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domingo, 2 de maio de 2010

FANTÁSTICO

O Santa Maria Manuela era um lugre de 4 mastros construído nos estaleiros da Companhia União Fabril, em Lisboa durante 1937 no tempo recorde de 60 dias para a Empresa de Pesca de Viana.
O aço da construção, de grande qualidade, destinava-se originalmente a dois navios de guerra que, por diversas circunstâncias acabaram por se não construir, sendo finalmente utilizado na construção do Santa Maria Manuela e do seu irmão gémeo, o Creoula.
A partir daquele ano, realizou dezenas de campanhas de pesca do bacalhau na Terra Nova e Groenlândia. Em viagem normal navegava com 54 pescadores, 10 moços de convés, 2 cozinheiros, 3 oficiais de máquinas, 2 oficiais de ponte e capitão. Podia carregar mais de 12.000 quintais de bacalhau salgado e bem como cerca de 60 toneladas de óleo de figado de bacalhau.
Anualmente, durante o Inverno, era desmastreado sendo revisto todo o seu aparelho fixo e de laborar bem como as duas andainas de pano.
Navegava geralmente a motor e à vela obtendo, assim, a melhor velocidade e qualidades de manobra. Com mau tempo fazia boa capa podendo, com bom tempo, alcançar os 12/13 nós de velocidade percorrendo a distância até Portugal em cerca de 9 dias.
A forma do casco do Santa Maria Manuela é a dos tradicionais lugres à vela da primeira metade deste século utilizados na pesca do bacalhau que vieram a ser conhecidos internacionalmente no seu conjunto como a famosa "Portuguese White Fleet".
Trata-se de um navio de quilha corrida e leme ordinário no seu prolongamento, grande calado, pequeno pontal e boca ficando assim com as formas afiadas que apresenta. A proa é de colher, saindo aí o gurupés. A popa é arredondada com um lançamento acentuado. A borda falsa é corrida tendo várias portas de mar, buzinas maiores para as espias e outras mais pequenas para passagem das escotas das extêndulas. O convés é em tabuado corrido, assente sobre vigas e longarinas, tendo um pequeno desnível a meia nau, interrompido por vários rufos, 4 mastros e cabrestantes.
A Empresa de Pesca de Viana manteve o navio em actividade até 1962, ano em que o vendeu a um armador da praça de Aveiro - a Empresa de Pesca Ribau - que ainda operou com o navio na sua forma original durante alguns anos.
No fim da década de sessenta, o navio iniciou uma fase de importantes transformações sendo-lhe retirados sucessivamente os mastros, acrescentado um novo convés, uma ponte de comando e nova motorização. Tais alterações foram ditadas por imperativos de viabilização económica bem como pelas inovações tecnológicas introduzidas na pesca do bacalhau tendo, em consequência, sido abandonada a pesca do bacalhau à linha em doris e introduzido o sistema de redes de emalhar com baleeiras de alumínio e alador directo do navio bem como o sistemas de "long-line".
Em 1993, apesar de todas as transformações sofridas, o navio é considerado obsoleto sendo abatido por demolição ao registo dos navios de pesca.
Em 1994, alguns membros fundadores da actual Fundação Santa Maria Manuela unidos pelos mesmos ideais, conscientes do valor dos salvados na eminência de serem vendidos para o estrangeiro e, com a prestimosa ajuda do Armador, decidiu comprar toda a sucata de ferro do navio (parte do casco e alguns equipamentos actualmente no Estaleiro de S.Jacinto, SA em Aveiro) e iniciar o presente processo de recuperação da réplica do Santa Maria Manuela segundo o projecto original, de 1937, tendo em vista alcançar os objectivos estatutários da Fundação.
Características
Comprimento fora a fora: 62,83 m.
Comprimento entre perpendiculares: 50,20 m.
Boca: 9,9 m.
Pontal: 5,94 m.
Imersão média: 4,55 m.
Deslocamento máximo: 1237 ton.
Água doce: 184 m3
Combustível: 80 m3
Motor: Diesel de 150 KW
Lotação
Tripulação fixa: 13
Instruendos: 26
Convidados (máx.): 6




Foto de JPD

1 comentário:

Anónimo disse...

Se recuperarmos o que perdemos e nos tiraram já não seria nada mau