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domingo, 18 de abril de 2010

ORA TOMA!

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            Exma. Senhora
            Directora do Jornal “Público”



Refiro o texto “Portugal potência naval” publicado nesta secção do jornal no passado dia 16 de Abril, da autoria do leitor Manuel Silvério. Um desconchavo completo , tanto na  forma soez como trata os almirantes portugueses, quanto  à ignorância que revela , disfarçada em sarcasmo, sobre os meios apropriados à vigilância da costa, esquecendo a vastíssima área marítima a fiscalizar. Não consigo ficar indiferente perante tanto dislate.
Servi vinte anos,com honra, na Armada portuguesa. Não sou almirante. Nesse tempo privei diariamente, no terreno,  com  muitos camaradas de armas , hoje oficiais generais. Sei das distinções que receberam ao longo da sua carreira, pela competência revelada no desempenho de variadas funções no mar e em terra,  no comando ou serviço de unidades e forças nacionais e estrangeiras.  Em ambiente de conflito nas três frentes - Guiné, Angola, Moçambique – muitos deles foram nomeados para chefiar operações anfíbias, como comandantes ou simples  oficiais de lanchas de desembarque e destacamentos de fuzileiros especiais, tendo recebido altos louvores e condecorações por bravura em combate. Outros, mais modernos, no pós-25 de Abril , participaram com destaque em operações de socorro a cidadãos nacionais no estrangeiro ( vd. livro “Bissau em chamas” – Reis Rodrigues e Silva Santos-Casa das Letras )  e integraram/comandaram forças no âmbito da NATO e de coligações amigas, sempre com distinção. Em todos os teatros de operações  fizeram bem o que lhes competia fazer. Desafio seja quem fôr a apontar de entre eles um único nome responsável  por actos menos cívicos ou lesivos de interesses nacionais.
Também , se o senhor Manuel Silvério pretendeu generalizar maus comportamentos do posto a partir de uma só pessoa, o almirante cujo nome veio a público a propósito da polémica dos submarinos, escolheu mal a amostra. Este Senhor, quase octogenário, há muitos anos na reforma, sempre fora de qualquer cargo político ou de alta responsabilidade empresarial, é um dos mais respeitados construtores navais que serviram na Armada.  Do seu saber saiu o conceito e projecto das corvetas, navios robustos e fiáveis que actuaram intensivamente em África  e que ainda hoje, alguns deles, continuam operacionais. Se o consórcio alemão o escolheu para consultor técnico do concurso, só prova discernimento e confiança nas suas capacidades. E se lhe pagou bem, tanto melhor, fê-lo porque o trabalho, altamente especializado, foi executado com qualidade.
A decisão de compra dos submarinos constituiu um acto meramente político, na esfera da defesa nacional. Óbvio que alguns almirantes, no âmbito das suas competências e com os conhecimentos que possuem do mister, terão sido solicitados a -  não poderiam recusar -  participar no processo. Fizeram-no com patriotismo, seguramente. Para além do que, nada tinham a perder ou ganhar, atingido que estava o cume da carreira. A negociação financeira não foi dirigida por si.
O senhor Manuel Silvino nada sabe sobre o que escreveu. Revelou apenas ser mais um habitante do Portugalzinho – aquele país de gente pequenina, maledicente, ignorante, sem respeito, muito menos orgulho,  pelo  mérito e património nacionais – ao qual os Senhores almirantes, que vilipendia e de quem escarnece,  decerto não pertencem.
Com respeitosos cumprimentos,
António N. Carvalho, Sines

Nota: Valente Camarada


2 comentários:

Anónimo disse...

Será que é o nosso camarada Salvador?

RC

Manel disse...

Penso que não cometo nenhuma indiscrição, pois esta carta se não é pública, deveria de o ser .

è sim o nosso camarada e Amigo e valente, com valores que já estão quase fora do percurso , mas ele , felizmente , mantem