS, continuamos indetectados.


Há outras soluções ,dominadas por Americanos e Russos, mas todas elas tem de comum a utilização do registo de sinais acústicos e em casos pontuais a assinatura magnética dos veículos em causa. Deixemos essas soluções , para quem tem aparelho nacional  industrial-militar , a  produzir SS de propulsão e ogivas nucleares.
5º. Outro conceito a recordar tem a haver com a velocidade de propagação do som nos corpos e com a alteração da sua direcção de propagação , quando a vibração mecânica ( o som - na mesma direcção da propagação) atravessa volumes de matéria de diferentes densidades.
Apenas para ilustrar que sendo a velocidade de propagação do som, função da densidade da matéria(Ex. Ar =340m/s, Água=1500m/s, Ferro=5000m/s), quando certo meio ambiente tem diferentes  densidades a refração e muitas vezes a reflexão,  são fenómenos sempre presentes.

6º Sucede que as bacias hidrográficas da nossa ZEE, na sua maioria com profundidades abissais (4500/5000m) tem um perfil da velocidade do som ao longo da coluna de água, afectado pela temperatura,salinidade e pressão hidrostática, que provocam regulares “Zonas de Convergência”, a dezenas de Kms do ponto gerador da pressão sonora e simultaneamente têm um canal de velocidade mínima onde ocorre uma convergência dos “barulhos” produzidos à superfície e no seu interior.

7º - Perante esta realidade do nosso planeta Terra, ter a possibilidade de andar um periodo prolongado ( mais de uma semana) debaixo de água, movido por um propulsor eléctrico ( que faz muito pouco ruido) a escutar os “ barulhos ruidosos” de tudo o que navega à superficie mas cujo propulsor roda dentro de água, é uma vantagem muito assinalável para um País arquipelágico como Portugal, enquanto não houver um Governo Global Democrático ,que nos oriente e lidere contra seres externos não- amistosos.

8º- Por ultimo deixo-lhe a reflexão sobre qual será ,em situações realistas ,a melhor maneira de infiltrar em terreno adverso uma equipa de 5/10 homens para observar o que não sabemos e que gostaríamos de...no caso de não poder ir a pé desde o território nacional.

Não sei se o convenci a mudar de opinião, mas se teve paciência para ler esta  curta missiva pedia-lhe para me dizer , se não é uma capacidade invulgar dispôr de um meio prácticamente indetectável. Apenas um grande senão! O Governo que tomou a decisão não respeitou a regra da sabedoria naval, que para ter UMA coisa Operacional em permanência, são precisas TRÊS. Contudo disse ..., na altura, que quando possível , o assunto seria equacionado...

Com toda a consideração,  junto os meus cordiais cumprimentos.


José Luís Gonçalves Cardoso

C/Almirante (R)



























1 comentário:

Anónimo disse...

Bravo , senhor Almirante.

Estivemos juntos e eu conheço a integridade do senhor